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Agência nuclear da ONU vê inspeções ao Irã como inevitáveis

Agência nuclear da ONU vê inspeções ao Irã como inevitáveis

 O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, discursa durante uma coletiva de imprensa na usina nuclear de Fukushima Daiichi, em Okuma, província de Fukushima, Japão, na quarta-feira, 24 de junho de 2026.
Kyodo News via AP
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou nesta quarta-feira (24) que a retomada das inspeções às instalações nucleares iranianas deve ocorrer em algum momento, apesar das divergências recentes entre Estados Unidos e Irã sobre o tema.
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A declaração é a indicação mais firme até agora da agência da ONU de que os inspetores voltarão a ter acesso aos locais de enriquecimento de urânio, considerados essenciais para monitorar o programa nuclear iraniano.
Desde que Israel lançou uma ofensiva de 12 dias contra o Irã em 2025, Teerã impede visitas da AIEA a instalações onde, segundo a agência, há estoques de urânio altamente enriquecido. Estimativas apontam que o material poderia ser suficiente para a produção de até dez armas nucleares, caso o país decidisse desenvolver esse tipo de armamento.
O governo iraniano nega essa intenção e sustenta que seu programa nuclear tem fins pacíficos. No início da semana, autoridades americanas e iranianas deram versões conflitantes sobre a possibilidade de retomada das inspeções.
Imagem de satélite mostra a instalação nuclear de Natanz, no Irã, em 24 de janeiro de 2025
Maxar Technologies/Handout via REUTERS
Em entrevista coletiva na usina nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, Grossi ressaltou que um memorando de entendimento assinado pelos presidentes dos Estados Unidos e do Irã prevê a supervisão da AIEA sobre as atividades nucleares abrangidas pelo acordo.
“Entendo as declarações políticas, elas fazem parte da realidade, mas o ponto fundamental é que existe um memorando de entendimento assinado por ambos os presidentes”, afirmou.
Segundo Grossi, o documento estabelece explicitamente que as atividades relacionadas a instalações e materiais nucleares serão supervisionadas pela agência.
“Obviamente, para isso, precisamos realizar inspeções. Se isso acontecer depois de amanhã, em uma semana ou em dez dias, é importante, mas não essencial. Isso vai acontecer”, disse.
As inspeções são consideradas um dos pilares do acordo provisório entre Washington e Teerã, que prevê a diluição dos estoques iranianos de urânio enriquecido.
Irã nega inspeções
O presidente Donald Trump acena ao chegar a bordo do Marine One à Base Conjunta Andrews, em Maryland, no domingo, 21 de junho de 2026, após uma viagem a Camp David e Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, mostra assinatura em memorando de entendimento com os EUA, em 18 de junho de 2026
Photo/Mark Schiefelbein e Gabinete Presidencial do irã via AP
Na terça (23), o Irã negou ter aceitado vistorias a suas instalações nucleares como parte das negociações com os Estados Unidos previstas no acordo firmada entre os dois países.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retrucou e insistiu que negociadores iranianos aceitaram a vistoria durante a primeira rodada de negociações pós-acordo, realizadas no fim de semana na Suíça. E ameaçou encerrar as tratativas, dando fim ao acordo de paz firmado entre os dois países.
“Se eles não concordassem com isso, não haveria mais negociações!”, disse Trump em sua rede social Truth Social.
O presidente norte-americano disse ainda que só aceitou levantar o bloqueio naval que a Marinha dos EUA faziam na entrada do Estreito de Ormuz porque negociadores iranianos teriam aceitado as vistorias nucleares.
“Baseado nessa e em outras grandes concessões feitas pelo Irã, eu concordei em permitir que o Estreito de Ormuz siga aberto, sem novos bloqueios navais”.
Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que o país não realizou nenhuma reunião com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na Suíça, nem planeja permitir que o órgão de fiscalização nuclear da ONU inspecione suas instalações nucleares danificadas pela guerra contra os EUA.
Agora no g1
O porta-voz da pasta, Esmaeil Baghaei, disse que não há protocolo para esse tipo de inspeção, acrescentando que o Irã continuará cumprindo suas obrigações atuais como membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear e sob seu acordo de salvaguardas com a AIEA.
Ainda segundo Baghaei, os negociadores estão tentando alinhar todas as outras questões e cláusulas entre EUA e Irã antes de começar a negociar a questão nuclear. Ele disse também que as capacidades defensivas e o programa de mísseis de Teerã não serão objeto de negociações com ninguém.
A fala de Baghaei vai de encontro ao que disseram na segunda-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu vice, J.D. Vance. Trump afirmou que “todos estão plenamente cientes de que o Irã permitirá grandes inspeções de armamentos atômicos”, e Vance disse que Teerã tinha concordado em visitas de inspetores da AIEA às suas instalações nucleares.
Ainda na segunda, o governo iraniano havia dito que não concordou com nada sobre seu programa nuclear durante a 1ª rodada de negociações na Suíça após assinatura do acordo de paz na guerra entre EUA e Irã.
A questão nuclear continua sendo uma das mais delicadas entre EUA e Irã neste pós-guerra, tanto sobre a diluição do material radioativo em poder de Teerã quanto sobre as inspeções às usinas iranianas. Porém, ambos os países se comprometeram a resolver esse problema e os demais —como a reabertura do Estreito de Ormuz— em até 60 dias através de múltiplas rodadas de negociações e com a ajuda de mediadores.
Ataques de Israel no Líbano são ‘linha vermelha’
Parente de uma pessoa que desapareceu após bombardeio no sul do Líbano chora em meio aos escombros neste sábado (20)
Mohammed Zaatari/AP Photo
O embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahreini, afirmou nesta terça-feira que o Irã considera uma “linha vermelha” qualquer novo ataque de Israel no Líbano —no âmbito da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hezbollah.
Também nesta terça, duas pessoas morreram no sul do Líbano por disparos de tropas israelenses, segundo a Defesa Civil e a mídia estatal libanesas. Essas foram as primeiras mortes no país atribuídas a Israel nos últimos três dias.
Após o ataque no Líbano, Bahreini afirmou apenas que “qualquer violação na trégua no Líbano criará obstáculos nas negociações por uma paz definitiva”.g1 > Mundo Read More