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Herói de Cabo Verde homenageia filha com gol e chora ao elogiar a mãe: “Cresci sem pai”

Herói de Cabo Verde homenageia filha com gol e chora ao elogiar a mãe: “Cresci sem pai”

Kevin Pina – primeiro gol na copa,Vozinha e Rio de Janeiro
Xodó dos brasileiros, Cabo Verde tornou-se sensação mundial por um personagem cujo apelido faz referências aos avós e que se agigantou sob a baliza contra a Espanha. Seis dias depois o herói nacional surgiu de outra forma, no ataque. Vozinha carrega a família no nome, e Kevin Pina, o autor do primeiro gol cabo-verdiano na história das Copas do Mundo, leva a mãe e a filha no coração. Coração esse que bateu mais forte e emocionado em entrevista exclusiva ao ge com duração de aproximadamente 30 minutos.
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Aos 20 min do 1º tempo – gol de falta de Kevin Lenini do Cabo Verde contra o Uruguai
Kevin abriu um sorrisão ao oferecer à filha o belo gol de falta marcado no empate por 2 a 2 entre Cabo Verde e Uruguai. Ao falar de retribuição, pensou somente na mãe. Chorou, engoliu seco e voltou ao rir quando reparou que acabara de entrega à reportagem a surpresa que fará para Dona Maria após a Copa.
Fã de novelas brasileiras, de Ronaldinho Gaúcho e Casemiro, Kevin Pina adora o Brasil e já passou Réveillon no Rio de Janeiro. Mas a grande virada da vida veio em 21 de junho de 2026, com um chutaço de pé direito.
Kevin Pina conheceu a Praia de Copacabana
Arquivo Pessoal
A mãe do herói é a heroína
Agora histórico, o atleta de 29 anos tem recebido uma chuva de elogios, homenagens e carinho, mas heroína maior para ele chama-se Maria, a mãe que teve de se desdobrar como chefe de família e o manteve de pé mesmo em meio às dificuldades. A ausência pai e a necessidade de Dona Maria ter de trabalhar demais deixou lacunas no coração do atleta, que trata dessas questões até hoje com uma psicóloga.
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– Posso citar a minha mãe. Meu pai viajou para os Estados Unidos, nos deixou com quase 2 anos de idade. Eu cresci sem pai. Em Cabo Verde é assim: ou o pai ou a mãe procura sair do país em busca de uma vida melhor pra família. Não culpo meu pai. Infelizmente é assim. O que posso dizer é que minha mãe sozinha me fez o que sou hoje, por vários motivos, pelas várias forma de educação. Foi pai e mãe. Cresci em uma área que não era tão fácil. Tinha muita violência, drogas, muita coisa. Desde pequeno eu nunca tive olhos para o outro lado.
Kevin Pina com a mãe, Maria, com quem sonha viajar o mundo
reprodução/Instagram
Kevin lembra do quanto Maria era uma referência de liderança dentro família. Ao mencioná-la, teve de interromper a entrevista por duas vezes tamanha a emoção.
– Sempre soube o que eu queria e o que era certo e errado. Quando falo da minha mãe vem muitas lembranças na cabeça. Lembro de ela indo trabalhar todos os dias e chegando em casa às 11 da noite. Passava o dia, às vezes, sem minha mãe. Claro que eu gostaria de passar mais tempo com ela. Ela era minha mãe, botava ordem na casa toda, tomava conta de tudo. Tenho dois tios que considero como meus pais, mas tomaram um caminho diferente. São muitas lembranças… às vezes, é difícil de lembrar (choro). Eu represento muito para eles hoje em dia. Tento fazer o correto e mostrar o caminho certo para todos. Faltam palavras às vezes. Para ser sincero, estou tratando algumas coisas do passado, que ainda não foram resolvidas, com uma psicóloga.
Kevin Pina corre em direção à filha ao comemorar o gol
Getty Images
A gratidão por Dona Maria é tão grande que Kevin Pina se diz incapaz de devolver à mãe tudo o que ela deu durante a difícil infância em Praia, capital de Cabo Verde.
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– Eu acho que posso dizer que, para além de retorno financeiro, é o orgulho que a minha mãe sente agora. Só de eu vê-la no vídeo chorando no estádio. O orgulho eu que dou à minha família acho que é muito mais. Continuo dizendo para ela – e falei no dia jogo – que não tem nada que recompense aquilo que ela fez por mim (choro). Posso dar o mundo à ela e não chegará ao esforço que ela fez. Por toda a dedicação, o amor que me deu, mas tento retribuir de qualquer forma (choro).
Gol para Jasmin
Antes de se emocionar muito ao falar de Maria, Kevin derreteu-se ao oferecer o gol de falta sobre o Uruguai à Jasmin, sua filha, de apenas 1 aninho de idade. A pequena estava na arquibancada do estádio, em Miami, com Dona Maria e com Janine, esposa do atleta.
– A Jasmin faz aniversário dia 1º de junho, Dia das Crianças (em Cabo Verde). O que posso dizer é que, desde o momento em que chegou na minha vida, mudou tudo, positivamente. É mais uma pessoa que me inspira, além da minha mãe, mulher, irmã e pai. Não tem nada igual. É um sentimento único, principalmente estar no campo, fazer um gol importante e dedicar para ela. Quando ela crescer, vou guardar todas essas fotos, vídeos, entrevistas e o prêmio para mostrar à ela e guardar.
