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Campeões pela Inter analisam crise do futebol italiano após terceira Copa fora: “Chance aos jovens”

Campeões pela Inter analisam crise do futebol italiano após terceira Copa fora: “Chance aos jovens”

Itália fica fora da terceira Copa seguida e aprofunda crise
A ausência na terceira Copa do Mundo consecutiva, somada aos desdobramentos do novo fracasso, expõe as múltiplas camadas da crise do futebol italiano. Campeões por uma das gerações mais vitoriosas da Inter de Milão, Materazzi, Lúcio e Sneijder analisaram o momento da seleção da Itália e apresentaram visões distintas sobre o cenário atual.
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Não é fácil para nós, porque as pessoas pensam que ganhamos quatro títulos, mas paramos por aí. Precisamos recomeçar, sermos fortes, e perder três edições não é fácil para voltarmos
Materazzi fala sobre a situação da Itália, fora da terceira Copa seguida
Beto Kaulino
A declaração do italiano Marco Materazzi, ex-zagueiro campeão do Mundo em 2006 na Copa da Alemanha, reflete o incômodo com a sequência de resultados negativos da seleção e a dificuldade de reconstrução após anos em declínio.
O problema vai além de uma geração específica e passa por mudanças estruturais, segundo o ex-jogador. Inclusive, na falta de oportunidade para os jovens. A Itália não participa de uma Copa do Mundo desde 2014, no Brasil, quando foi eliminada na fase de grupos.
Materazzi comenta situação do futebol italiano: “Precisamos recomeçar”
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– Esse é um dos problemas, porque quando eu jogava na Inter, talvez fôssemos apenas três italianos e mesmo assim ganhamos a Copa do Mundo. Então, acho que eles precisam mudar a mentalidade. A federação precisa ajudar o time a dar chance aos jovens jogadores, aos jovens italianos, de jogarem no time principal e não na segunda ou terceira divisão. A Itália tem muitos talentos, mas não dá a oportunidade de jogar, e assim eles não conseguem evoluir. Esse é o problema – afirmou.
Atualmente, o Campeonato Italiano conta com mais de 50% de jogadores nascidos em outros países. Porém, a falta de oportunidade para jovens talentos não é de hoje. A Inter de Milão de 2010, último time italiano campeão da Champions League, tinha 11 estrangeiros na equipe titular. Entre eles, Lúcio, zagueiro da seleção brasileira no pentacampeonato.
O defensor chegou a Inter de Milão um ano antes de conquistar a Liga dos Campeões, em 2009, com um contrato de três anos. Ao relembrar a passagem pelo clube, Lúcio vê uma mudança grande e compara com a última vez que a Itália conquistou um Mundial, que foi pouco antes de atuar no país.
– Quando eu joguei lá no período de 2009 a 2012, a Itália estava vindo de um título Mundial, foi em 2006 na Alemanha. O investimento nos jovens era muito grande. Principalmente nos clubes, na formação, então acho que isso de alguma forma não deu certo ou não está dando certo para que a seleção e o futebol italiano possam crescer – explicou o brasileiro.
Lúcio levanta a taça da Champions de 2010 para a Inter de Milão, ao lado de Maicon
Ben radford/Corbis via Getty Images
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A seleção italiana acumula eliminações traumáticas em repescagens nas últimas edições – primeiro diante da Suécia, em 2018, contra a Macedônia do Norte, em 2022, e a última contra a Bósnia. Nas últimas duas Copas que disputou, em 2014 e 2010, foi eliminada na fase de grupos. Apesar dos vexames recentes, Lúcio lamenta mais um Mundial sem a presença dos italianos.
– A gente fica triste. Com certeza méritos da Bósnia, mas o Mundial sem a Itália… É o momento de refletir, porque é uma perda muito grande ficar fora de um Mundial. Com certeza é algo que fica ali remoendo e vai ser lembrado. Essa reformulação é para que isso não aconteça daqui a quatro anos. Tem que acontecer mudanças – disse o zagueiro do penta brasileiro em 2002.
Campeão com a Inter de Milão, Lúcio lamenta ausência da Itália na Copa
Logo após a nova ausência em Copa, o presidente da Federação Italiana, Gabriele Gavina, renunciou ao cargo que ocupava desde fevereiro de 2025. Uma nova eleição será feita no dia 22 de junho. Além dele, o ex-goleiro Gianluigi Buffon também deixou a seleção, assim como Gennaro Gattuso, que não é mais o técnico.
Materazzi e Sneijder participaram do torneio de lendas em Curaçao
Larissa Ramos
Outro companheiro de Materazzi e Lúcio na Inter de Milão, o holandês Sneijder adotou um tom mais cauteloso e relativizou a crise. Segundo o ex-jogador, que pela Holanda foi vice da Copa do Mundo de 2010, quando eliminou o Brasil nas quartas de final, foi uma grande surpresa a ausência da Itália em mais um Mundial.
– É difícil dizer o porquê. Se você observar, nos últimos anos não é que o futebol italiano tenha piorado ou algo assim. Acho que continua o mesmo. Não é que eles não têm talento. Para mim, foi uma grande surpresa que não tenham conseguido se classificar para a Copa do Mundo – afirmou Sneijder.
Entre críticas à formação de jogadores, mudanças na gestão e o impacto esportivo e emocional das eliminações recentes, o cenário italiano vive o desafio de transformar o diagnóstico em mudança para que a sequência fora dos Mundiais não se prolongue ainda mais.
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