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Canarinhos LGBT: conheça o coletivo de torcidas que luta por diversidade nos estádios

Canarinhos LGBT: conheça o coletivo de torcidas que luta por diversidade nos estádios

Neste dia 28 de junho, data que celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA +, o ge conta a história de um grupo de torcedores que se uniu para criar uma frente de combate à LGBTfobia no futebol brasileiro.
Batizada inicialmente de Canarinhos Arco-Íris, o movimento, criado em novembro de 2019, surgiu com o intuito de lutar pela diversidade e inclusão nos estádios.
Canarinhos LGBT
Reprodução
– A Canarinhos surge também assim, genuinamente da necessidade mesmo do acaso. Agora, a gente vai ter que fazer isso, infelizmente, se a gente não fizer, a gente não vai poder existir. A Canarinhos, ela é fruto da necessidade de mexer com a estrutura do futebol como a gente tem mexido. Entende? Como a gente mexeu. – disse Onã Rudá, um dos fundadores do coletivo.
Além de ser um dos criadores da Canarinhos, Onã também preside a LGBTricolor, torcida movimento ligada ao Esporte Clube Bahia, time que sempre esteve na luta pela diversidade dentro e fora do ambiente esportivo.
– Quando eu fundo a LGBT… Então, o Bahia já estava inserido nas nossas afirmativas há muito tempo. Desde 2017, que o Bahia tomou a decisão que nas datas alusivas à comunidade ia se posicionar, dia 17 de maio e 28 de junho. Isso já foi um grande impacto no futebol. Em 2019, o Bahia começa o ano fazendo uma ação no Dia da Visibilidade Trans. Uma ação muito grande, uma ação robusta.
Canarinhos LGBT
Reprodução
As primeiras movimentações do coletivo envolveram as torcidas LGBTricolor, Marias de Minas (Cruzeiro) e Palmeiras Livre. Com o passar dos meses, o grupo ganhou aliados, e em junho de 2021, foi rebatizado como Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBT. Atualmente, o grupo conta com mais de 18 torcidas, entre elas: Fiel LGBT, Coral Pride (Santa Cruz), Torcida LGBTQIA+ do Botafogo, Furacão LGBTQ, Vasco LGBTQ+, Vozão Pride, Orgulho Rubro-Negro (EC Vitória) e Papão Livre (Paysandu).
Além da luta por um espaço mais democrático nas arquibancadas, o grupo atua ativamente no combate ao preconceito. Em 2020, os membros da torcida se uniram para criar o Observatório da LGBTfobia no Futebol. A iniciativa monitora e documenta casos de violência, cantos homofóbicos e transfóbicos no esporte.
– Em 2020, no meio da pandemia, a gente envia a primeira denúncia que vira uma denúncia de fato no TJD da Bahia. E que o STJD enviou para o TJD, porque quando a gente mandou para o TJD e eles ignoraram completamente. Mas, como veio de cima pra baixo, eles tiveram que dar uma assistência. Teve um julgamento, que o Vitória foi não assentado não no mérito, mas porque foi entendido que já havia prescrito o caso. A partir disso, a gente resolve monitorar (os casos de homofobia).
LGBTricolor
Reprodução
A partir de 2021, o grupo começou a monitorar e a coletar dados de casos de homofobia envolvendo clubes e torcidas. A organização gerou relatórios para enviar as denúncias às autoridades e à Justiça Desportiva.
– Criamos o nosso mecanismo de comunicação. E aí fomos entender quais eram os dados que a gente podia gerar a partir disso. No lançamento surgiu ali um documento preâmbulo que poderia ser o nosso anuário. E aí a gente monta o anuário no ano seguinte e não consegue lançar porque não tinha grana, não tinha estrutura, não tinha o que imprimir. E aí que a CBF surgiu com o Ednaldo Rodrigues (ex-presidente da CBF) dando essa condição e nos levando para a BFExpo ( Brasil Futebol Expo) para fazer um lançamento. O primeiro anuário tem alguns erros, porque ele cobre o ano de 2020 e o ano de 2021. O estoque no documento parece que só vai até agosto de 2021, mas não é. Ele cobre o ano todinho de 2021.
Coligay: a primeira torcida assumidamente LGBT do Brasil
Em 1977, durante a Ditadura Militar, Volmar Santos, gerente da boate Coliseu, localizada em Porto Alegre, que era conhecida por atrair o público LGBTQ+, decidiu formar a primeira torcida organizada LGBT do Brasil, a Coligay. Ao perceber que os frequentadores da boate compartilhavam experiências envolvendo homofobia nos estádios, Volmar decidiu pôr em prática o projeto.
Após um tempo, a Coligay foi formada. Volmar foi nomeado vice-presidente, enquanto Chino Gaúcho foi eleito presidente. Os integrantes do movimento ficaram conhecidos como Coliboys. A torcida estreou oficialmente no dia 9 de abril de 1977, durante uma partida entre Grêmio e Santa Cruz, pelo Campeonato Brasileiro.
Coligay
Agência RBS
A torcida começou a acompanhar o Grêmio em todos os jogos realizados no estado e virou amuleto de sorte do clube, que foi campeão estadual em 1977, vencendo o Internacional por 1 a 0. O sucesso da Coligay ultrapassou os limites de Porto Alegre, e eles foram convidados pelo presidente do Corinthians, na época, para apoiar o clube, que levou o título do Campeonato Paulista daquele ano.
A felicidade da Coligay não durou muito. Membros da torcida foram vítimas de violência por parte de outros torcedores do Grêmio e também de equipes rivais, além de serem hostilizados pelos próprios dirigentes do clube gaúcho. Além das diversas agressões, os coliboys eram vigiados pelos militares, através da Delegacia de Costumes.
O grupo foi se desvinculando do Grêmio e, em 1983, após Volmir ter que se ausentar por problemas familiares, a torcida foi extinta. A influência da Coligay inspirou a criação de outras duas torcidas: a Flagay, do Flamengo, que nunca chegou aos estádios, e a Fogay, do Botafogo.
Em 1979, um grupo de torcedores gays ligados ao Flamengo, lutava para ganhar espaço nas arquibancadas. Com a promessa de ser pioneira no futebol carioca e inspirada pelo movimento que surgiu na região sul do país, surgia a Flagay, primeira torcida lgbt do Rio de Janeiro. geRead More