7 a 1 brasileiro: Haiti tem dois remanescentes da derrota para a Seleção em 2016
Melhores momentos: Brasil 7 x 1 Haiti pela Copa América Centenário
Brasil e Haiti, adversários na primeira fase da Copa do Mundo de 2026, se enfrentaram três vezes na história. A última delas foi na Copa América de 2016, quando a Seleção aplicou 7 a 1 nos haitianos, que terminaram a competição sem pontuar. Dez anos depois, o goleiro Johny Placide e o atacante Duckens Nazon terão a chance de reescrever a história no reencontro com o time brasileiro, na próxima sexta-feira, às 21h30 (de Brasília), pela segunda rodada do Grupo C.
Apesar de ter goleado, a seleção brasileira enfrentava uma crise e acabou eliminada na fase de grupos da Copa América. O 7 a 1 sobre o Haiti foi a última vitória do técnico Dunga à frente do Brasil. Daquele time, o goleiro Alisson Becker, o zagueiro Marquinhos e o volante Casemiro continuam na Seleção e foram titulares na estreia na Copa, no empate em 1 a 1 com o Marrocos.
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Em 2016, o Haiti disputava apenas sua segunda grande competição continental moderna. A seleção havia se classificado para a Copa América após eliminar Trinidad e Tobago na Concacaf. O país chegou ao torneio depois de ter enfrentado terremoto, crises políticas, pobreza estrutural e dificuldades crônicas para desenvolver seu futebol.
Dois remanescentes daquela goleada ajudaram a construir o caminho que levaria o Haiti à Copa do Mundo de 2026. O goleiro Johny Placide e o atacante Duckens Nazon podem ser considerados uma ponte entre a seleção que levou 7 a 1 do Brasil em 2016 e o time que voltou ao Mundial 52 anos depois da sua única participação, em 1974.
O capitão que trocou a França pelo Haiti
Johny Placide nasceu em 1988, na França, filho de haitianos. Ele fez toda a formação no futebol francês e construiu carreira principalmente em clubes das divisões inferiores do país europeu. Seu primeiro torneio pelo Haiti foi o Pré-Olímpico de 2008 — na época ele ficou marcado por grandes defesas na derrota por 5 a 1 para o México, incluindo um pênalti.
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Placide em Brasil 7 x 1 Haiti, em 2016
Mike Ehrmann/Getty Images
Ali, Placide chamou a atenção da seleção francesa de base e foi convocado para defender o time sub-21 em 2009. O goleiro até estreou pela França, mas fez a escolha de defender a equipe profissional do Haiti, virando uma lenda na seleção caribenha. Ele é o capitão do grupo.
– Tenho o papel de todos os veteranos: trazer serenidade ao grupo, ajudar os novos jogadores a entender o que significa representar a camisa haitiana, nossa responsabilidade com o país, nossa missão. Hoje, somos um povo que sofre, a vida no Haiti não é fácil. Quando decidi entrar para a seleção, meu objetivo era levar alegria às pessoas que sofrem diariamente através do futebol. Esse é um poder extraordinário. É esse o tipo de mensagem que tentamos transmitir – disse Placide ao site da Fifa em 2025.
Em junho de 2016, Placide viveu um dos piores momentos pelo Haiti e buscou sete vezes a bola dentro da rede no jogo contra o Brasil. Dez anos depois, aos 38 anos, entrou em campo na Copa do Mundo como capitão de uma geração que recolocou o time no mapa do futebol. A seleção haitiana perdeu para a Escócia por 1 a 0, na estreia.
O artilheiro que fugiu da guerra no Irã
Em 2016, Duckens Nazon tinha apenas 22 anos. Em 2026, é um dos maiores nomes da história do futebol haitiano e se tornou o maior artilheiro da seleção. Assim como Placide e vários atletas do Haiti, o atacante nasceu fora do país, na França. Antes de chegar à Copa, ele viveu um dos momentos mais tensos da sua vida.
Nazon em Brasil 7 x 1 Haiti, em 2016
Stringer/Anadolu Agency/Getty Images
No início de 2026, Nazon precisou deixar às pressas o Irã em meio aos bombardeios de Estados Unidos e Israel. Desde o ano passado, ele defendia o Esteghlal, clube que era líder da Liga do Golfo Pérsico até a interrupção causada pelo conflito.
O jogador levou quase três dias até conseguir atravessar a fronteira com o Azerbaijão e relatou ter visto mísseis e explosões ao longo do caminho. Desde então, o atacante se preparou por conta própria para a Copa do Mundo e foi monitorado pela seleção haitiana, pela qual tem 44 gols em 76 partidas.
Duckens Nazon é o maior artilheiro da história do Haiti
Omar Vega/Getty Images geRead More


