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Polícia britânica diz que identificou agressões em ataque a manifestante de Hong Kong

A polícia do Reino Unido disse na segunda-feira (21) que identificou “uma série de agressões e infrações à ordem pública” no caso de um manifestante pró-democracia de Hong Kong atacado ao participar de um protesto pacífico do lado de fora do consulado chinês em Manchester, em outubro. As informações são do portal Hong Kong Free Press.

As autoridades policiais da cidade disseram em um comunicado que estavam “procurando ativamente” mais vítimas em potencial no incidente. E acrescentou que, até o momento, nenhuma prisão foi feita e que recebeu somente um relatório de ferimentos leves de um de seus policiais, além da suposta vítima.

O comunicado também detalhou que a investigação está reunindo uma série de evidências, incluindo “CCTV (Circuito Fechado de TV), câmeras policiais, imagens de telefone celular e declarações de testemunhas do maior número possível de pessoas envolvidas”.

“Até agora, identificamos uma série de crimes, incluindo agressões e infrações à ordem pública”, diz o texto das autoridades britânicas.

Confusão ocorreu quando grupo protestava pela independência de Hong Kong do lado de fora da embaixada (Foto: Twitter/Reprodução)

O chefe-assistente da polícia, Chris Sykes, acrescentou no comunicado que também foram identificados vários suspeitos e vítimas em potencial. “A investigação envolverá trabalho pelo tempo necessário para falar com todos os envolvidos e obter o máximo de respostas possível”, declarou ele.

O manifestante agredido, Bob Chan, integra um grupo pró-democracia chamado Força de Defesa Indígena de Hong Kong. Antes da agressão, ele liderava um manifestação organizada em frente ao prédio, ato que contestava o 20º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês (PCC), iniciado no mesmo dia em Beijing.

Chan relatou à época o que ocorreu: “Fui socado e chutado depois de ter sido puxado, tenho hematomas no rosto, tenho sangramento e inchaço, tenho cabelos arrancados da cabeça, tenho hematomas no pescoço, nas costas e tenho algumas dores nas costas”, contou.

Zheng Xiyuan, um veterano diplomata chinês flagrado agredindo Bob, justificou sua atitude dizendo que era seu “dever” proteger a dignidade chinesa. 

O Ministério das Relações Exteriores da China, que saiu rapidamente em defesa do diplomata, descreveu os ativistas como “assediadores” que entraram ilegalmente no consulado, “colocando em risco a segurança das instalações diplomáticas chinesas”.

Intimidação

Em discurso anual sobre as ameaças enfrentadas pelo Reino Unido, Ken McCallum, diretor do MI5, o serviço de inteligência doméstica britânica, falou sobre o episódio em Manchester. Ele fez um alerta sobre a “atividade preocupante” da China.

“As autoridades chinesas usam todos os meios à sua disposição para monitorar e, onde julgarem necessário, intimidar a diáspora chinesa”, disse McCallum.

Segundo ele, o país está vendo mais indícios dessa repressão. “Isso foi trazido para casa recentemente, quando um manifestante pró-democracia parecia ser objeto de violência do lado de fora do consulado chinês em Manchester”. 

Por que isso importa?

Após a transferência de Hong Kong do domínio britânico para o chinês, em 1997, o território passou a operar sob um sistema mais autônomo e diferente do restante da China. Apesar da promessa inicial de que as liberdades individuais seriam respeitadas, a submissão a Beijing sempre foi muito forte, o que levou a protestos em massa por independência e democracia em 2019.

A resposta de Beijing aos protestos veio com autoritarismo, representado pela lei de segurança nacional, que deu ao governo de Hong Kong poder de silenciar a oposição e encarcerar os críticos. A normativa legal classifica e criminaliza qualquer tentativa de “intervir” nos assuntos locais como “subversão, secessão, terrorismo e conluio”. Infrações graves podem levar à prisão perpétua.

No final de julho de 2021, um ano após a implementação da lei, foi anunciado o primeiro veredito de uma ação judicial baseada na nova normativa. Tong Ying-kit, um garçom de 24 anos, foi condenado a nove anos de prisão sob as acusações de praticar terrorismo e incitar a secessão.

O incidente que levou à condenação ocorreu em 1º de julho de 2020, o primeiro dia em que a lei vigorou. Tong dirigia uma motocicleta com uma bandeira preta na qual se lia “Liberte Hong Kong. Revolução dos Nossos Tempos”, slogan usado pelos ativistas antigoverno nas manifestações de 2019.

Os críticos ao governo local alegam que os direitos de expressão e de associação têm diminuído cada vez mais, com o aumento da repressão aos dissidentes graças à lei. Já as autoridades de Hong Kong reforçam a ideia de que a normativa legal é necessária para preservar a estabilidade do território

O Reino Unido, por sua vez, diz que ela viola o acordo estabelecido quando da entrega do território à China. Isso porque havia uma promessa de que as liberdade individuais, entre elas eleições democráticas, seriam preservadas por ao menos 50 anos. Metade do tempo se passou, e Beijing não cumpriu sua parte no acordo. Muito pelo contrário.

Nos últimos anos, os pedidos por democracia foram silenciados, a liberdade de expressão acabou e a perspectiva é de que isso se mantenha por um “longo prazo”. Nas palavras do presidente Xi Jinping, “qualquer interferência deve ser eliminada”.

