Executivo do Inter detalha busca por reforços e pressão por vendas na janela; leia entrevista
Fabinho Soldado faz balanço do trabalho como executivo do Inter
Fabinho Soldado não faz rodeios ao projetar a próxima janela de transferências do Inter. Em meio a um cenário financeiro delicado, o executivo de futebol já trabalha com a necessidade de negociar jogadores e descarta contratações de impacto, aquelas de “lotar o aeroporto”.
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A lógica é clara. Eventuais vendas servirão para equilibrar as contas, honrar compromissos e abrir espaço para reforços que se encaixem no modelo de Paulo Pezzolano. No momento, o Inter observa o mercado com cautela, consciente de que não há margem para aumentar a folha salarial nem para competir por valores elevados em negociações.
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Nesse contexto, a direção trabalha com um calendário financeiro específico. A saída de jogadores pode até ser concretizada apenas no fim do ano, mas a necessidade de encaminhar negócios já nesta janela de meio de temporada é vista como determinante para o planejamento.
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Fabinho Soldado explica qual o poder de investimento do Inter
Fabinho adota a criatividade como princípio. A palavra se repete no discurso e resume a estratégia: encontrar soluções de mercado sem onerar o caixa. O foco está em atletas livres ou em operações com empréstimo e metas de compra. Algo semelhante ao adotado em negociações recentes, como as de Villagra e Alerrandro, ambas junto ao CSKA, da Rússia.
– O poder de investimento não é expressivo, mas isso não nos impossibilita de agir. Será com criatividade, oportunidade e relação para apresentar um projeto esportivo competitivo – ressaltou o dirigente em entrevista exclusiva ao ge.
Além da montagem do elenco, o executivo amplia o olhar para a estrutura do futebol. Contratado para “tomar decisões”, teve participação direta na reformulação das categorias de base. Ainda se coloca como um dos entusiastas da modernização do CT Parque Gigante, projeto liderado por Tinga, que considera decisivo tanto para o desenvolvimento quanto para o poder de atração do clube.
Fabinho pretende deixar um legado ao Inter
Tomás Hammes
Confira trechos da entrevista:
ge – O que você acredita que já conseguiu mudar do que encontrou quando chegou ao Inter?
Fabinho Soldado – Por tudo que aconteceu no ano de 2025, claro que encontramos uma ferida ainda aberta. Já tínhamos ideia do que encontraríamos e os desafios que teríamos pela frente. Me senti muito encorajado a vir para o Inter porque sabia que teria como colaborar para que pudéssemos tratar e olhar para o Inter com outros olhares e crescer durante o ano, que a gente sabe que será bem desafiador.
O que encontramos e o que pretendemos entregar no Inter é cada dia um clube mais organizado para que o torcedor possa se sentir mais seguro. Com a ajuda de todos os profissionais aqui do Inter, a ideia e a expectativa são de um trabalho muito difícil, mas acreditamos no final entregar um clube melhor.
Como superar os concorrentes com maior poderio financeiro?
Temos vários concorrentes. Não está fácil porque há a questão financeira, o momento do clube e a competição que você disputa. Você precisa fazer com que todas as partes envolvidas cheguem a um denominador. É claro que o atleta escolherá aquilo que entende ser o melhor para a carreira.
Tentamos com muita criatividade buscar quem queira jogar no Inter e esteja realmente muito disposto a se entregar dentro do que é o projeto do clube. O que fizemos em relação à montagem do elenco foi exatamente dessa forma. Poderíamos ter contratado em maior quantidade, sim.
Confesso que tentamos muitas outras situações, mas estou muito satisfeito com aqueles que aqui estão. Foram jogadores que se colocaram à disposição e entenderam o quanto era importante estar no Inter e vestir essa camisa. A maioria dos jogadores que chegou aqui já mostrou que tem talento e condições de colaborar.
Fabinho Soldado projeta o futuro da base do Inter após diagnóstico do futebol
O que o clube fará nesta janela do meio do ano?
