Três motivos para convocar Neymar (e outros três para não convocar)
Neymar responde se merece convocação para a Seleção Brasileira
A saga de Neymar em busca de um lugar na Copa do Mundo foi encerrada neste domingo, na derrota de 3 a 0 do Santos para o Coritiba, com uma atuação bastante discreta, seguida de uma trapalhada (da qual foi vítima) em uma substituição que o retirou do jogo antes do previsto. O périplo do principal jogador do futebol brasileiro chega ao fim com a torcida dividida. Enquanto escrevo este texto, uma enquete aqui no ge mostra 50,09% dos votantes favoráveis à convocação do atleta para a Copa do Mundo, contra 49,91% contrários.
Sempre achei a discussão sobre a ida de Neymar à Copa bastante válida, primeiro por não ser um jogador qualquer, segundo por ser uma seleção fragilizada. Não estávamos (não estamos) em condições de interditar o debate. Nesse percurso, mantive-me contrário à presença do camisa 10 entre os convocados. Mas nesta segunda-feira, data do anúncio da lista final de Carlo Ancelotti, é preciso admitir que há argumentos bastante razoáveis para Neymar ser chamado.
E também para não ser. Em tempos de polarização sobre os assuntos mais estapafúrdios, Ancelotti terá justificativas para apresentar, seja qual for sua decisão.
Neymar antes de Santos x Coritiba
Marcos Ribolli
TRÊS MOTIVOS PARA CONVOCAR NEYMAR
Neymar cumpriu a exigência central de Ancelotti: estar em boas condições físicas. Desde que se livrou da ciranda de lesões, ele vem conseguindo suportar 90 minutos ou perto disso, atuando em intervalos cada vez mais curtos entre as partidas. São 15 jogos na temporada, com seis gols e quatro assistências.
Nos últimos meses da busca pela Copa, surgiram vagas. Neymar foi “favorecido” pelas lesões de Rodrygo e Estêvão. Com eles inteiros, ficaria muito difícil achar um lugar para o jogador do Santos. Além disso, favorece Neymar a decisão da Fifa de manter as convocações com 26 jogadores, ideia estabelecida em 2022. Antes, eram 23.
A Seleção chega ao dia da convocação com evidentes lacunas. Jogadores de destaque na Europa, caso de Vini Jr, não conseguem repetir o desempenho com a camisa brasileira. Além disso, Neymar pode cumprir uma das funções mais carentes do elenco – como um meia de criação, auxiliando o ataque. Não se trata de uma necessidade, a Seleção já mostrou que pode atuar sem um jogador assim, mas o camisa 10 do Santos ofereceria essa alternativa.
TRÊS MOTIVOS PARA NÃO CONVOCAR NEYMAR
Neymar está há quase mil dias fora da Seleção. Ele não joga pelo Brasil desde 17 de outubro de 2023, quando se lesionou contra o Uruguai. Disputou apenas quatro dos 18 jogos das Eliminatórias. Não esteve presente em nenhuma das dez convocações de Ancelotti. Além disso, ficou 769 dias parado desde a Copa do Mundo de 2022, consequência de cinco lesões diferentes.
Recuperar-se fisicamente é uma coisa: recuperar o nível competitivo é outra. Embora consiga suportar jogos inteiros, Neymar, aos 34 anos, não tem sombra da explosão do passado. Se isso fica evidente em jogos de Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana, é justo questionar como seria em uma Copa do Mundo, que exige o ápice de competitividade para um atleta.
A passagem do tempo mudou o corpo de Neymar, mas não a cabeça. Ele parece sempre preso à imaturidade dos primeiros anos de carreira. Desde o retorno ao Brasil, o jogador coleciona polêmicas: bate-bocas com torcedores, desentendimentos com adversários, destempero com a arbitragem, declarações equivocadas. Esse conjunto levanta dúvidas sobre a aptidão do jogador para um papel secundário na Seleção.
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