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Audi acumula quebras e sofre para traduzir ritmo competitivo em pontos na F1; veja casos

Audi acumula quebras e sofre para traduzir ritmo competitivo em pontos na F1; veja casos

A chegada da Audi à Fórmula 1 atraiu altas expectativas; afinal, trata-se de uma escuderia tradicionalíssima e multicampeã em outras categorias do automobilismo. No entanto, esperava-se um início difícil: não só por herdar a estrutura da Sauber, uma equipe de menor porte no grid, mas também por produzir um motor próprio logo na temporada de estreia – e de introdução do novo regulamento.
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Surpreendentemente, o carro da Audi não é fraco na comparação com as rivais do pelotão do meio, em especial pelo ousado conceito aerodinâmico. Tanto é verdade que, quando há a oportunidade, o brasileiro Gabriel Bortoleto e o alemão Nico Hulkenberg têm conseguido colocações acima do esperado para um time estreante, com briga constante por vaga entre os dez primeiros do grid.
O grande percalço é que a falta de confiabilidade tem impedido que essas oportunidades apareçam com mais frequência. Durante os quatro finais de semana de grandes prêmios, os dois pilotos sofreram e tiveram que lidar com problemas e quebras em quase todas as vezes.
Audi de Gabriel Bortoleto é removida do grid antes da largada do GP da China da F1 2026
Lars Baron/LAT Images
Até aqui, o único piloto da Audi a passar sem maiores problemas por um fim de semana nesta temporada foi Hulkenberg, no GP do Japão. Em todos os outros casos, os dois nomes da equipe alemã tiveram que lidar com pelo menos uma falha, seja nos treinos ou em momentos cruciais.
Gabriel Bortoleto
O brasileiro enfrentou dificuldades em todas os finais de semana da temporada até agora, e na maioria deles pelo mesmo problema: a caixa de câmbio. O primeiro incidente aconteceu na classificação para o GP da Austrália, logo assim que Bortoleto avançou à última fase da disputa.
Fiscais empurram carro de Gabriel Bortoleto na classificação do GP da Austrália
Mark Sutton – Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Na ocasião, Gabriel se encaminhava para os boxes quando as marchas pararam de entrar, o que fez com que o carro da Audi estacionasse na entrada do pit lane. O monoposto teve que ser empurrado pelos fiscais, e o jovem não pôde prosseguir na disputa.
– As minhas marchas não estavam mais vindo. Eu perdi algumas coisas do meu controle no carro, não conseguia mais ir a lugar algum. Já tinha acontecido durante a semana, mas dessa vez foi bem ruim – explicou.
A situação piorou ainda mais na China, quando o brasileiro teve dificuldades com as marchas no treino livre e na classificação para a corrida sprint; na visão do piloto, isso contribuiu para momentos em que ele passou direto na pista.
O pior, no entanto, viria a acontecer na prova principal: Bortoleto sequer conseguiu largar devido a uma falha hidráulica e ficou fora da disputa. Duas semanas depois, no Japão, o brasileiro viria a ter um fim de semana mais tranquilo, mas ainda assim sofreu no segundo treino livre – a caixa de câmbio da Audi de número 5 teve que ser trocada durante a sessão, o que custou boa parte da atividade para o piloto.
O festival de problemas seguiu em Miami, quando Bortoleto foi desclassificado da corrida sprint devido a uma infração técnica, identificada após a prova. Na ocasião, a pressão do ar no motor do brasileiro superou o limite estabelecido pelo regulamento técnico; segundo a Audi, isso ocorreu em apenas uma volta.
Fogo nos freios de Gabriel Bortoleto, na classificação do GP de Miami da F1 em 2026
Reprodução
No sábado, a equipe precisou trocar a caixa de câmbio do brasileiro mais uma vez, entre a corrida sprint e a classificação. A mudança deixou Bortoleto nos boxes durante boa parte da atividade e, quando finalmente foi à pista, Gabriel sofreu com o superaquecimento dos freios e viu o carro pegar fogo – com isso, teve que largar na última posição. Após corrida de recuperação, acabou em 12º.