É parte do trabalho tentar ser assertivo mesmo em meio às dificuldades. A conversa é muito realista com o nosso torcedor. Quando venho ao Inter, sei do tamanho do gigante, e o conheço dos dois lados. Conheço o que o Inter pode proporcionar para a minha carreira e para a carreira de um atleta. Sou prova viva disso. O que aconteceu com a minha carreira aqui no Inter foi algo espetacular. Venho para cá, consigo ganhar uma Libertadores e o Mundial e ter um destaque enorme.
A nossa ideia para o segundo semestre é fazer algumas modificações pontuais e fortalecer o elenco. Esse trabalho sabemos fazer. A cada temporada você melhorar o elenco e trabalha na gestão para que a equipe possa, daqui a um tempo, ser consistente. A cada janela, o Inter precisa ser ainda mais competitivo para que, em algum momento, atenda todas as expectativas do torcedor.
Também quero ganhar títulos e estar o tempo inteiro brigando pelas melhores posições. Para chegar lá, temos de saber sofrer. O sofrimento nos levará a algum objetivo. Por isso o trabalho está sendo dia a dia muito puxado e intenso. Temos uma comissão técnica e um treinador que tem esse perfil de buscar o máximo dos seus atletas. Temos o Abel Braga conosco todo o dia também liderando esse trabalho e entendemos que estamos em um caminho legal para dar resultado.
A nossa ideia para o segundo semestre é fazer algumas modificações pontuais e fortalecer o elenco. Esse trabalho sabemos fazer”
Qual o impacto da reformulação CT para a contratação de novos atletas? Fabinho explica
Qual é o poder de investimento que o Inter tem para essa janela? Que modelo de negócio será feito? É possível comprar jogadores?
Muito parecido com o que foi na primeira janela. O poder de investimento hoje nosso não é algo assim tão expressivo. De novo, é uma conversa muito realista. Mas isso não nos impossibilita de buscar boas ações. Será com muita criatividade, oportunidade e relação para mostrar um projeto esportivo.
O Alerrandro é uma posição muito específica. Tínhamos diversos concorrentes tentando a contratação e precisamos entrar com um propósito de que o Inter seria o melhor caminho para ele e que pudéssemos neutralizar outras investidas. Quando você consegue convencer o atleta e o estafe, ele vem simplesmente para jogar e nos ajudar para que o nosso elenco consiga reagir.
Com o tempo e fazendo os gols, esse atleta daqui a pouco se torna um grande ativo ao clube. Sem ter que fazer grandes investimentos, conseguimos fazer uma contratação muito importante. É muito parecido com esse modelo que faremos algumas contratações que certamente ajudarão bastante.
O Villagra está neste mesmo molde de negócio.
Do jeito que está jogando, o torcedor não o deixará ir embora. É outro jogador que veio nesse modelo e está entregando. Parece que já estava aqui há tantos anos. Sempre gostamos de valorizar todo o grupo. Estamos fortalecidos com grandes esperanças para ter essa continuidade, porque o processo só melhora assim. A ideia é que em cada janela sejamos ainda mais assertivos, entendendo que não acertaremos sempre.
Fabinho tenta equacionar situação financeira do Inter com necessidade de reforços
Tomás Hammes
O Inter também será assediado. O Bernabei, que tem se destacado, é um exemplo…
Como executivo, isso não me preocupa. Fico feliz da vida. Meu clube precisa ter jogadores que são procurados pelo mercado. Acho isso algo muito natural e mostra que existe um trabalho que está sendo muito bem feito. Um clube como o Inter não ter jogadores sendo especulados ou com ofertas seria ruim para nós. Agora, como e quando vender são outros momentos que precisamos analisar internamente. Hoje não temos nenhuma proposta oficial por ninguém.
Já é sabido que o Inter precisa vender jogadores. A ideia é vender, mas entregar no final do ano? E com a venda usar o dinheiro para reforçar o grupo?
Fazer futebol hoje em dia não está fácil. Existe um estágio onde é difícil equilibrar receita, gastos e a necessidade de venda. Gosto de dizer que para cada momento temos que fazer a avaliação para a situação que apareça.
É mais trabalhoso porque não consigo fazer só um planejamento. Preciso trabalhar com todas as possibilidades. Tenho uma ideia de manutenção e outra estratégia se precisar perder dois ou três jogadores. Dentro das minhas condições, será que valerá a pena vender esse jogador?
