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Do São Paulo ao Palmeiras: Allan Barcellos explica troca conturbada e diz que queria ter sido professor

Do São Paulo ao Palmeiras: Allan Barcellos explica troca conturbada e diz que queria ter sido professor

Allan Barcellos aponta a principal diferença entre as bases de São Paulo e Palmeiras
Técnico do sub-20 do Palmeiras há pouco mais de um mês, Allan Barcelos superou a saída conturbada do rival São Paulo, deu um novo passo na carreira e vem justificando a escolha de seu novo clube: são sete jogos sem derrota desde sua chegada.
Esse número contribui para a invencibilidade do Palmeiras no Brasileirão sub-20. Nesta terça-feira, a equipe comandada por Barcellos pode retomar a liderança em jogo contra o Corinthians, às 18h (de Brasília). A campanha é de oito vitórias e quatro empates.
Quem vê tantos resultados positivos e passagens por grandes clubes do Brasil pensa que Barcellos sempre quis o futebol. Porém, quando ingressou na faculdade de educação física, em 2011, a ideia era permanecer na sala de aula.
O meu objetivo principal era ser professor universitário, tenho referências na minha família que são educadores, então sempre tive essa veia da educação presente na minha vida.
Ao trocar o ar condicionado das salas pelo calor dos gramados, Barcellos se tornou referência para o futebol brasileiro nas categorias de base e, em entrevista exclusiva ao ge, contou histórias de Grêmio, São Paulo e Palmeiras, entre vitórias, derrotas e vezes em que só um sorriso bastou.
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Allan Barcellos em entrevista exclusiva ao ge
Guilherme Xavier/ge
Proposta irrecusável do Palmeiras
Não por valores, mas pela oportunidade. Barcellos confidenciou que precisava passar pelo processo de gestão de João Paulo Sampaio, coordenador da base do Palmeiras e referência no processo de formação de jogadores.
A ideia para a carreira continua sendo treinar um time profissional, mas, nesse momento, não há urgência. Para o treinador, importante mesmo é continuar se desafiando.
— Eu não coloco meta de tempo, não tenho essa pressa, a pressa para mim é aprender diariamente. Quando a gente para de aprender diariamente, parou o desafio, aí sim chega a hora da próxima etapa, seja ela em outro clube dentro do sub-20 ou em outro clube dentro do profissional ou no mesmo clube, depende. Então, enquanto eu estiver aprendendo no sub-20, pra mim não é a próxima etapa.
A principal diferença do Palmeiras para os outros clubes está no modelo de gestão. Barcellos vê o Verdão com um esquema “fenomenal”, seja para adquirir resultados, montar uma equipe ou formar atletas. Em resumo: o clube tem um norte e segue ele à risca.
— Existe um entusiasmo, uma energia muito boa no sentido de aproximar cada vez mais sub-20 e profissional. Aqui todos temos um norte e acreditamos nesse processo — explicou.
O contato com a comissão técnica do profissional também é fundamental para o trabalho. Abel Ferreira, mais atarefado, conta com a ajuda de Vítor Castanheira para captar os talentos ao lado de Barcellos e levá-los para o time de cima.
— Talvez tenha sido nesse curto prazo, desde que eu estou vivenciando esse processo de transição, a transição mais fluida. Pela abertura, mas também pelo elo de comunicação, pelo trato, pela clareza que o clube tem e o cuidado que o clube tem nesse gargalo de transição entre o sub-20 e o profissional. O Palmeiras não quer perder, não quer que escape nenhuma ponta nesse sentido, porque eu acho que esse é o momento mais difícil dentro de um processo de formação de um clube.
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Acompanhar o processo de fora é uma coisa. Agora, ele observa todas as fases dessa gestão e se surpreende com isso. Barcellos precisou mudar uma visão comum no meio do futebol de base.
Quando se assiste às partidas do Palmeiras, os jogadores estão em evidência. Seja Endrick ou Estêvão, observados pelo treinador quando ainda estavam no início da carreira na base, ou Heittor e Eduardo Conceição, mais novas joias do Verdão, todos são produtos da equação entre talento e processos.
Allan Barcellos, o novo treinador do sub-20 do Palmeiras
Daniel Gimenes/Palmeiras/by Canon
A saída conturbada do São Paulo
Para que a oportunidade no Palmeiras surgisse, Barcellos teve que deixar o São Paulo. A distância entre os centros de treinamento das equipes é bem menor do que o problema que se criou nos bastidores.
Apesar da passagem vitoriosa, com títulos da Copa São Paulo de Futebol Júnior e Copa do Brasil Sub-20, a saída foi conturbada. Barcellos rompeu com a diretoria tricolor por causa de uma promessa não cumprida: a ascensão à comissão técnica permanente do time profissional.
O treinador afirmou que a distância entre Cotia, CT da base, e a Barra Funda, local de treino dos profissionais, diminuiu a possibilidade de conversa e dificultou alguns processos.
— É relacionado muito a um método dentro de uma etapa de transição de jovens jogadores que é muito rigorosa, que é o sub-20 para o profissional. Então acaba que a gente se fala pouco e quando está em CT’s diferentes, essa comunicação fica mais distante ainda.
Mesmo que a saída tenha causado certa tristeza, Barcellos se diz grato ao São Paulo. Em especial, aos atletas do clube, que trouxeram ensinamentos que nem ele sabia que precisava.
Eu sou muito grato ao São Paulo, às pessoas que lá estiveram, o torcedor e os atletas, principalmente os atletas, que talvez eles nem imaginem isso, mas o quanto nos ensinaram e nos ensinam, então sou muito grato à instituição.
A ideia é a mesma da transição para os profissionais. Depois de conquistar títulos importantes, Barcellos não se viu mais desafiado e esse sentimento, quando atrelado aos problemas nos bastidores, provocou a saída.
Allan Barcellos explica saída conturbada do São Paulo e chegada ao Palmeiras
No São Paulo, ele também realizou um sonho nas categorias de base: participar de todas as fases e times. Em Cotia, Barcellos treinou as equipes do sub-12 ao sub-20, algo fundamental para a formação da carreira.
Allan Barcellos, ex-técnico do sub-20 do São Paulo
Rubens Chiri e Miguel Schincariol/Saopaulofc.net
O treinador começou no sub-9 do Grêmio. No Sul, terra natal, ele começou como estagiário e participou de um estágio diferente da formação dos atletas, que passa muito mais pela diversão do que pela competição.
Hoje, ele pode até realizar o sonho de estar em uma sala de aula e ministra palestras na CBF Academy, participando, assim, da formação de novos treinadores do futebol brasileiro.
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