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Da resistência à paixão: Cláudia mira mata-mata com o Cruzeiro e sonha com a Seleção

Da resistência à paixão: Cláudia mira mata-mata com o Cruzeiro e sonha com a Seleção

Vasco 3 x 1 Cruzeiro | Melhores momentos | 25ª rodada | Brasileirão 2026
“Eu não gostava da posição. aprendi a gostar e hoje é minha vida”.
É assim que a goleira Cláudia, do Cruzeiro, define a carreira como jogadora. Aos 24 anos, viu a posição que, antes, duvidava ser possível jogar, levá-la até a Seleção Brasileira e a uma decisão de Brasileirão. Pela primeira vez, a camisa 64 das Cabulosas vai encarar um mata-mata da principal competição do país com a missão de ajudar o time celeste a quebrar um tabu incômodo.
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Cláudia, goleira do Cruzeiro
Gustavo Martins/Cruzeiro
Natural de Pérola d’Oeste, interior do Paraná, a goleira começou a caminhar no futebol já na adolescência. Com 16 anos, uma professora de educação física a chamou para jogos escolares, mas Cláudia não queria saber de defender. Ela acreditava que atuar na linha era o seu lugar.
– A minha professora de educação física, na época, me chamou para jogar os Jogos Escolares do Paraná. Ela me pediu para jogar de goleira. No começo, questionei, duvidei. Achei que ela estava meio doida.
Mas professores costumam ver além, e foi assim que Cláudia virou goleira. Passou um tempo até se adaptar e ainda mesclava o novo esporte com uma outra função. Já com pouca idade, a jovem trabalhava no supermercado da cidade e viu no futebol uma chance de ter algo a mais, uma carreira para seguir e amar.
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– Eu não me sentia goleira. Tanto que, quando fui para o Toledo, que é meu primeiro clube, eu fiquei o ano todo ali me adaptando, aprendendo a gostar da posição, porque eu não gostava. Mas, depois, aprendi a gostar. Hoje é a minha vida. Amo mais que tudo.
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Cláudia trabalhava no supermercado da cidade com 16 anos
Arquivo pessoal
Em 2018, Cláudia decidiu se dedicar apenas ao esporte. O futebol de mulheres ganhava uma goleira com futuro de Seleção. Ela começou no Toledo, passou pelo Coritiba e chegou ao Grêmio, onde encontrou uma inspiração, uma arqueira com passagem pela seleção brasileira e destaque em uma posição ainda questionada no futebol feminino.
– A minha referência mesmo foi a Lorena. Tive a chance de estar na Seleção com ela. Tenho muito carinho por ela. É uma das melhores goleiras hoje. Ela é a minha referência.
Mas atuar com uma das melhores da posição fez Cláudia voltar ao início da carreira, quando não acreditava que daria conta de atender às expectativas. Foi um processo de amadurecimento e acolhimento.
– Fiquei duas temporadas no Toledo. Eu não tinha preparador de goleiro, eu não tinha uma sequência de treinamentos específica. Foi um processo duro para mim. Na verdade, eu passei um ano e meio assim no Grêmio, lutando, aprendendo a acreditar em mim, treinando para aprender as coisas. Sou uma pessoa que me cobro muito. Mas é o processo. Eu queria atropelar o processo.
A carreira e a saudade da família
Cláudia então começou a se destacar. Foi para o Juventude e seguiu para o Fluminense. Ali, pela primeira vez, ficou longe da família. Filha única da dona Marines e do Evandro, sentiu um pouco o peso de estar distante de casa, mas viu os pais sonharem com ela. Hoje, o combustível da goleira é perceber o quão importante o exemplo dela se tornou para as garotas de Pérola d’Oeste.
– Adoro ver as crianças. O quanto eles se inspiram hoje na gente, veem ser possível uma pessoa de uma cidade pequena chegar numa seleção, chegar num time grande, que tem muitas que estão lá também trabalhando, lutando para jogar futebol, que é o sonho de muitas.
Cláudia junto com os pais sendo homenageada na câmara dos vereadores de Pérola d’Oeste
Arquivo pessoal
Essas garotas puderam ver a Cláudia chegar na seleção brasileira. A goleira tem sete convocações, foi campeã da Copa América em 2025 e tem participado do ciclo para a Copa do Mundo de 2027, que vai ser no Brasil. Um sonho que ela cultiva com os olhos brilhando, mas com os pés no chão e a cabeça no Cruzeiro.
– Nem acredito às vezes. Aconteceu tudo tão rápido. Sempre gostei, amei, mas nunca esperei, dessa forma, ainda mais como goleira. Todo atleta quer chegar à seleção. Eu já tive a chance de estar lá, de ser campeã da Seleção, que é algo muito importante jogando. Tive a chance de jogar jogos difíceis e importantes.
“Preciso fazer o meu trabalho bem feito aqui no Cruzeiro. Se eu fizer meu trabalho bem feito, eu vou chegar lá de novo.”
Quebrar o Tabu
O trabalho tem sido feito. Ela atuou nas últimas quatro partidas, tem ganhado uma sequência importante para enfrentar o grande desafio da temporada até aqui. O Cruzeiro vai encarar o Corinthians, pelas quartas de final do Brasileirão, nesta segunda, às 19h15 (de Brasília). A Raposa nunca eliminou as Brabas em um mata-mata. Foram cinco decisões envolvendo os dois times.
– Considero que todos os jogos a partir de agora para a gente são finais. É uma equipe muito difícil. Sempre foram as maiores campeãs, não tem como negar isso. A gente também tem condições de chegar lá e vamos lutar para isso.
“Eu estou bem confiante, tem uma expectativa muito boa com a equipe.”
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