Análise: o Guarani ainda depende das próprias forças. Agora, precisa decidir o que fazer com isso
Com apenas uma vitória nos últimos oito jogos da Série C e após mais uma derrota sofrida – desta vez, novamente de virada, para o Botafogo-PB -, a situação do Guarani na luta pelo acesso ficou mais desafiadora.
É natural que exista uma tentação de não alimentar esperanças de que a classificação será confirmada no próximo sábado, no Brinco de Ouro, contra o Brusque.
O sentimento neste momento é de frustração com uma missão que parecia controlada há dois meses. Mas agora é preciso encontrar uma maneira de transformar a desilusão em esperança. Afinal, o Guarani ainda depende das próprias forças.
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Por mais que a sensação seja de preocupação diante de uma reta final melancólica, recusar-se a desistir de um acesso ainda plausível é questão de honra para o Guarani – principalmente depois de tudo que o elenco apresentou ao longo da competição.
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João Neto / Botafogo-PB
Foi o próprio Bugre quem se colocou na condição de sonhar. Chegou à liderança da Série C, abriu vantagem no G-8 e justificou dentro de campo o investimento feito para a temporada. Agora é o Guarani quem precisa assumir a responsabilidade para alimentar esse sonho enquanto ainda houver no que se agarrar.
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O torcedor vai precisar isolar tudo o que aconteceu nos últimos jogos. Isso é diferente de esquecer. As cobranças continuarão sendo necessárias, e haverá tempo para fazê-las.
Elas passam pela diretoria, que ainda convive com dois meses de salários atrasados, pelas decisões muitas vezes questionáveis do técnico Elio Sizenando e também pelos jogadores, que pela quinta partida consecutiva saíram na frente e não conseguiram controlar a vantagem.
Mas o momento exige outra postura.
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João Neto / Botafogo-PB
Trata-se de um ato de respeito à tradição do clube e também à torcida, que está sonhando com um desfecho positivo desde o ano passado. O torcedor do Guarani merece algo diferente. E diretoria, comissão técnica e jogadores podem oferecer muito mais do que apresentaram nos últimos dois meses.
O cenário atual indica um time que perdeu fôlego justamente quando a competição entrou na reta decisiva. Que nem de longe lembra aquele da arrancada com Elio Sizenando, com vitórias convincentes dentro e fora de casa e uma sensação de que o time estava no caminho certo.
Só que a equipe não conseguiu sustentar o mesmo nível.
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João Neto / Botafogo-PB
O sistema defensivo caiu de produção, principalmente com a dupla Maurício Antônio e Jonathan Costa. O volante Carlos Eduardo não conseguiu repetir o futebol que vinha fazendo a diferença. E o ataque parou, seja com Lucca ou Maranhão, oferecendo pouco perigo aos adversários.
No duelo direto contra o Botafogo-PB, o Guarani voltou a apresentar problemas vistos nas partidas anteriores. Teve dificuldade para se proteger, dependeu de defesas de Caíque França e, quando a bola chegou aos atacantes, faltou agressividade para transformar posse em perigo.
A bola parada, porém, ajudou. João Paulo abriu o placar em João Pessoa e colocou o Bugre novamente em vantagem. O problema é que o Guarani não conseguiu controlar a partida.
O Botafogo-PB encontrou espaços, pressionou e virou o jogo. E, mais uma vez, o Bugre não conseguiu responder quando perdeu a vantagem.
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Agora, apesar de todos os “poréns” que a atual fase impõe e tornam a tarefa mais difícil, a matemática ainda está a favor do Guarani. Uma vitória coloca o time no quadrangular final. Até mesmo um empate pode ser suficiente, dependendo dos outros resultados.
Para quem chegou até aqui ainda com chances, o mínimo que se espera é lutar por mais uma rodada. Em casa, diante do Brusque, dependendo das próprias forças.
Elenco do Guarani na Série C
Raphael Silvestre
O momento é de colocar tudo o que aconteceu nas últimas semanas em uma espécie de parêntese. Não para apagar os problemas, mas para impedir que eles contaminem os 90 minutos que podem definir o futuro do clube na temporada.
Haverá o momento de discutir planejamento, trabalho de Elio Sizenando, atrasos salariais, SAF e tantas outras questões que deixam a arquibancada dividida. No próximo sábado, porém, pensando no clube, é preciso ser apenas uma voz durante os 90 minutos.
Afinal, o principal motivo para acreditar na classificação ainda é o próprio torcedor bugrino. E todos os envolvidos precisam perceber isso a tempo.
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