Especialista vê risco de continuidade para Ponte após déficit de R$ 33 milhões no ano
Conselho da Ponte Preta aprova contas de 2025 com déficit de R$ 33 milhões
A recente aprovação das contas de 2025 da Ponte Preta, marcadas por um déficit de R$ 33 milhões, escancarou o momento de alerta vermelho nos bastidores do Moisés Lucarelli. Para entender o peso desses números, o ge buscou a avaliação de um especialista para traduzir a situação financeira do clube.
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Na availação do economista Cesar Grafietti, consultor com mais de 25 anos de experiência, a diretoria pontepretana optou por uma estratégia financeira de “tudo ou nada” em 2025, quando a equipe conquistou o acesso à Série B e comprometeu severamente o fluxo de caixa.
Estádio Moisés Lucarelli, casa da Ponte Preta
Marcos Ribolli/ PontePress
– Os números que foram divulgados são bastante limitados, mas é possível ver que com deficit de R$ 33 milhões e uma receitas de apenas R$ 23,5 milhões, os custos giraram na casa dos R$ 50 milhões, muito próximos do que foi em 2024. Claramente optou-se pelo gasto elevado na busca do retorno à Série B. Para um clube que já vinha com dívidas elevadas, mesmo após a venda dos direitos futuros para a Sports Media, o risco desse tipo de estratégia é imenso – alertou Grafietti.
A aposta alta da diretoria na temporada passada teve um preço pesado. O balanço aponta que as dívidas da Ponte aumentaram R$ 21 milhões em 2025, com o montante concentrado principalmente em atrasos de salários e encargos.
Eberlin, vice-presidente, e Luiz Torrano, presidente da Ponte
Marco Ribolli/Ponte Press
Segundo o economista, a falta de responsabilidade financeira reflete diretamente nas quatro linhas, algo que ajuda a explicar a brusca queda de rendimento em 2026 – marcada pelo rebaixamento no Campeonato Paulista e pelo início irregular na Série B.
– Se esportivamente deu certo, financeiramente não foi nada bom. As dívidas aumentaram R$ 21 milhões em 2025, concentradas em atrasos de salários e encargos. No final, todo dinheiro que falta na operação vira dívida, e transforma-se numa bola de neve, os atrasos impactam no elenco e na capacidade competitiva. Tanto é que o efeito esportivo positivo de 2025, com o retorno à Série B, foi devolvido em 2026 com o rebaixamento no Paulista e os problemas que estão sendo vistos no início do Brasileiro.
Futuro em risco
Com os salários atrasados atrapalhando o dia a dia do clube, o horizonte financeiro da Macaca preocupa. Para Grafietti, as consequências da aprovação das contas no vermelho não se limitarão apenas ao atual calendário, colocando em xeque a própria manutenção do clube a longo prazo.
Cesar Grafietti, em evento na CBF sobre Fair Play Financeiro
Divulgação: Staff Images/CBF
– Isto impacta o restante de 2026, mas já projeto um 2027 desastroso, com receitas muitos menores e dívidas elevadas, colocando a continuidade em risco – finalizou.
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Com três derrotas em quatro jogos e ainda sem vencer na Série B até agora, a Ponte tem um ponto, na vice-lanterna. Ao todo, entre Paulistão, Copa do Brasil e Série B, o time perdeu 11 jogos, empatou dois e ganhou apenas um (pela Copa do Brasil, contra o Guarany de Bagé-RS). geRead More


