Inter “estacionou um ônibus”? Entenda expressão usada por Abel Ferreira e estratégia de Pezzolano
A estratégia que fez o Inter pontuar contra o líder do Brasileirão; podcast ge analisa
O Inter saiu de uma série dura no Campeonato Brasileiro com um saldo positivo. Empatou com Flamengo e Palmeiras, deixou a zona de rebaixamento e voltou a Porto Alegre com mais confiança para a sequência da temporada. A estratégia utilizada pelo técnico Paulo Pezzolano, inclusive, virou tema de debate.
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Depois do empate sem gols com o Palmeiras, no Nubank Parque, o técnico Abel Ferreira definiu a postura colorada como “estacionar um ônibus à frente do gol”. A frase, porém, reduz o modelo adotado por Paulo Pezzolano nos últimos jogos.
– Uma parte é da responsabilidade e mérito do nosso adversário e a outra é falta de inspiração nossa. Na Inglaterra usam um termo, mas eu não quero utilizar aqui. Mas foi isso que o adversário fez. Foi estacionar o ônibus à frente do gol e esperar pelas transições – disse Abel.
Mais reativo desde a mudança de rota implementada pelo treinador ainda no primeiro semestre, o Inter passou a priorizar organização, compactação e adaptação ao adversário. O ge consultou comentaristas para explicar a estratégia.
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Maurício Saraiva analisa o empate do Inter contra o Palmeiras
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Menos posse de bola
A principal característica dessa versão do Inter é a capacidade de mudar comportamentos sem abrir mão de uma base defensiva sólida. O time aceita ter menos a bola, mas busca controlar espaços e neutralizar os pontos fortes do rival.
Nos últimos jogos, a estrutura teve como ponto de partida uma linha de cinco defensores. A formação, porém, apresentou variações conforme as características de cada adversário. Para o comentarista Cristiano Munari, da Rádio Gaúcha, o sucesso recente passa justamente pela flexibilidade do sistema.
– Esses últimos jogos de sucesso defensivo do Inter têm como base uma primeira linha de cinco. Bruno Gomes vira terceiro zagueiro e Vitinho ala para dar sustentação aos outros zagueiros com poucos metros atrás deles – analisa.
Abel Ferreira e Paulo Pezzolano antes de Palmeiras x Internacional
Marcos Ribolli
Contra Flamengo e Corinthians, o Colorado utilizou um 5-3-2. Nesse desenho, Bernabei atuava como um terceiro homem de meio-campo. A função ajudava a fechar espaços centrais e dificultar as construções por dentro.
Diante do Palmeiras, a escolha foi diferente. A equipe de Abel Ferreira explora mais os corredores laterais. Pezzolano ajustou a estrutura para um 5-2-3. Bernabei começou mais avançado, na linha de frente e na pressão na saída de bola adversária. A estratégia dificultou a construção palmeirense durante boa parte do primeiro tempo.
Na visão de Heloíse Bordin, comentarista do Sportv, a comparação entre os elencos ajuda a entender os caminhos escolhidos. A situação do Inter na tabela também pesa na hora de montar uma estratégia.
– Pezzolano não tinha outra escolha se não colocar força máxima para enfrentar o Palmeiras. Manteve a ideia que já vinha funcionando contra grandes equipes. Jogar com uma linha de cinco na defesa, entregar a bola ao adversário e sair no contra-ataque. Até se surpreendeu quando, no primeiro tempo, o Palmeiras nem fez tanta questão assim da posse de bola e deixou com que os colorados também tivessem volume de jogo com a bola no pé – destaca.
– Pezzolano não tem peças de ataque com tanta qualidade quanto Abel Ferreira tem. Se um joga com três defensores porque fica difícil escolher entre tantos atacantes de qualidade, o outro fez funcionar um esquema que potencializa as peças de velocidade do elenco e ensinou o time a sofrer e suportar a pressão do adversário, que naturalmente tem um elenco melhor – completa.
Paulo Pezzolano, técnico do Inter
Marcos Ribolli
Como manter a solidez defensiva?
O desafio agora será manter a consistência quando o contexto exigir uma postura diferente. A solidez defensiva apareceu contra equipes acostumadas a controlar o jogo e atacar mais. Em partidas nas quais o Inter precisar assumir protagonismo, ocupar o campo ofensivo e deixar mais espaço às costas da defesa, a exigência será outra.
– O desafio para o Inter vai ser manter a organização defensiva em partidas que precisará atacar mais. Deixar a atual defesa com muitos metros de campo atrás pode gerar problemas – alerta Munari.
Os dois próximos jogos do Inter no Brasileirão serão no Beira-Rio, contra Remo e Atlético-MG. Novas oportunidades para Paulo Pezzolano avaliar a manutenção – ou não – do método aderido até o momento.
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