Presidente do Santa explica decisão de manter técnico e executivo: “Ninguém é obrigado a ser amigo pessoal”
Presidente do Santa explica decisão de manter técnico e executivo: “Pequenas divergências”
A crise entre o técnico Cristian de Souza e o executivo de futebol Alex Brasil foi apaziguada pelo presidente do Santa Cruz, Bruno Rodrigues na quinta-feira. Segundo o mandatário, em entrevista ao ge nesta sexta, a decisão pela permanência de ambos foi para preservar a estabilidade da equipe na reta final da primeira fase da Série C.
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Bruno Rodrigues avaliou que diferenças de opinião fazem parte do ambiente de trabalho e não comprometem o objetivo comum de buscar o acesso. Também garantiu que a situação está realmente superada:
“Ninguém é obrigado a ser amigo pessoal”, resumiu o dirigente ao justificar a decisão, lembrando também que “os dois são responsáveis, adultos e maduros”.
Presidente do Santa Cruz, Bruno Rodrigues, em entrevista ao ge
Reprodução/Globo
Confira entrevista de Bruno Rodrigues
O que de fato aconteceu para chegar a essa situação entre Cristian de Souza e Alex Brasil? Eles já não vinham se entendendo há algum tempo. O que fez o senhor precisar intervir?
Bruno Rodrigues: Eu acho que foram algumas divergências pontuais. Tanto Alex como Cristian têm grandes serviços prestados ao clube, têm nos ajudado bastante. Ambos têm minha confiança total. Foi uma questão pontual em que houve uma divergência.
Mas no Santa Cruz é assim. Tudo escala, tudo se torna um problema muito grande. A página está virada, não tem nenhum problema. Os dois estão trabalhando em prol do clube, em prol do acesso. E, se Deus quiser, ele vai chegar.
Essas divergências foram em relação a contratações, metodologia de trabalho? Cristian chegou a demonstrar indignação após o jogo contra o Figueirense.
Bruno Rodrigues: Veja, eu entendo diferente. Acho que são dois profissionais experientes, responsáveis. Essas divergências pontuais sempre existem, não só no Santa Cruz. É que tudo no clube toma uma proporção muito grande. O importante é que viramos essa página. Está todo mundo focado no acesso. Vou te falar uma coisa: há muito tempo eu não tenho um grupo tão unido como esse. Eles se fecharam, estão compromissados, e eu tenho certeza de que, se Deus quiser, vamos conseguir o acesso.
Técnico do Santa Cruz, Cristian de Souza, e executivo de futebol Alex Brasil em entrevista coletiva
Reprodução/TV Coral
O senhor optou pela permanência dos dois. O que pesou nessa decisão?
Bruno Rodrigues: Acho que divergências existem. Ninguém é obrigado a morrer de amor pelo outro. Ninguém é obrigado a ser amigo pessoal. Temos um clube e grandes profissionais. Tanto Alex quanto Cristian têm feito grandes trabalhos. Eu fiz ver a responsabilidade do Santa Cruz nesse momento tão difícil, faltando quatro jogos para a fase final.
Não via motivo para escalar dessa forma. Foi uma situação que já estava ultrapassada. Os dois se entenderam e tenho convicção de que vão conosco até o acesso. E, quando digo até o acesso, não é que depois vão sair. Fiz ver a importância de cada um nesse processo. Seria uma fratura muito grande para o clube. Os dois são responsáveis, adultos e maduros.
Que garantias existem de que essa convivência não vai afetar o planejamento do Santa Cruz?
Bruno Rodrigues: Eu penso que os dois são profissionais experientes e responsáveis. Cada um vai dar o seu melhor para o clube conseguir o acesso. É natural que, em um elenco com mais de 30 jogadores, alguns tenham uma relação maior com um ou com outro. Isso não muda nada.
O senhor não teme que essa convivência volte a gerar problemas?
Bruno Rodrigues: Veja, o que eu penso é que, nesse momento, nós não teríamos um executivo de futebol melhor que o Alex, como também não teríamos um técnico melhor que o Cristian. Esse foi o meu raciocínio: manter essa espinha dorsal que tem dado certo e mostrar que estamos bem próximos de uma nova realidade para o clube. Não caberia, por conta de uma discussão, isso afetar o elenco. Pelo contrário. Estive no clube ontem, eles também estiveram, o elenco está muito unido. O que faço é um apelo para que o torcedor vá ao estádio e faça o que fez no ano passado para diferenciar esse processo. Tenho convicção de que, quando passarmos para o quadrangular, teremos casa cheia, no limite máximo, como aconteceu no ano passado.
Executivo de futebol do Santa Cruz, Alex Brasil, presidente, Bruno Rodrigues, e diretor médico, Antônio Mário
Marlon Costa/AGIF
O senhor ligou para algumas lideranças do elenco durante esse processo. Por quê?
Bruno Rodrigues: Tenho uma relação muito próxima com o elenco. Converso com todos. Quando liguei para grande parte dos jogadores — não para todos porque não tive tempo — foi para tranquilizá-los, mostrar que a situação estava sendo resolvida, apoiá-los e entender todo esse contexto. Mas isso aconteceu depois da conversa com ambos e depois de acertarmos a permanência deles. Acho importante destacar essa cronologia. Ouvir os jogadores faz parte do meu trabalho. Não foi nenhuma novidade.
Também houve repercussão sobre divergências entre jogadores e comissão técnica. Como o senhor lidou com isso?
Bruno Rodrigues: Repito: o Santa Cruz é um gigante. Qualquer problema, por menor que seja, ganha uma dimensão muito grande. Foi uma semana em que essas divergências ganharam publicidade, mas está tudo superado.
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