Kevin Pina com a filha Jasmin, de um ano de idade
reprodução/Instagram
O volante defensivo do Krasnodar, da Rússia, não poupou palavras e sentimento para falar de Maria e Jásmin, mas não as encontrou ao tentar significar o gol marcado contra o Uruguai. A ficha ainda está longe de cair.
– Posso começar dizendo que tem coisas que não há palavras, é só sentir à flor da pele. Estou muito feliz, realizado, esse feito é um orgulho, principalmente pela minha história, pela minha família que está sempre ao meu lado. E sem esquecer do meu povo, que representa uma energia enorme para a gente. Para ser sincero, as coisas ainda estão à flor da pele aqui na minha cabeça (risos). Depois do gol, a única imagem que veio na minha cabeça foi a minha filha e minha família. Eu estava à procura delas na arquibancada, porque queria e sentia. Pedi muito a Deus para me abençoar com um gol.
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Kevin e os Tubarões Azuis de Cabo Verde têm mais um desafio pela frente: passar pela Arábia Saudita, sexta-feira (26), às 21h (de Brasília) e avançar ao mata-mata. Além de abordar o próximo jogo, o volante revelou ser fã de churrasco, contou ter visitado o Rio de Janeiro e classificou o carismático Vozinha como “lenda”. Leia abaixo:
Confira abaixo:
Vocês seguraram a poderosa Espanha e o Uruguai. Estão confiantes na classificação para o duelo contra a Arábia Saudita?
– Estamos muito confiantes. Essa semana começamos bem a nos preparar para o jogo contra a Arábia Saudita. O que posso dizer é que nosso grupo é muto tranquilo. Vamos passar, se Deus quiser.
Kevin Pina faz um coração na direção da mãe, da filha e da esposa, que estavam na arquibancada
REUTERS/Paul Childs
Falando em Brasil, imagino que você admirava brasileiros quando garoto. Quais são seus ídolos que nasceram aqui?
– Eu sou meio-campista defensivo, mas eu era extremo (ponta) quando criança. Gostava muito do Robinho, do Ronaldinho (Gaúcho). Quando eu era pequeno, via muitos vídeos, gostava do Robinho, da seleção brasileira.
E da sua posição?
– Eu posso falar o Casemiro, lembro dele no Porto, marcou um gol de livre (em cobrança de falta), um grande gol.
Kevin Pina com o prêmio recebido após a partida contra o Uruguai
Getty Images
Vamos falar mais da sua mãe. É o grande amor da sua vida?
– Sem dúvida é. O que sou hoje é graças a ela, fez tudo por mim, não me deixou faltar nada.
Você disse que já devolveu muito orgulho para ela? Tem algum presente em especial que você queira dar à Dona Maria?
– A minha vontade é viajar mais com ela, porque nem na cabeça dela e nem na minha pensávamos conhecer o mundo todo, desfrutar desses momentos em países diferentes. Quero dar uma casa para ela e um carro que ela gosta. Acabou de tirar a carteira de motorista, merece um carro. Ia até fazer uma surpresa para ela (risos). Quero viajar o mundo com ela e aproveitar os pequenos momentos que o mundo nos proporciona.
Você tornou-se histórico, mas o Vozinha também é um sucesso de popularidade. Como tem repercutido esse sucesso dele no grupo?
– O Vozinha merece por tudo o que fez pela seleção e pelo nosso povo. Merece muito mais. Ele sempre foi uma lenda, agora é mais ainda. Estamos sempre brincando com ele, sobre a quantidade de seguidores. O mundo do futebol é isso. Não é só futebol, é muito mais que isso. Aproveito para agradecer o carinho de todo mundo, principalmente dos brasileiros.
Vamos falar mais um pouco de Brasil… Já esteve no país? O que você consome da cultura brasileira?
– Fui há dois anos passar o Ano Novo. Joguei com um colega chamado Kaio (Pantaleão, zagueiro do Botafogo), no Krasnodar, que me convidou. Minha mulher estava grávida. O que mais gosto do Brasil é churrasco, aquela carne, com arroz e feijão (risos). A praia, o clima, as pessoas… quando eu fui, todo mundo me tratou bem, quero voltar, pois ficamos poucos dias. Quero voltar para aproveitar e conhecer mais. Fui na Praia de Copacabana, fizemos um treininho. (…) O que via do Brasil na televisão era novela. Às 9h da noite todo mundo sentava para assistir. Acho que o nome era “Os Mutantes”, uma que as pessoas tinham poderes.
Kevin Pina já passou Réveillon no Rio de Janeiro
Arquivo Pessoal
Já pensou como vocês serão recebidos depois da Copa do Mundo?
– Eu já tentei imaginar, mas acho que… vai ser uma surpresa para nós. Falei com meus colegas que estou um pouco ansioso por essa parte, de estar perto do nosso povo e sentir. É diferente estar aqui jogando e estar no nosso país. Espero que seja com muita alegria e festa, que o nosso povo representa sempre.
Que mensagem deixa para os brasileiros e para os cabo-verdianos?
– Muito obrigado pelo carinho enorme. Se Deus quiser vamos passar da fase de grupos e vamos longe. Estamos torcendo por vocês também, estamos juntos nessa caminhada. Para os cabo-verdianos: é muita emoção, primeira vez, uma coisa nova. Ao mesmo tempo, estamos com os pés no chão, concentrados para fazer história e dar alegria ao nosso povo. geRead More