Nico Hulkenberg
O campeonato também não começou como o experiente alemão gostaria. Já na Austrália, Hulkenberg sequer conseguiu largar – em um incidente bastante parecido com o de Bortoleto na China. Aliás, um novo problema hidráulico fez o veterano parar na pista e abandonar a corrida sprint em Xangai, causando um raro safety car em provas reduzidas.
Motor de Nico Hulkenberg falha antes de corrida sprint do GP de Miami da F1 2026
Sam Bloxham/LAT Images
Depois de passar sem problemas pela corrida no Japão, Hulkenberg voltou a sofrer em Miami. Enquanto o carro de Bortoleto pegou fogo durante a classificação, o monoposto de Nico sofreu um vazamento antes mesmo do início da corrida sprint, o que impediu o alemão de disputar a prova reduzida.
– Ouvimos um ruído na garagem, que pensávamos estar resolvido, mas é evidente que houve um problema a caminho do grid de largada e precisamos levar o carro de volta para examiná-lo – relatou Allan McNish, diretor de corridas da Audi.
Para fechar o péssimo fim de semana da equipe na corrida em solo americano, Hulkenberg sofreu mais um problema técnico (não especificado pela equipe) e abandonou a prova principal na sétima volta.
Qual é o real potencial da Audi?
Neste momento, a Audi ocupa apenas a nona posição no campeonato de construtores, com os dois pontos somados por Bortoleto na Austrália. No entanto, uma análise mais aprofundada mostra que a equipe está abaixo daquilo que poderia alcançar.
O ge verificou o tempo médio de volta de cada piloto e a média de cada equipe durante as quatro corridas principais do ano. Em geral, a Audi está envolvida em um pelotão intermediário com Haas, Racing Bulls e Williams – esta lista ainda poderia incluir a Alpine, mas a escuderia francesa aparece um pouco à frente das demais citadas.
A ordem de forças entre essas equipes costuma variar de corrida a corrida, mas há uma tendência da Audi até aqui de ficar atrás da Haas, em relativa paridade com a Racing Bulls e à frente da Williams. No entanto, as distâncias são pequenas. Fatores externos (como chuva ou safety car) podem mudar o panorama a cada prova.
No GP da Austrália, por exemplo, a Audi foi a equipe mais rápida fora das chamadas quatro grandes: Mercedes, McLaren, Ferrari e Red Bull. O ritmo de Bortoleto foi o oitavo melhor, e o brasileiro acabou a corrida em nono lugar.
Bortoleto acaba em nono e pontua com a Audi no GP da Austrália
Andy Hone/LAT Images
Nas provas mais recentes, a equipe alemã ficou atrás de Williams e Racing Bulls. Apesar disso, dá para se dizer que é um desempenho consistente: nas últimas três etapas, o ritmo médio da Audi ficou 1s9 atrás da melhor equipe (Mercedes em China e Japão, McLaren em Miami).
Mas se há tanto equilíbrio, por qual razão a Audi não consegue repetir Haas, Racing Bulls e Williams e pontuar mais? O principal motivo está justamente na falta de confiabilidade do carro. Por mais que o ritmo esteja lá, a equipe não consegue concluir provas com frequência e perde chances importantes, o que tem sido uma lamentação frequente de Bortoleto e Hulkenberg.
No caso do alemão, também entra na conta o alto número de posições perdidas em largadas: são 33 até aqui, o pior saldo entre os 22 pilotos do grid. Bortoleto, por sua vez, tem saldo negativo de só uma colocação perdida em inícios.
Pelotão intermediário na F1 2026
Considerando todas as corridas até agora (incluindo as sprint), a Audi é, ao lado de uma Aston Martin mergulhada em crise, a equipe que mais abandonou ou não participou de provas na temporada: cinco. O número ainda aumenta se a desclassificação de Bortoleto em Miami entrar na conta.
Por outro lado, a Racing Bulls teve três abandonos, enquanto Haas e Williams somam apenas um. A boa notícia para a Audi, que apesar dos pesares avalia o início na F1 como bom, é que há ritmo para fazer mais. Se conseguir eliminar as quebras e danos em componentes, a equipe alemã tem potencial para crescer durante a temporada – visão compartilhada por Bortoleto.
– Só precisamos ser pacientes. Quando estiver tudo resolvido, tenho certeza de que vai ficar bom – disse o brasileiro. geRead More