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Análise tática do Uruguai na Copa de 2026: tensões e lesões na última chance de Marcelo Bielsa

Análise tática do Uruguai na Copa de 2026: tensões e lesões na última chance de Marcelo Bielsa

Único treinador a ter comandado as seleções do Chile, Argentina e Uruguai, Marcelo Bielsa chega à Copa do Mundo de 2026 sob inédita pressão.
Parte por culpa dele mesmo, que mostrou uma faceta briguenta pouco conhecida (tendo até admitido que é uma pessoa “tóxica”), parte por conta das muitas lesões que fazem o Uruguai chegar enfraquecido no Mundial.
Marcelo Bielsa deixará a seleção uruguaia após a Copa do Mundo
Sebastian Frej/Getty Images
Joaquín Piquerez e Facundo Pellistri são dúvidas e a forma física de Arrascaeta e Rochet levantam muitas dúvidas. Sem eles, o time perde a força que mostrou nas Eliminatórias, ainda mais por depender tanto do melhor meia do futebol brasileiro.
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Além disso, há tensões e relatos de brigas no elenco. De la Cruz e Arrascaeta já fizeram declarações polêmicas contra o treinador, que não vence sob o comando da Celeste desde outubro e assumiu a culpa pelo vexame contra os Estados Unidos: um sonoro 5 a 1.
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Será que Bielsa é capaz de aprimorar e fazer o time voltar a jogar bem? Com uma base muito bem estabelecida com jogadores do futebol brasileiro e europeu, o time tem qualidade para fazer mais do que na última Copa do Mundo, quando sequer passou de fase num grupo plenamente possível e ainda se despediu de ídolos como Godín, Cáceres, Cavani e Suárez.
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Jogos do Uruguai na Copa do Mundo
Esquema tático e time base
O Uruguai de Bielsa joga num 4-4-2 bem definido. É o sistema base desde o começo do ciclo, quando Bielsa definiu alguns titulares que sofreram lesões ao longo dos jogos, mas devem ser titulares na Copa. É o caso de Rochet, goleiro do Internacional que treinou sem problemas nos primeiros treinos.
Na defesa, a linha de quatro deve ser formada por Varela (confirmado com a não convocação de Nandez), Ronald Araújo e Giménez, que pode dar lugar a Santiago Bueno, e Olivera, que deve ser titular se Piqueréz não tiver plenas condições.
Na linha de meio, Canobbio pela direita, Ugarte e Valverde pelo centro e Maximiliano Araújo pela esquerda, com Arrascaeta e Darwin Núñez na frente. A queda de Núñez desde que trocou o Liverpool e a forma física de Arrasca e De La Cruz, o reserva natural, ainda preocupam.
Uruguai tem como base um 4-4-2 bem definido
Reprodução
Como inicia as jogadas?
Na saída de bola, o Uruguai estrutura uma linha de três defensores com Manuel Ugarte vindo buscar a bola dos zagueiros. O mais interessante é como o time joga a partir de aproximações: um dos laterais ajuda e vem buscar a bola. Ele vem dar o chamado apoio. Valverde afunda nesse momento e vai jogar lá na frente, esperando a bola junto com Arrascaeta.
A construção do Uruguai é muito paciente e bem treinada, com várias aproximações
Reprodução
É tudo bem treinado por Bielsa: se o lateral esquerdo dá apoio, o ponta esquerdo abre. Se o lateral direito avança (como na imagem), Cannobbio vai buscar o jogo por dentro, entre as linhas dos adversários. Ugarte e Valverde estão inteiros e entre as melhores duplas de volantes dessa Copa. Os dois se revezam, pensam o jogo e têm a missão de dar a bola redonda para Arrascaeta fazer a diferença lá na frente.
Como ataca?
O Uruguai gosta de atacar de duas formas. A primeira é com Arrascaeta mais recuado, no que chamamos de “base da jogada”. Ele é o grande visionário do time: pensa, arma e tabela com Valverde. Quando estão juntos, o Uruguai tem dois pontos de progressão e criação de jogadas no centro do campo, e a bola chega redonda lá na frente.
Com Arrascaeta fora por lesão, essa função some. A adaptação mais provável é deslocar Valverde para posição mais adiantada e reconfigurar o miolo com Ugarte e Betancur, mas isso redistribui o peso da criação para o jogador que já carrega mais responsabilidade individual no time.
Arrascaeta e Valverde fazem um miolo interessante de criação
Reprodução
A segunda forma é no contra-ataque. Cannobbio, destaque do Athletico e do Fluminense, é o principal puxador de contra-ataques do time. Junto com Nuñez, ele transforma qualquer roubada de bola em perigo imediato. Pode ser uma arma caso Arrasca esteja combalido.
Agora, e se Arrascaeta não conseguir jogar?
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Embora o Uruguai disponha de um meio-campo poderoso com jogadores como Federico Valverde, Rodrigo Bentancur e Manuel Ugarte, nenhum deles oferece a mesma capacidade de criar vantagens entre linhas, acelerar a circulação da bola perto da área e encontrar passes decisivos em espaços reduzidos.
Arrascaeta em amistoso contra a Inglaterra
Rob Newell – CameraSport via Getty Images
Sua lesão na panturrilha aumenta a preocupação justamente porque o camisa 10 já chegava ao Mundial após recuperar-se de uma fratura na clavícula, e ainda não há garantia de quando estará apto a atuar em alto nível. Sem ele, a Celeste tende a manter sua competitividade física e capacidade de pressão, mas perde o principal jogador capaz de transformar domínio territorial em oportunidades claras de gol.
Como defende?
O Uruguai defende num 4-4-2 bem compacto. O time não gosta de sufocar lá na frente, até porque com muitas lesões, Bielsa não consegue imprimir o estilo de marcação sob pressão sufocante. O que ele vem conseguindo é fazer com que o time morda sempre com encaixes mais longos: todo mundo tem um alvo e segue até roubar a bola ou parar com faltas.
Cannobbio novamente é um destaque pela obediência tática em voltar, ser dublê de lateral e manter o pique lá na frente. Darwin também, já que o sistema costuma deixar Arrascaeta mais próximo do gol e preservado.
Defesa do Uruguai: bem compacta, com encaixes de marcação
Reprodução
O grande destaque
Valverde é o único no elenco capaz de jogar ao mesmo tempo como segundo volante de pressão, carregador de bola e construtor entre linhas. A temporada no Real Madrid, com gols e assistências relevantes num ano difícil para o clube e para ele mesmo após a briga com Tchouamení, pode ser um diferencial.
Com Arrascaeta incerto por lesão e Darwin Núñez numa queda séria de rendimento, o Uruguai pode chegar à Copa com um único jogador capaz de resolver individualmente os momentos em que o coletivo trava. Valverde também
Valverde, com uniforme do Uruguai de 1950, em montagem feita por IA
Montagem feita por IA
Fato é que o Uruguai já esteve em melhor forma. Além do azar de ter quase meio time lesionado ou sem condições e o sistema Bielsa ter se revelado complicado de lidar – ele já anunciou que deixa a seleção após a Copa do Mundo, o Uruguai chega com pressão para dar uma boa resposta e renovado.
O grupo é acessível, com a Espanha como favorita para o primeiro lugar. Uma última chance de ver Bielsa fazer as pazes com a Copa do Mundo, da qual nunca passou das oitavas.
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