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Entre Copas do Mundo e certidões: a família que carrega lendas do futebol nos nomes

Entre Copas do Mundo e certidões: a família que carrega lendas do futebol nos nomes

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Durante as Copas do Mundo, os olhos e ouvidos dos apaixonados por futebol se voltam para o grande evento esportivo. Para o seu Abrante Gonçalves Pacheco não foi diferente. O ge revisitou a história do senhor que colocou nome de estrelas do futebol nos fillhos. A família não cresceu desde então, mas está nos planos dos filhos. Ouvindo no rádio de pilha as Copas dos anos 70, Abrante anotava os nomes dos atletas citados nas transmissões e começou a montar sua própria “seleção” no caderno.
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No primeiro casamento, Abrante teve dois filhos e decidiu homenagear os craques anotados. Assim nasceram Mazuquievecz Oliveiros Breslei Pacheco, em referência ao goleiro uruguaio Mazurkiewicz, que atuou no Atlético-MG entre 1972 e 1974, e Mastrangelo Abrante Uazambeque Pacheco, inspirado no atacante argentino Mastrángelo, ídolo de Boca Juniors e River Plate.
Após se mudar para o interior do Pará e casar novamente, Abrante teve mais quatro filhos — três homens e uma mulher — e seguiu a tradição.
Em 1987 nasceu Bequembauer Samaronio Braistner Pacheco, homenagem a Beckenbauer e Breitner, ídolos alemães. Dois anos depois veio Bornieque Brister Marcovit Pacheco, inspirado no polonês Boniek.
Em 1991, juntando Baresi e Tarantini, nasceu Barezi Samambrique Tarantine Pacheco. Por fim, em 1992, nasceu Mazurquiane Helena Steler Pacheco, repetindo a referência ao goleiro Mazurkiewicz, mas adaptando para o nome da primeira filha.
Seu Abrante e Mazurquiane, Bornieque (de azul no sofá), Barezi (de amarelo), Bequembauer (de preto) e Mazurquievcz (de azul)
Arquivo pessoal/ Divulgação
Mazurquiane, inclusive, seguiu a tradição familiar e colocou o nome do seu filho em homenagem ao atleta brasileiro David Luiz. Em contato com o ge, Barezi afirmou que pretende seguir a tradição do pai, mas que ainda não tem um nome definido.
Seu Abrante contou que enfrentou dificuldades para registrar os filhos na época.
—Com os cartórios eu encontrei problemas, mas foi mais aqui no Tocantins. Os que foram registrados no Goiás não tiveram problemas. Aqui teve uma “barreirazinha”. A dona do cartório não queria registrar Mazurquiane [filha com nome adaptado em referência a Ladislao Mazurkiewicz]. A filha dela já tinha feito o registro de Barezi [referente ao ex-jogador italiano Baresi], aí eu disse: “Não, já tem um estrangeiro aí. Mazurquiane vai ser registrada de Mazurquiane”. Aí registrei — explicou Abrante na ocasião em que conversou com o ge.
Barezi foi registrado por uma jovem que estava iniciando na atividade, mas não foi tão fácil. Luciene Luiza De Paula Dias, filha da dona do cartório. À época, chegou a fazer vários questionamentos para registrar Barezi Samambrique Tarantine Pacheco.
— Quando eu comecei a trabalhar no cartório, eu era muito nova, tinha de 12 para 13 anos. Aí passou uns anos chega esse morador [Abrante], aí peguei os documentos dele e vi o nome “Abrante Pacheco”. Aí eu perguntei: “Como que é o nome dos filhos do senhor?” E ele respondeu: “Barezi Samambrique Tarantine Pacheco”. Aí eu falei: “Uai, mas o senhor não tem esses sobrenomes, se o sobrenome do senhor é só Pacheco. Que tanto de nome é esse desse menino?” Ele disse: “Não, isso não é sobrenome não, meu sobrenome é só Pacheco”.
— Questionei: “Por que o nome desse menino é desse tamanho? ”. Abrante respondeu: “Não, isso é nome de jogadores, que eu juntei e coloco em cada filho meu”. Eu disse: “Moço, eu não vou fazer não. Existem mesmo esses jogadores? ”. Ele: “Existem!”. Aí, ele chegou e queria o nome nos filhos dele, naquela época não entendia bem sobre a lei, hoje a gente já não coloca, quando chega lá querendo registrar com nome de Mel, por exemplo, não fazemos. Aí registramos o Barezi Samambrique Tarantine Pacheco. Eu ainda falava: “Seu Abrante, esses meninos quando crescerem vão ser tão revoltados”. Eu acredito que registrei uns três desses meninos ou os quatro – disse.
Hoje, aos 76 anos, seu Abrante vive em Peixe, interior do Tocantins, a 285 km de Palmas. Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, novas inspirações podem surgir para que a tradição da família Pacheco siga viva. geRead More