Análise: “Prata da casa” na chefia é solução ideal para momento de Bortoleto e Audi na F1
Rodrigo França analisa novo diretor de corridas da Audi, Allan McNish, equipe de Bortoleto
A saída do chefe de equipe Jonathan Wheatley na véspera do GP do Japão pegou o paddock da F1 de surpresa, já que, desde 2025, ainda como Sauber, o dirigente era tratado como um dos principais responsáveis pela melhora da equipe suíça em seu último ano de transição antes de se tornar equipe oficial da Audi.
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Allan McNish no GP da Austrália da F1 em 2026
Gongora/NurPhoto via Getty Images
Mattia Binotto acumulou neste breve período a função de CEO e chefe de equipe, e a pausa forçada no calendário, com o cancelamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, de certa forma ajudou a equipe de Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg a sofrer mesmo com este acúmulo de funções de seu principal comandante.
O anúncio nesta sexta-feira de Allan McNish como “diretor de corridas” foi uma solução “caseira”, de alguém que já está com o time há muitos anos, não só como dirigente, mas também como piloto. Depois de uma curta carreira na F1, com a Toyota, tendo um sétimo lugar em 2002 como melhor resultado, McNish brilhou nas categorias de endurance, justamente como piloto da Audi, sendo campeão mundial do WEC em 2013, incluindo a histórica vitória nas 24 Horas de Le Mans.
Allan McNish e Tom Kristensen com o chefe da Audi nas 24 Horas de Le Mans Endurance WEC
Agência Getty Images
McNish está envolvido com a Audi desde o início do projeto F1, sendo que já trabalhou como Diretor de Coordenação e chefe de equipe na Fórmula E e também já estava a frente do Programa de Desenvolvimento de Pilotos da equipe Audi. A experiência no comando do time oficial de fábrica em outras categorias certamente foi decisiva para a promoção agora na F1.
O escocês agora será o novo diretor de corridas da equipe, começando já na próxima semana em Miami na nova função, se reportando diretamente a Mattia Binotto. Seu papel será coordenar as operações de pista e engenharia, supervisionar assuntos esportivos, gerenciar pilotos, estratégias de corrida e operações de garagem.
É uma função de muita responsabilidade, típica de um chefe de equipe, mas com uma clara indicação de que Binotto segue sendo o principal comandante. E é justamente por isso que a solução interna se mostrou a mais indicada para o momento que vive a Audi na F1.
Audi tem dois pontos em três corridas na F1 2026
Clive Mason/Getty Images
Trazer um grande nome do mercado, ou um chefe de equipe muito experiente, mas com outra mentalidade de times diferentes, poderia causar conflitos em um ano chave para uma nova equipe. Tudo que um time novo na F1 não precisa é um “excesso de comandantes” e “disputa de egos” em um momento tão importante do projeto.
O começo da Audi na F1 tem sido acima do esperado, com Bortoleto conseguindo classificar o carro no Q3 e marcar pontos logo na estreia do time, na Austrália. Problemas de confiabilidade, no entanto, acenderam o alerta amarelo após Hulkenberg sequer largar em Melbourne e Bortoleto na China.
O mês de abril sem corridas da F1 certamente foi positivo para o time a encontrar boas soluções para seu carro – a Audi confirmou que trará upgrades para Miami, o que será fundamental para que Bortoleto e Hulkenberg sigam brigando por pontos, já que os times de ponta também vão trazer evoluções nos EUA.
Promover McNish para diretor de corridas mostra que a Audi confia integralmente em sua equipe técnica. E este gerenciamento de pessoas é fundamental para que a equipe continue crescendo rumo ao seu objetivo de brigar por vitórias em alguns anos.
Perfil Rodrigo França
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