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Polícia britânica diz que identificou agressões em ataque a manifestante de Hong Kong

A polícia do Reino Unido disse na segunda-feira (21) que identificou “uma série de agressões e infrações à ordem pública” no caso de um manifestante pró-democracia de Hong Kong atacado ao participar de um protesto pacífico do lado de fora do consulado chinês em Manchester, em outubro. As informações são do portal Hong Kong Free Press.

As autoridades policiais da cidade disseram em um comunicado que estavam “procurando ativamente” mais vítimas em potencial no incidente. E acrescentou que, até o momento, nenhuma prisão foi feita e que recebeu somente um relatório de ferimentos leves de um de seus policiais, além da suposta vítima.

O comunicado também detalhou que a investigação está reunindo uma série de evidências, incluindo “CCTV (Circuito Fechado de TV), câmeras policiais, imagens de telefone celular e declarações de testemunhas do maior número possível de pessoas envolvidas”.

“Até agora, identificamos uma série de crimes, incluindo agressões e infrações à ordem pública”, diz o texto das autoridades britânicas.

Confusão ocorreu quando grupo protestava pela independência de Hong Kong do lado de fora da embaixada (Foto: Twitter/Reprodução)

O chefe-assistente da polícia, Chris Sykes, acrescentou no comunicado que também foram identificados vários suspeitos e vítimas em potencial. “A investigação envolverá trabalho pelo tempo necessário para falar com todos os envolvidos e obter o máximo de respostas possível”, declarou ele.

O manifestante agredido, Bob Chan, integra um grupo pró-democracia chamado Força de Defesa Indígena de Hong Kong. Antes da agressão, ele liderava um manifestação organizada em frente ao prédio, ato que contestava o 20º Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês (PCC), iniciado no mesmo dia em Beijing.

Chan relatou à época o que ocorreu: “Fui socado e chutado depois de ter sido puxado, tenho hematomas no rosto, tenho sangramento e inchaço, tenho cabelos arrancados da cabeça, tenho hematomas no pescoço, nas costas e tenho algumas dores nas costas”, contou.

Zheng Xiyuan, um veterano diplomata chinês flagrado agredindo Bob, justificou sua atitude dizendo que era seu “dever” proteger a dignidade chinesa. 

O Ministério das Relações Exteriores da China, que saiu rapidamente em defesa do diplomata, descreveu os ativistas como “assediadores” que entraram ilegalmente no consulado, “colocando em risco a segurança das instalações diplomáticas chinesas”.

Intimidação

Em discurso anual sobre as ameaças enfrentadas pelo Reino Unido, Ken McCallum, diretor do MI5, o serviço de inteligência doméstica britânica, falou sobre o episódio em Manchester. Ele fez um alerta sobre a “atividade preocupante” da China.

“As autoridades chinesas usam todos os meios à sua disposição para monitorar e, onde julgarem necessário, intimidar a diáspora chinesa”, disse McCallum.

Segundo ele, o país está vendo mais indícios dessa repressão. “Isso foi trazido para casa recentemente, quando um manifestante pró-democracia parecia ser objeto de violência do lado de fora do consulado chinês em Manchester”. 

Por que isso importa?

Após a transferência de Hong Kong do domínio britânico para o chinês, em 1997, o território passou a operar sob um sistema mais autônomo e diferente do restante da China. Apesar da promessa inicial de que as liberdades individuais seriam respeitadas, a submissão a Beijing sempre foi muito forte, o que levou a protestos em massa por independência e democracia em 2019.

A resposta de Beijing aos protestos veio com autoritarismo, representado pela lei de segurança nacional, que deu ao governo de Hong Kong poder de silenciar a oposição e encarcerar os críticos. A normativa legal classifica e criminaliza qualquer tentativa de “intervir” nos assuntos locais como “subversão, secessão, terrorismo e conluio”. Infrações graves podem levar à prisão perpétua.

No final de julho de 2021, um ano após a implementação da lei, foi anunciado o primeiro veredito de uma ação judicial baseada na nova normativa. Tong Ying-kit, um garçom de 24 anos, foi condenado a nove anos de prisão sob as acusações de praticar terrorismo e incitar a secessão.

O incidente que levou à condenação ocorreu em 1º de julho de 2020, o primeiro dia em que a lei vigorou. Tong dirigia uma motocicleta com uma bandeira preta na qual se lia “Liberte Hong Kong. Revolução dos Nossos Tempos”, slogan usado pelos ativistas antigoverno nas manifestações de 2019.

Os críticos ao governo local alegam que os direitos de expressão e de associação têm diminuído cada vez mais, com o aumento da repressão aos dissidentes graças à lei. Já as autoridades de Hong Kong reforçam a ideia de que a normativa legal é necessária para preservar a estabilidade do território

O Reino Unido, por sua vez, diz que ela viola o acordo estabelecido quando da entrega do território à China. Isso porque havia uma promessa de que as liberdade individuais, entre elas eleições democráticas, seriam preservadas por ao menos 50 anos. Metade do tempo se passou, e Beijing não cumpriu sua parte no acordo. Muito pelo contrário.

Nos últimos anos, os pedidos por democracia foram silenciados, a liberdade de expressão acabou e a perspectiva é de que isso se mantenha por um “longo prazo”. Nas palavras do presidente Xi Jinping, “qualquer interferência deve ser eliminada”.

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