Análise: afinal, Hamilton e Ferrari estão na briga pelo título da F1?
Hamilton e Ferrari estão na briga pelo título da F1? Rodrigo França analisa
O GP da Áustria neste final de semana vai ser decisivo para analisarmos o verdadeiro potencial da Ferrari, e de Lewis Hamilton em especial, para entrar de vez na briga pelo título da F1. A empolgação dos tifosi e dos fãs do heptacampeão mundial tem fundamento: afinal, depois da vitória em Barcelona e do abandono de Kimi Antonelli, Hamilton está na vice-liderança do Mundial a apenas 41 pontos de distância do jovem italiano da Mercedes, que lidera o campeonato.
🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google
Bortoleto chega ao GP da Áustria e diz viver melhor momento da carreira
Você sabia? Nenhum país venceu Copa e Mundial de pilotos da F1 no mesmo ano
É uma situação que parecia improvável no começo do ano, quando as Mercedes dominavam as sessões de treinos e corridas. E um detalhe importante: embora a gente já esteja quase no final do primeiro semestre de 2026, ainda faltam muitas etapas para serem disputadas: são ao menos 15 provas, incluindo a deste domingo no Red Bull Ring, e podendo até ser 17 caso Bahrein e Arábia Saudita tenham novas datas ainda neste ano.
A melhora da Ferrari não foi pontual apenas na corrida em Barcelona. Hamilton já vinha de dois segundos lugares e em pistas de características bem diferentes, como o circuito Gilles Villeneuve, no Canadá, e nas ruas de Monte Carlo. Ainda que o virtual safety car tenha ajudado sua estratégia ousada de três paradas, a vitória de Hamilton na Espanha também foi conquistada com base na performance do carro e do talento do inglês – e não apenas como fruto de sorte ou quebra dos adversários.
Lewis Hamilton venceu o GP de Barcelona-Catalunha de F1
Alastair Staley/Getty
A Ferrari trouxe diversos upgrades em Barcelona e eles se mostraram eficientes, sobretudo na gestão dos pneus, fator chave para a vitória na última etapa. Como estamos vendo diariamente no noticiário, o verão europeu já está sendo marcado por recordes de temperatura, e no calor a Ferrari mostrou desempenho superior ao da Mercedes –as novas rodas seriam responsáveis por ajudar a manter a temperatura dos pneus dentro da faixa ideal de trabalho do composto, proporcionando melhor aderência e maior durabilidade.
Por ser uma região montanhosa da Áustria, o GP austríaco costumava ter clima mais ameno, mas a previsão do tempo indica que será a corrida mais quente dos últimos anos, com a temperatura ambiente chegando a 33ºC. É claro que a Mercedes está trabalhando para reagir por uma melhor performance em altas temperaturas e segue sendo forte candidata à vitória com Antonelli e George Russell.
Lewis Hamilton venceu o GP de Barcelona-Catalunha com as novas rodas traseiras da Ferrari
Joan Valls/Urbanandsport/NurPhoto via Getty Images
Porém, a Ferrari tem tudo para vir forte neste final de semana e nas corridas da temporada europeia que serão disputadas neste tipo de clima –como deve ser Budapeste e Madrid, por exemplo. A Mercedes mostrou um ótimo conjunto em condições de baixa aderência, como no Canadá, e o clima mais do que nunca pode influenciar os favoritos em cada GP.
Outro fator para colocar Hamilton na disputa é a experiência do piloto, que já tem sete títulos mundiais e vai brigar pelo oitavo com menos pressão do que seus concorrentes, como os dois pilotos da Mercedes e seu próprio companheiro de equipe na Ferrari, Charles Leclerc.
Hamilton vence o GP da Catalunha
Esse é um cenário que vimos no ano passado com Max Verstappen, que usou toda sua experiência para endurecer a briga pelo campeonato contra a favorita McLaren, que tinha dois pilotos ainda lutando pelo seu primeiro título (Oscar Piastri e Lando Norris). Norris levou a melhor, é verdade, mas por apenas dois pontos após uma corrida emocionante na última etapa de 2025, em Abu Dhabi.
O holandês, por sinal, é outro a ser observado de perto neste final de semana, onde a Red Bull corre em casa e tradicionalmente traz muitas melhoras em seu carro para o GP da Áustria. No ano passado, Verstappen teve um abandono prematuro após ser tirado justamente pelo atual líder do campeonato, Antonelli. A situação em um ano mudou bastante e agora é a Red Bull que chega como “zebra” mesmo em seu GP de casa.
Max Verstappen e Lewis Hamilton no GP do Canadá da F1 2026
Marcel van Dorst/EYE4IMAGES/NurPhoto via Getty Images
Na F1, há uma “tese” informal que diz que o carro vencedor em Barcelona tende a ser o dominante da temporada, por ser uma pista que premia o melhor conjunto aerodinâmica-motor, por ser bastante seletivo e curvas de todos os tipos (baixa, média e alta velocidade).
Com novos upgrades e uma nova versão de sua unidade de potência (já se beneficiando do ADUO), a Ferrari chega na Áustria com uma certa dose de favoritismo. De certa forma, isso pode ser até positivo para a Mercedes, mas ainda assim a pressão seguirá para Antonelli e Russell.
O melhor cenário para a equipe alemã é administrar a vantagem na tabela nos GPs onde seu carro sofrer mais com a temperatura e queimar aos poucos a gordura acumulada no Mundial para voltar das férias da F1, no final de agosto, ainda na liderança. A Mercedes segue favorita, mas já não dá mais para ignorar que a Ferrari entrou na briga. geRead More


