Análise: Argentina mantém a receita de 2022, potencializa Messi e é o time a ser batido na Copa
Argentina 3 x 0 Argélia | melhores momentos | Copa do Mundo 2026
Quatro anos (ou três anos e meio) são o suficiente para uma equipe se fortalecer ou para deixar seus melhores dias pelo caminho? A Argentina de Lionel Scaloni indicou que, no seu caso, o tempo foi quase um detalhe entre 2022 e 2026. A base da equipe que foi a campo na final no Catar também esteve em ação na estreia nos Estados Unidos, nesta terça-feira, na vitória sobre a Argélia por 3 a 0. E a atual campeã mostrou que sua espinha dorsal, nascida no Mundial passado, segue sendo seu diferencial, com a mesma missão: potencializar Lionel Messi.
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Dibu Martínez, Romero, Enzo Fernández, Mac Allister, De Paul e Messi: seis jogadores que foram titulares na abertura da campanha desta Copa do Mundo também começaram jogando a final contra a França, em 2022. E em uma primeira rodada onde favoritos sofreram, a manutenção da base se mostrou a grande força para a Argentina buscar uma vitória – com sustos, sim, mas com muito controle em boa parte do jogo. Longe do nervosismo de outras favoritas. A Scaloneta ainda parece ser uma casa construída sobre a rocha: uma rocha chamada Messi.
Messi marca três vezes na vitória da Argentina sobre a Argélia na Copa do Mundo
Getty Images
Assim como no Catar, tudo gira em torno dele, de deixá-lo livre, de potencializar suas qualidades e minimizar qualquer impacto que os 38 anos possam ter em seu desempenho. E o camisa 10 sabe ser a estrela: continua sabendo o timing perfeito para aguardar no ataque como homem mais avançado. Ou quando se aproximar e fazer jogadas de associação. Ou mesmo quando ir até a entrada da área de defesa e fazer um desarme importante. E claro, sua especialidade: fazer gols e decidir jogos.
O hat-trick do craque da última Copa já o faz largar na frente na disputa para ser o melhor jogador desta. E a atuação da Argentina já a coloca como o time a ser batido neste Mundial.
Meio de campo: pilar da Scaloneta
Enzo Fernández, Mac Allister e De Paul sabem ser os coadjuvantes: entendem bem quem deve avançar, quem deve cair pelos lados e quem deve retornar e ajudar a linha de zaga na saída de bola. Foi assim que De Paul achou um lindo passe entre as linhas adversárias e achou Messi onde ele gosta: atrás dos volantes, na frente da área. Pronto para soltar um chute colocado, que Luca Zidane falhou ao tentar defender.
Messi em Argentina x Argelia
Getty
O caminho para a vitória estava aberto, depois de um começo de jogo inusitado: a Argentina (também com Messi) e a Argélia chegaram a marcar um gol cada, em lances que depois foram anulados por impedimento. O 1 a 0 ajudou a Argentina a controlar o jogo, principalmente através do trio de meio de campo. Com toque de bola preciso e movimentação que apenas um trabalho de longo prazo consegue implementar.
A Argélia até cresceu no fim do primeiro tempo e criou chances. Dibu Martínez, outro ícone no Catar, apareceu quando necessário. O jogo foi para o intervalo ainda aberto, com o placar em 1 a 0. Mas a sensação era de nada sairia do controle no Estádio de Kansas City, que recebeu imensa maioria de torcedores da Argentina.
Messi Argentina x Arábia Saudita
Reuters
História para Messi e recado para os rivais
A Argentina teve volume de jogo nos primeiros minutos, com Messi mostrando que estava em busca de mais gols. Antes mesmo de deixar sua equipe diminuir o ritmo, Lionel Scaloni – outra pedra fundamental da equipe – fez duas substituições. Tirou Almada e colocou Nico González. Sacou Lautaro Martínez e deu espaço a Julián Álvarez, mais um titular daquela final contra a França.
Minutos depois, Messi mostrou outro aspecto de seu jogo, a presença de área, aproveitando rebote de Luca Zidane. A partir dali, ficou claro que não haveria espaço para zebras diante da atual campeã nesta primeira rodada. A Argélia tentou substituições, chegou a criar um pouco mais, mas viu que não teria muito o que fazer.
Messi cumprimenta Scaloni em Argentina x Argélia, na Copa do Mundo
REUTERS/Siphiwe Sibeko
Do outro lado, a Scaloneta não perdeu a chance de fazer sua torcida fazer festa mais uma vez. Messi não desperdiçou a oportunidade de fazer mais um e se tornar o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, ao lado de Klose, com 16 gols. A rocha, o pilar, a fundação da seleção argentina deixou o campo aos 34 minutos debaixo de muitos aplausos e de reverências nas arquibancadas.
Nico Paz entrou em seu lugar, e Otamendi substituiu Romero – entraram um novo nome que surgiu neste ciclo e um veterano que vive seus últimos momentos com a seleção. Simbólico para mostrar que há exagero naqueles que criticaram uma suposta tímida renovação do elenco entre uma Copa e outra. Mas como – e por que – implementar uma mudança profunda em um time que ainda esbanja precisão?
A Scaloneta parece ter nascido para fazer Messi brilhar. E a Copa do Mundo pode ser mais uma vez o palco perfeito. Ainda há sete jogos pelo caminho, que pode ser trilhado de forma oposta ao de 2022 – quando começou com derrota e terminou com troféu. Desta vez, o primeiro passo é uma boa vitória e um cartão de visitas digno de atual campeã. geRead More


