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Esporte olímpico do Brasil tem mais dúvidas do que certezas a 800 dias dos Jogos de 2028; veja raio-x

Esporte olímpico do Brasil tem mais dúvidas do que certezas a 800 dias dos Jogos de 2028; veja raio-x

Rebeca Andrade confirma retorno às competições neste ano
A metade do ciclo olímpico está se aproximando e, depois de um bom ano de 2025, ainda restam muitas incertezas sobre o momento do Brasil. Ao que tudo indica, o Brasil vai manter, em 2028, a média de pódios das últimas três edições: 20, mas ainda é cedo para tentar analisar número de ouros, se será possível se aproximar ou mesmo bater o recorde de sete medalhas douradas.
Tá On: Guilherme Costa traz as informações de vôlei, vôlei de praia e surfe
São várias dúvidas ainda, o que é normal nesse momento do ciclo. Como estará Rebeca Andrade, que não compete internacionalmente desde as Olimpíadas de Paris? Os boxeadores brasileiros conseguirão manter o ritmo de 2025 até 2028? Nomes jovens do levantamento de peso, canoagem e wrestling vão vingar? Como chegarão estrelas do calibre de Isaquias Queiroz, Ana Marcela Cunha e Beatriz Souza? Ainda não há um projeto olímpico para a seleção masculina de futebol, como será? Essas são só algumas perguntas ainda sem respostas tão convincentes.
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Rebeca Andrade posa com a medalha de ouro conquistada nas Olimpíadas de Paris
Thibaud Moritz – Pool /Getty Images
O que dá para analisar é que o Brasil teve um bom início de ciclo, surgiram novos nomes, outros atletas mantiveram a força. Em 2025, o país “não precisou” dos principais destaques para fechar o ano com 20 medalhas em Campeonatos Mundiais. Mas é claro que a delegação verde-amarela vai precisar dessas estrelas para fazer uma grande campanha nas Olimpíadas de 2028.
Tentei resumir abaixo como está cada uma das modalidades olímpicas do Brasil. Desde os esportes em que o país é potência mundial, até aqueles em que a chance de classificação para Los Angeles é praticamente nula.
POTÊNCIA MUNDIAL
Rayssa Leal é tetracampeã da SLS Super Crown 2025
São duas modalidades em que o Brasil entra em qualquer Olimpíada ou Campeonato Mundial como favorito para a medalha de ouro. O surfe masculino atual tem pelo menos cinco nomes que podem conquistar um título, enquanto o feminino tem a atual vice-campeã olímpica e uma outra líder do ranking mundial de 2026.
No skate, Rayssa Leal é uma das melhores do mundo no street, e as atletas do park até estão no top 10 do planeta, mas ainda não no nível de medalha. No masculino, o Brasil tem pelo menos cinco atletas no park capazes de ir ao pódio em qualquer competição, mas no street ainda patina um pouco (bons competidores, mas que ainda não estão no topo).
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FAVORITO PARA MEDALHAS (NO PLURAL)
Shirlen Nascimento conquista a medalha de bronze para o Brasil
Se as Olimpíadas fossem hoje, o Brasil seria favorito a medalhas, no plural, nessas três modalidades: judô, boxe e taekwondo. No judô, o Brasil fez a melhor campanha da história em Paris 2024 e está, atualmente, em um mix de gerações que pode fazer com que o país repita a dose em Los Angeles 2028. O boxe do Brasil não foi bem na capital francesa, mas se redimiu no Mundial de 2025 com quatro medalhas, um ouro e três pratas. Resta saber se as carreiras híbridas, entre olímpico e profissional, vão dar certo para os atletas. O taekwondo está na melhor fase da história, fez um Mundial com quatro medalhas em 2025.
O atletismo é um caso à parte deste grupo. É favorito a duas medalhas em qualquer competição que entrar, pois tem dois atletas fora de série. Mas não há um grupo de atletas como “candidatos ao pódio”, o que mostra o último Campeonato Mundial, em que, além dos resultados de Caio Bonfim e Alison dos Santos, o país não teve nenhum nome no top 8.
Alison dos Santos conquista a prata nos 400m com barreiras no Mundial de Tóquio
FAVORITO PARA MEDALHA (NO SINGULAR)
Rebeca Andrade fala sobre fama, ídolos e nova paixão: o tênis
São modalidades nas quais, se as Olimpíadas ocorressem hoje, o Brasil chegaria como favorito a pódio. No caso de ginástica artística e vôlei de praia, até haveria mais de uma grande chance, mas ainda existe uma grande incógnita de como Rebeca Andrade voltará. Ela deve entrar com chances de três medalhas – trave, barras assimétricas e salto. No Mundial de 2025, sem Rebeca, o Brasil teve como melhor resultado a final de Flavia Saraiva na trave.
