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Análise tática do Canadá na Copa de 2026: lesões colocam em dúvida o time do anfitrião

Análise tática do Canadá na Copa de 2026: lesões colocam em dúvida o time do anfitrião

O Canadá chega à Copa do Mundo no topo de sua história. A seleção canadense disputou a Copa de 2022 (a primeira em 36 anos), chegou à semifinal da Copa América de 2024, onde foi eliminada pela Argentina, e parece bem preparada para passar da fase de grupos e surpreender com o apoio de sua torcida.
Só existe um obstáculo: as lesões. Alphonso Davies, lesionado na semifinal da Liga dos Campeões entre Bayern de Munique e PSG em maio, é dúvida para o jogo de abertura. Moise Bombito e Alistair Johnston também viveram temporadas comprometidas por problemas físicos. São três dos pilares do time que podem nem começar a jogar a Copa do Mundo.
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Seleção do Canadá
Indrawan Kumala/NurPhoto via Getty Images
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Nada disso tira o brilho do ótimo trabalho conduzido por Jesse March. Qatar e Bósnia são adversários ao alcance; a Suíça, na terceira rodada, é o teste mais difícil da fase de grupos. Jogando em casa, o time que já mostrou organização em 2022 promete conquistar mais do que simplesmente o orgulho de sediar uma Copa do Mundo.
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Esquema tático e time base
O ponto de partida de Jesse Marsch é um 4-4-2 compacto, montado para pressionar de forma coordenada e transitar em velocidade máxima. O time foi construído para recuperar a bola e definir rápido. Ou para tocar rápido lá de trás e chegar com rapidez ao gol.
O time titular mais testado conta com Dayne St. Clair no gol, Alistair Johnston pela direita e Alphonso Davies pela esquerda como laterais, ambos com disponibilidade incerta; Moise Bombito e Derek Cornelius no centro da defesa; Stephen Eustaquio e Ismael Koné como dupla de volantes; Tajon Buchanan pela direita e Ali Ahmed pela esquerda na segunda linha; Jonathan David e Cyle Larin (ou Tani Oluwaseyi) como dupla de ataque.
Esquema tático do Canadá é um 4-4-2 com dois atacantes
Reprodução
Como inicia as jogadas?
A saída de bola do Canadá é desenhada para que o time chegue em poucos passes ao campo do adversário. Os dois zagueiros abrem nas laterais e Eustaquio desce entre a linha defensiva para funcionar como o volante que faz a saída de três. No tatiquês, esse volante é o pivô de primeira distribuição e age como grande armador do time.
Os laterais têm liberdade para subir. Davies, pela esquerda, é o mais ofensivo dos dois: com velocidade de atacante e histórico de jogar como meia nas categorias de base, ele ganha profundidade antes que a fase de construção esteja encerrada.
Johnston, pela direita, é mais equilibrado entre ataque e defesa. Quando o adversário pressiona em bloco alto, o Canadá sustenta a bola com os zagueiros e tenta acionar os meias pelos lados. Tudo com velocidade e uma orientação para trocar passes para frente, sem ficar tocando para trás.
Canadá executa a chamada “saída de 3” e os laterais avançam bastante ao ataque
Reprodução
Como ataca?
O modelo de Marsch é projetado para atacar em bloco, seja depois de recuperar a bola ou saindo rápido de trás. Toda vez que o time chega ao campo de ataque, há quatro jogadores capazes de atacar em profundidade simultaneamente, como você vê pela imahem. David ou o segundo atacante pela frente, Buchanan já em corrida pela direita e Ahmed pronto para entrar em diagonal pela esquerda.
Os ataques do Canadá buscam inversões e jogadas de velocidade que começam nos lados
Reprodução
Esse tipo de chegada ao gol busca as costas dos meias adversários e coloca a linha de defesa do oponente num jogo de velocidade. Para isso, Buchanan serve como velocista puro. Seu papel é receber em profundidade e trazer a bola para dentro, buscando o gol ou a área. Ahmed, pela esquerda, tende a vir para dentro e se unir aos meias para tocar a bola.
Com essa movimentação, a dupla de ataque presença física e movimentação. Larin (ou Oluwaseyi) ancora na referência física, prendendo a marcação e abrindo o espaço que David vai ocupar. A dupla de ataque é fundamental para esse modelo funcionar e abre espaços para ocasionais chegadas dos meias.
Como defende?
A defesa do Canadá tem dois momentos: o primeiro é uma pressão na frente bem organizada, com os dois atacantes mordendo a saída dos zagueiros. Os meias pelos lados completam o bloqueio, formando na prática um bloco de quatro jogadores de frente no campo ofensivo.
Quando o adversário consegue sair, o time recua compacto e se fecha num bloco bem compacto, como você vê na imagem. A linha defensiva joga mais alta. Com Davies e Bombito em campo, a ideia é que o time cubra o espaço às costas antes que o adversário o explore. Aliás, explorar a linha alta pode ser uma das armas dos adversários.
Canadá se defende num 4-4-2 bem compacto. A prioridade é fechar espaços ao invés de sufocar o adversário
Reprodução
O grande destaque
Jonathan David, com 37 gols em 73 jogos, é o maior artilheiro da história da seleção canadense. A mudança do Lille para a Juventus no verão europeu de 2025 não saiu como planejado, já que ele passou a atuar como único centroavante num 4-2-3-1 e não tinha um segundo atacante para abrir espaços como na seleção.
Na Copa, é a maior promessa de gols e já é considerado ídolo no país.
Jonathan David agradece a torcida do Canadá
Piroschka Van De Wouw / Reuters
O Canadá tem condições reais de passar de fase se as lesões não atrapalharem o time. Na Copa Ouro de 2025, a equipe caiu nas quartas para a Guatemala sem Davies, Bombito e Johnston.
O jogo contra a Bósnia, na estreia em Toronto, já vai dizer bastante. Com um time extremamente físico, a defesa dos anfitriões irá trabalhar. Um teste de fogo para uma seleção que cresceu muito e tem uma Copa do Mundo em casa para provar que vive seu melhor momento na história.
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