Guanaes desabafa após classificação do Mirassol: “Teria sido mandado embora em qualquer outro lugar”
Mirassol 2 X 1 Bragantino | Melhores momentos | Quinta fase | Copa do Brasil 2026
Em um misto de orgulho, alívio e gratidão, o técnico Rafael Guanaes falou com a imprensa após a vitória por 2 a 1 sobre o Bragantino, resultado que colocou o Mirassol pela primeira vez nas oitavas de final da Copa do Brasil.
E motivos não faltaram para o treinador celebrar a noite no Maião. Além da classificação histórica, foi também a primeira vitória de Guanaes sobre o Bragantino desde que assumiu o clube do interior. De quebra, o atacante Tiquinho Soares desencantou depois de nove partidas e marcou seu primeiro gol com a camisa do Leão.
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Rafael Guanaes fala com a imprensa após vitória contra o Bragantino
Gabriel Castro
Entre elogios à resposta coletiva do elenco e ao espírito competitivo apresentado pelo time, Guanaes destacou principalmente a entrega dos jogadores, entendendo que talvez o Mirassol nem sempre consiga ser brilhante tecnicamente, mas precisa manter intensidade e identidade competitiva.
– Uma ótima resposta, crescimento da equipe. E mais uma vez essa identidade que o torcedor quer se sentir representado através da camisa do Mirassol. Estou muito orgulhoso principalmente desse aspecto, dessa entrega. Apesar de a gente treinar todo mundo junto, todo mundo misturado, é muito difícil num cenário como esse. Mas aqueles jogadores que já tinham dado ótima resposta em Bragança deram uma resposta ainda melhor hoje.
– Nós não vamos ser brilhantes sempre, mas a gente precisa ser intenso. Então essa marca fica mais uma vez. É uma demonstração daquilo que a gente faz no dia a dia, daquilo que a gente acredita e da conexão que precisa existir entre todos. Uma das marcas da nossa identidade é a confiança que a gente tem ali dentro. A confiança no trabalho. A confiança de que, se estamos no caminho certo e plantando boas sementes, a gente vai colher bons sonhos.
A formação inicial escolhida pelo treinador também chamou atenção, principalmente pela quantidade de mudanças em relação ao time que vinha atuando nas últimas partidas. Mas Guanaes rejeitou completamente a ideia de “time reserva” e reforçou que trabalha o elenco inteiro pensando em diferentes cenários e necessidades ao longo da temporada.
Para ele, cada escalação é construída de acordo com o momento, adversário e contexto do jogo, e não baseada em uma definição fixa de titulares e reservas.
– Eu não gosto dessa palavra “time titular”, porque uma equipe é formada por trinta e tantos jogadores. Como treinador do time, eu não tenho um time titular. Tem um time que vai estar para aquele momento. Hoje coincidiu de jogar todo mundo junto porque a gente confia. A gente está no dia a dia ali.
– Eu sou treinador, estou todo dia com eles junto da minha comissão técnica. Então acredito que estamos preparados para tomar esse tipo de decisão. Dá receio porque faz tempo que o cara não joga e você coloca num jogo desse tamanho? Dá. Mas a gente tem que tomar decisão. E mais uma vez: a gente não sabia que ia ganhar o jogo.
Mirassol x Bragantino, Yuri Lara, Copa do Brasil
Cleder R Damasceno/RP FOTOPRESS/AGIF
Além do peso histórico da classificação, Guanaes também destacou o tamanho do desafio enfrentado contra a equipe comandada por Vagner Mancini. Segundo ele, os confrontos contra o Bragantino estão entre os mais desgastantes fisicamente desde sua chegada ao Mirassol.
– Eu ainda não havia vencido o Bragantino. Foram vários jogos muito competitivos, muito acirrados e muito no detalhe. Então é uma classificação que para mim fica marcada. Eu nunca tinha chegado também nessa fase da Copa do Brasil. Os jogos contra eles são os que mais exigem fisicamente da gente. Nossas maiores métricas de GPS são contra o Bragantino. Foi um cenário muito difícil e a gente saiu muito fortalecido.
Agora o Mirassol volta as atenções novamente para o Campeonato Brasileiro. O clube viaja até Belo Horizonte para enfrentar o Atlético-MG pela 16ª rodada e, para Guanaes, a equipe precisa manter justamente o espírito competitivo demonstrado diante do Bragantino.
Mais do que apenas pensar em sair da zona de rebaixamento, o treinador reforçou que o principal objetivo é continuar evoluindo como equipe e fortalecer o projeto construído desde a última temporada.
– A gente quer sair da zona de rebaixamento, claro, mas o que eu mais quero é o que eles fizeram hoje dentro do campo: competir, evoluir e mostrar alternativas. O nosso time foi crescendo ao longo do processo no ano passado e eu acredito muito nisso.
– Tem muita água para passar debaixo da ponte ainda. Tem que ter equilíbrio e sabedoria para lidar com cada competição, cada jogo e cada circunstância. O mais importante é como termina. E o que a gente está conseguindo mostrar dentro do campo. Agora nós vamos viajar de novo e precisamos levar essa confiança para fazer um grande jogo fora de casa também.
Jogadores do Mirassol comemoram gol contra o Bragantino, pela Copa do Brasil
JP Pinheiro/Agência Mirassol
Ao fim da entrevista, Guanaes ainda fez uma reflexão mais pessoal sobre os 14 meses à frente do Mirassol. O treinador relembrou o período de pressão e sequência negativa vivida recentemente pelo clube e fez questão de agradecer o respaldo recebido internamente mesmo nos momentos mais difíceis.
– Eu sou muito grato. Do jeito que eu acordo, eu ajoelho para agradecer pela oportunidade, pela saúde, pelos meus filhos, pela minha esposa. Eu sou um cara muito abençoado e privilegiado. Qualquer outro lugar eu teria sido mandado embora naquela sequência de derrotas. Então é motivo de muita gratidão pela confiança que existe aqui.
– Eu gosto muito de duas palavras: intensidade e coragem. Acho que essas duas palavras traduzem muito bem esses 14 meses. Apesar do nosso tamanho, da gente vir lá de baixo, tivemos coragem de enfrentar grandes desafios e superar muitos percalços. Eu tenho trabalhado em paz aqui porque tenho respaldo. E queria oferecer essa classificação também ao Juninho e ao Paulinho por confiarem no trabalho e respaldarem nossas decisões – encerrou o treinador. geRead More