O vôlei de praia feminino, por sua vez, tem três duplas entre as cinco melhores do mundo, e o masculino ainda está um degrau abaixo, com chances de pódio, mas longe do favoritismo. Na Copa do Mundo do ano passado, o Brasil conquistou um bronze.
Carol Solberg e Rebecca vencem etapa de Brasília no vôlei de praia
Na canoagem velocidade, Isaquias Queiroz ficou meio afastado das competições em 2025, mas deve voltar com boas chances para o resto do ciclo. Ainda há uma ótima dupla do C2, que ficou bem perto do pódio no Mundial de 2025. No tiro com arco, Marcus D´Almeida é favorito em qualquer competição que entrar e ainda leva a equipe masculina e a dupla mista para brigar pelo pódio. No tênis de mesa, Hugo Calderano é top 3 do ranking mundial e faz uma dupla com Bruna Takahashi bem competitiva. Na ginástica rítmica, o conjunto brasileiro foi prata no Mundial de 2025 e já foi ao pódio em etapas deste ano. O vôlei feminino tem ido ao pódio em todas as competições, embora não conquiste um título desde 2017, mas o masculino precisa se reinventar para voltar ao pódio. O futebol feminino tem tido altos e baixos desde a prata em Paris, mas com certeza terá um grande time para Los Angeles. A seleção masculina é uma grande incógnita, já que ainda não há um projeto olímpico.
Paris 2024: Isaquias Queiroz – Medalha de Prata na Canoagem
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CANDIDATOS PARA MEDALHA
Miguel Hidalgo relembra frustração em Paris-2024 e evolução até o vice mundial
O triatlo está bem cotado nesta primeira metade de ciclo. Miguel Hidalgo foi vice-campeão mundial em 2025 e terá, em 2026, uma temporada de afirmação, para provar que seguirá entre os melhores do planeta. Na canoagem slalom, são várias chances de medalha em qualquer competição, mas nenhuma que o país entre como favorito. Ana Sátila foi bronze no C1 no Mundial do ano passado, e pode brigar no K1 e no cross, enquanto no masculino há nomes com perspectiva de crescimento. As seleções brasileiras de handebol fizeram ótimos Mundiais em 2025, mas pararam diante das melhores equipes do mundo e ficaram no top 8. Com alguns ajustes, dá para sonhar com pódio.
De volta às competições aos 46 anos, Nicholas Santos é campeão do SP Open
A natação vive o pior momento no século, só tem um atleta atualmente com potencial de brigar pelo pódio, Guilherme Caribé, quarto colocado no Mundial nos 100m livre e que também é top 10 nos 50m borboleta e 50m livre. Vale aguardar como serão os retornos de Nicholas Santos e Etiene Medeiros, que estavam aposentados, mas voltaram a nadar com a inclusão das provas dos 50m borboleta e 50m costas no programa olímpico.
Único brasileiro a chegar em finais, Guilherme Caribé analisa Mundial de natação
Levantamento de peso e hipismo têm potencial, mas ainda vivem incógnitas. No levantamento de peso, Matheus Pessanha foi muito bem nas categorias de base, foi campeão do Pan na última semana e já tem marcas para brigar no topo. A equipe de hipismo não se reuniu para um grande evento depois de Paris, mas tem nomes importantes que podem brigar pelo pódio no Mundial deste ano e, claro, em Los Angeles 2028.
NOMES QUE PODEM CRESCER
Ana Marcela explica volta ao Brasil e mira disputa dos Jogos de Los Angeles-2028
Faltando mais de dois anos para as Olimpíadas, há, claro, muitas dúvidas, mas as modalidades deste grupo podem sim brigar por medalhas em Los Angeles 2028. No tênis, até onde João Fonseca pode chegar? Atualmente é 29º do ranking, mas com potencial para brigar no topo nos próximos anos. Luisa Stefani está entre as melhores duplistas do mundo, mas precisa de uma parceira brasileira para estar entre as favoritas nas olimpíadas. Nas águas abertas, a campeã olímpica Ana Marcela vai tirar um 2026 para focar na travessia do Canal da Mancha e pode voltar entre as melhores em 2027. Mas ainda é uma incógnita.
Na vela, são duas apostas que estiveram em Paris 2024 e podem crescer até Los Angeles 2028: Bruno Lobo, sétimo no Kite nas Olimpíadas, e Matheus Isac, quarto no Mundial de 2025 na Foil. E ainda há dúvida sobre o que farão Martine Grael e Kahena Kunze, que não confirmaram se vão buscar uma vaga olímpica. No tiro esportivo, Felipe Wu conseguiu medalha em uma etapa de Copa do Mundo ano passado. Ele tem medalha olímpica no currículo e não pode ser descartado.
