Sangue árabe e coração bugrino: a trajetória da jovem de origem palestina até chegar ao Guarani
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O futebol costuma ser o ponto de encontro de diferentes culturas, sotaques e histórias. Nos corredores do estádio Brinco de Ouro, essa máxima ganha vida na trajetória de Samira Samir. Integrante da equipe de nutrição do Guarani, a estudante carrega uma bagagem que chama atenção.
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A relação de Samira com o Brasil começou muito antes de seu nascimento, cruzando continentes e superando guerras. Seus avós paternos eram refugiados que deixaram a Palestina rumo ao Líbano em 1951. Décadas depois, em 1998, seu pai, Samir Musa, desembarcou no Brasil para trabalhar no Brás, tradicional reduto comercial em São Paulo. Ele se casou com Saussan, nascida no Kuwait, e juntos construíram a vida no país.
Samira Samir tem atuado na equipe de nutrição do Guarani
Arquivo pessoal
A quarta de cinco filhos do casal, Samira já nasceu em Campinas, cenário onde as raízes do Oriente Médio se entrelaçaram de vez com as cores do Guarani.
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O contato com o Bugre veio de berço, estimulado pelos familiares. O marco zero dessa paixão aconteceu no histórico ano de 2009.
Conexão com o Guarani começou a partir de visita ao estádio em 2009
Arquivo pessoal
– Através do meu pai, Samir Musa, e do meu irmão, Samer Samir, tive meu primeiro contato com o Guarani em 2009, quando meu pai e meu primo levaram meu irmão ao jogo Guarani x Juventude, que marcou o acesso à Série A, além da inauguração do bandeirão. Desde então, meu irmão sempre comentou muito sobre o time, e eu, mesmo sem acompanhar de perto naquele período, acabava ouvindo bastante. Ainda assim, quando me perguntavam para qual time eu torcia, respondia que era o Guarani – relembra Samira.
Ainda que não fosse uma frequentadora assídua das arquibancadas naquela época, a semente estava plantada.
– Com o passar do tempo, passei a acompanhar melhor o clube e, neste ano, assisti meu primeiro jogo no Estádio Brinco de Ouro, justamente o dérbi, no qual presenciei o gol marcado pelo Hebert, impossível de esquecer.
A entrada no mundo do futebol
O que era apenas um laço afetivo familiar se transformou em oportunidade de carreira. Estudante de Nutrição, Samira não tinha o futebol nos planos iniciais, até surgir a oportunidade de um estágio supervisionado com Cintia Vilanova, nutricionista de performance do Bugre.
Samira Samir trabalha com Cintia Vilanova no Guarani
Arquivo pessoal
– O Guarani foi meu primeiro contato envolvendo diretamente minha área profissional. Tive a oportunidade de conhecer o trabalho da Cintia por meio das redes sociais, através da minha amiga Vanessa Freitas, também estudante de Nutrição. A partir disso, o interesse pela nutrição esportiva despertou em mim. Tem sido fortalecido pela vivência prática proporcionada em dias de campeonato e jogos.
Trabalhar no futebol fez Samira perceber na prática algo que a história de sua própria família já ensinava: o poder de união por trás de um objetivo comum.
– O futebol tem o poder de conectar pessoas diferentes porque cria um ambiente de convivência e cooperação. Mesmo com diferenças de cultura, idade ou opinião, todos compartilham o mesmo objetivo. O esporte funciona como uma linguagem, facilitando a comunicação e a interação. As emoções vividas durante o jogo aproximam as pessoas, fortalecendo os laços e promovendo respeito e união.
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Com os olhos no futuro, Samira divide seu foco entre o encanto recente pelo esporte e os projetos de carreira. Ela planeja seguir estudando tanto a nutrição voltada para a alta performance nos gramados quanto o controle de qualidade em cozinhas de aviação. Caminhos diferentes, mas que compartilham a mesma essência: nutrir sonhos e conectar pessoas, seja voando pelo mundo ou ajudando nos bastidores do Brinco de Ouro. geRead More


