A ex-joia do São Paulo que trocou time campeão por rebaixado e hoje lidera retomada do São Caetano
Caiuby diz que troca do São Paulo pelo Corinthians “não foi uma boa decisão”
Camisa 10 do São Caetano na disputa da Série A4 do Paulistão, Caiuby está em um novo momento, longe dos holofotes que chegaram cedo em sua vida. Hoje com 37 anos, o meia já transitou entre a euforia e a turbulência em dois grandes clubes do futebol paulista: São Paulo e Corinthians.
Com 18 anos, o jogador chegou ao Tricolor como uma aposta após conquistar a Copa Paulista com a Ferroviária, em 2006. Campeã brasileira sob o comando de Muricy, a equipe contratou o jovem para a temporada de 2007. A transferência teve influência de um nome conhecido do futebol: o empresário Wagner Ribeiro, responsável por levar Lucas, Robinho, Kaká e Neymar à Europa.
— O Wagner Ribeiro (empresário) que me fez o contato, ele era empresário do Robinho na época, e ele que fez toda a manobra para me levar ao São Paulo, me mostrou um projeto bem mais ambicioso para minha carreira, falou que ir para o São Paulo era uma boa, pois na época eles tinham um time que ganhava tudo, uma estrutura tremenda, foram essas coisas que me fizeram optar pelo São Paulo — disse o meia em entrevista ao ge.
Os termos do contrato traziam ainda mais pressão ao meia. Caiuby assinou vínculo de três meses, com possibilidade de renovação por quatro anos. Hoje mais experiente, o atleta entende a decisão do São Paulo, mas reconhece a responsabilidade que o modelo trazia.
— Na época você é muito novo, e ter um contrato de três meses, que depois se estende, é um período de teste, pode se dizer assim, e por você ser novo acho que tem um peso maior para a diretoria escolher os jogadores, porque o São Paulo naquela época era um time que ganhava tudo, só jogadores renomados. Isso tem um peso.
Caiuby atualmente defende o São Caetano
Ulisses Lopresti/ge
O sucesso do Tricolor
Caiuby foi apresentado no CT da Barra Funda ao lado de outros dois reforços que marcariam época no Tricolor: Borges e Hugo. Para um jovem que ainda não havia vivenciado um ambiente de tanta exposição, a repercussão chamou atenção.
— Claro que é uma coisa muito diferente para um jogador que joga uma Copa Paulista, sai de um clube que até então não estava no cenário brasileiro tão forte, o impacto é grande. Você chega em uma apresentação como jogador do São Paulo, na época o Globo Esporte transmitiu, todos os meus amigos me mandaram mensagem: “Pô, você vai passar no Globo Esporte”.
O Tricolor defendia o título do Brasileirão e tinha um elenco estrelado. Caiuby relembra com carinho a emoção de dividir vestiário com seu ídolo, Rogério Ceni, além de outros campeões pelo São Paulo, que na época sobravam no cenário nacional, e apresentaram uma “fome de vencer”.
Caiuby relembra Muricy e passagem pelo São Paulo: “Até o Globo Esporte transmitiu”
— Ele é o ídolo. Desde pequeno eu tenho o Rogério como um ídolo, sempre foi uma referência, e dividir o mesmo espaço que ele para mim foi a realização de um sonho, que eu falo que já dividi vestiário com um cara que eu sempre acompanhei. Claro que tem outros, tinha o Aloísio, Alex Silva, era um elenco que dispensava comentários.
— A pressão era grande na época, porque era um time que batia de frente com todo mundo, vinha ganhando tudo, então tinha uma cobrança dos próprios jogadores, de sempre se cobrarem mais, nos treinamentos ninguém tirava o pé de dividida, era uma coisa absurda, a sede de vencer era muito grande no elenco, e isso era o diferencial do São Paulo na época, a fome de vencer – disse em entrevista ao ge.
Caiuby em ação pelo São Caetano
Reprodução/Instagram
Crise no Timão
Caiuby foi relacionado para duas partidas do São Paulo durante a temporada de 2007, que mais tarde terminaria no bicampeonato do Brasileirão. Entretanto, o meia não chegou a dar a volta olímpica, pois deixou o clube em setembro para atuar no rival Corinthians.
— Foi mais uma jogada do meu empresário, ele viu que eu não teria muitas oportunidades no São Paulo, eu queria jogar na época, e como ele tem muitos contatos, ele pensou em trocar para ver se eu teria mais minutagem. Garoto quer jogar, todo jogador quer jogar, você tem essa insatisfação de ficar no banco, eu como garoto tinha fome de jogar, eu sabia que no São Paulo seria muito difícil, então tive essa oportunidade no Corinthians.
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A passagem do jogador pelo Parque São Jorge foi discreta, e é até difícil encontrar registros do meia com a camisa alvinegra. No Corinthians, viveu um cenário diferente do que encontrou no São Paulo. Em 2007, o Timão atravessava um período de conflito político que culminou no rebaixamento à segunda divisão. Caiuby não disputou nenhuma partida pela equipe profissional e, hoje, considera que a mudança não foi positiva.
— Acho que não foi uma decisão tão boa se tratando de carreira, porque naquela época o Corinthians estava muito conturbado. Sempre foi conturbado, mas naquela época ainda mais, até em questão de elenco, estava difícil montar um elenco forte. É difícil falar que eu poderia jogar, eu fiquei pouco tempo para ter uma transição, mas tivemos a decisão de mudar porque estava muito conturbado.
Caiuby conta detalhes de chegada ao futebol alemão: “Transição não foi fácil”
Após as passagens pelos grandes, Caiuby ainda passou por Guaratinguetá e São Caetano antes de jogar na Alemanha, onde defendeu Wolfsburg, Ingolstadt e Augsburg. Foram 109 jogos na Bundesliga e um título, ao lado dos ex-são-paulinos Grafite e Josué. Foi mais de uma década na Europa antes de retornar ao Brasil, em 2024.
Atualmente no São Caetano, Caiuby é o atleta mais experiente do elenco. Cada equipe pode inscrever somente cinco jogadores com mais de 23 anos na Série A4. Ao lado de jovens, o meia se inspira em suas passagens pelos grandes para instruir os mais jovens.
Caiuby divide com Boateng em Augsburg x Bayern de Munique
EFE/EPA/DANIEL KOPATSCH
— Hoje temos uma geração que eu falo que o jogador não vive muito para o futebol, não vive o sonho de jogar futebol. Oportunidade tem, tem tudo para fazer as coisas acontecerem, mas às vezes, por você não ouvir um cara mais experiente, com mais bagagem, você pode perder oportunidades. Acho que essa geração de hoje é muito difícil de lidar, pois eles não escutam.
O São Caetano terminou a primeira fase da Série A4 na segunda posição e agora joga as quartas de final contra o Jacareí FC – o jogo de ida, fora de casa, terminou 0 x 0, e a volta será no próximo sábado, no Anacleto Campanella. Caiuby é um dos vice-artilheiros da competição, com seis gols.
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— Eu estou aqui para fazer parte de toda essa reestruturação do clube, por isso aceitei esse projeto. Estou feliz, estou bem familiarizado, muita gente com quem trabalhei no passado está aí. A única coisa que mudou é que ficamos um pouco mais velhos, mas o carinho e a amizade estão aí.
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