Bruno Lobo, atleta olímpico de Kitesurf, é entrevistado no Bom Dia Mirante
No wrestling, a grande expectativa gira em torno de Duda Rodrigues, bronze no Mundial sub-20, que terá o seu primeiro ano no adulto em 2026 e disputa o Pan nessa semana. No remo costal, a modalidade ainda é uma novidade, mas David Souza foi quinto colocado no Mundial do ano passado. No ciclismo mountain bike, Ulan Galinski está em 13º do ranking mundial e segue em crescimento, enquanto no BMX Free, Gustavo Balaloka, se estiver inteiro fisicamente, pode brigar lá em cima. Foi sexto nas Olimpíadas.
David Souza, do Flamengo, consegue o quinto lugar no Mundial de Remo Costal
DESTAQUE RAZOÁVEL
Leó Batista e Guilherme Costa explicam o que é o squash
São modalidades que ainda não brigam diretamente por medalhas nas grandes competições, mas têm um nome ou uma equipe com alguns resultados de destaque. No badminton, Juliana Viana está próxima do top 50 no ranking mundial e é a melhor jogadora da história do país. No squash, Diogo Gobbi, mais experiente, e Laura Silva, jovem promessa, têm se destacado, mas a classificação olímpica é muito complicada, pois são apenas 16 vagas. No hipismo adestramento, os conjuntos têm feito índices para o Mundial desse ano e o Brasil pode brigar por uma vaga olímpica por equipes via Pan de 2027. No concurso completo, o Brasil segue “no meio do pelotão”, brigando por um top 12 por equipes e um top 30 no individual nas grandes competições. No remo, Beatriz Tavares foi semifinalista no Mundial, e Lucas Verthein, após um 2025 ruim, busca crescer de novo em 2026.
A esgrima brasileira, que desde 2016 tem pelo menos um nome na briga por medalhas, está longe das primeiras posições, mas tem atletas que brigam por um top 30 do ranking. Na ginástica de trampolim, entre altos e baixos, o Brasil ainda tem nomes que brigam entre os 20 primeiros do planeta. Nos saltos ornamentais e no ciclismo BMX, nenhum nome jovem ter surgido nos últimos anos, mas, principalmente no feminino, as atletas têm brigado por semifinais e finais em Campeonatos Mundiais.
Renderson Oliveira rompe barreiras no hipismo adestramento, esporte considerado de elite
Nos coletivos, o rugby feminino voltou para a elite mundial ao vencer a etapa de São Paulo da Copa do Mundo, enquanto o masculino segue longe da elite. No basquete, o time masculino tem feito campanhas boas nas últimas competições, com quartas de final, mas o feminino não conseguiu sequer a vaga na Copa deste ano. No 3×3, os homens se classificaram para a Copa deste ano, as mulhers não.Ano passado, foi ao contrário. No beisebol, a seleção brasileira voltou a disputar a World Classic, a Copa do Mundo, depois de 13 anos.
Brasil 0 x 8 Itália | Melhores momentos | Copa do Mundo de beisebol
UMA VAGA OLÍMPICA JÁ É LUCRO
Única representante do Brasil no Pentatlo Moderno em Paris-2024, Isabela Abreu fala sobre as mudanças na modalidade com a substituição do Hipismo pela corrida com obstáculos
Muitas modalidades estão em um status no qual conquistar uma vaga para as Olimpíadas já será um lucro grande. O ciclismo estrada estaria fora da zona de classificação para Los Angeles se o ranking fosse fechado hoje. O nado artístico, antes figurinha carimbada nas Olimpíadas e até em finais, agora briga para ser quarta ou quinta força do continente. Na escalada, o país ainda engatinha e está longe de uma vaga olímpica.
Pentatlo moderno e ciclismo pista não têm atletas nas principais posições do ranking mundial e dificilmente brigam por medalhas em competições continentais. Mas o pentatlo, potência na América do Sul, pode levar vaga olímpica. Os dois esportes tiveram ótimos resultados recentes nas categorias de base, com medalhas em Campeonatos Mundiais.
Entenda como funciona o flag football, novidade para os jogos de Los Angeles-2028
A seleção feminina de flag football se mostrou competitiva na Copa do Mundo de 2024, sendo eliminada nas oitavas de final. O masculino não foi tão bem, mas também está classificado para a Copa deste ano. O softbol se classificou para os Jogos Pan-Americanos. O polo aquático feminino e masculino podem brigar ,mas não são favoritos, pela vaga olímpica continental, já que os EUA já tem a vaga. Na Copa do Mundo, a seleção feminina foi 5ª na segunda divisão, enquanto os homens ficaram em 11º.
As seleções de críquete têm conseguido resultados consideráveis em termos regionais, mas brigar por uma vaga olímpica é um sonho distante. O lacrosse está um passo atrás, ainda sem uma seleção que se reúna para torneios oficiais. O hóquei na grama está em um processo de formação há quase 20 anos, mas segue longe das potências continentais. O golfe, infelizmente, não tem nenhum jogador ou jogadora entre os 300 melhores do mundo, e segue engatinhando por aqui. geRead More