Por isso digo que esperaremos algo oficial para analisar em que estratégia isso se encaixará. Nos preparamos para tudo. É super gratificante porque percebemos que existe uma mudança de mentalidade. Tenho convicção que ali na frente entregaremos um Inter melhor, mas entendendo que precisamos passar por esse caminho. Não existe outra forma.
Será preciso negociar algum jogador já nesta janela?
Isso é orçamento, sim. A saída está totalmente ligada à entrada. Na verdade, é um orçamento de qualquer outro clube. Você precisa ter a venda em algum momento do ano para conseguir equilibrar as contas.
Como você avalia esses primeiros meses de trabalho?
É um trabalho de formiguinha. Você vai aos poucos analisando e fazendo os diagnósticos e, ao mesmo tempo, a equipe precisa estar performando. É por isso que preciso de uma equipe competente comigo. Não consigo fazer nada sozinho, não posso ficar com um olhar somente para os três pontos. Ganhar o jogo é fundamental, mas como é que eu ganho um jogo? O que acontece por trás das câmeras para estruturar uma partida?
Existem várias situações na semana: a alimentação do atleta, o descanso, o preventivo. Hoje no futebol há um investimento muito grande no preventivo para que os dias de lesão sejam diminuídos. Esse trabalho de bastidores já está sendo desenvolvido. Algumas etapas necessitam de mais investimento e outras nós estamos implementando.
Quando o atleta chega no dia do jogo, já passou por muitas etapas que o deixaram em condição para performar. Coloco grande parte do meu tempo nessas etapas, para que o treinador tenha o maior número de atletas disponíveis e em boa condição física e mental. Paralelamente, existe um olhar enorme na questão de melhorar o centro de treinamento. O Tinga, um amigo muito querido, entendeu a nossa necessidade. Sempre conversava com ele e está nos ajudando a buscar recursos.
Fabinho e Abel estão com Tinga no projeto de reforma do CT do Inter
Ricardo Duarte/Divulgação, Internacional
Existe um trabalho estrutural que também passa pela base. Entendemos que era o momento de uma ruptura e trouxemos um profissional superpreparado para a base e ajudar o Inter a ser forte. Como gestor do futebol do clube, olho para todas as linhas para que o torcedor entenda que existe um trabalho sendo estruturado. Quero muito contribuir. Meu objetivo é olhar para o torcedor e ver que estou levando muito mais felicidade do que tristeza.
Como foi o processo de mudança na base?
Eu já vim para isso. Quando recebi o convite do nosso presidente, vim para ser o gestor do futebol profissional, do feminino e da base e tomar decisões. Quando chego, faço o diagnóstico e analiso os cenários. O profissional que chegou para a base foi uma oportunidade de mercado e entendi que agora seria o momento.
No futebol feminino, passamos uns dois meses tentando achar o melhor perfil para a executiva e chegamos no nome da Renata, que é superpreparada. As tomadas de decisões ocorrerão sempre em prol do meu compromisso com o torcedor. Dedico a maior parte ao profissional, mas precisamos ter um olhar para a base, pois é dali que virá a sustentabilidade para a equipe profissional.
Você citou o Tinga. Como surgiu essa ideia de reforma do CT liderada por ele?
Não tenho o tempo para ser a pessoa que fará o movimento e não sou o mais preparado para isso. Minha parte foi mostrar a necessidade ao Tinga. Como ele é um amigo, o Inter estava sempre presente nas nossas conversas e sempre percebi que queria ajudar o clube, falei: “Tinga, acho que agora é a hora de unir o teu desejo com o que tenho hoje por carência. Não quero que nos ajude a contratar jogador. Preciso melhorar a estrutura do clube”.
Podcast ge: Tinga comenta sobre a importância de Fabinho Soldado e Abel Braga no Inter
Tiramos um projeto do papel e demos vida. Não tem ninguém melhor do que o Tinga para dar vida a um projeto tão lindo que deixará um legado. Partiu da nossa necessidade de ser criativo para dar ainda mais estrutura aos atletas que aqui estão e aos que chegarem. Temos um estádio maravilhoso e nossa ideia é ter um dos melhores CTs em relação à estrutura e beleza natural. Quero ter o prazer de um dia sair da cadeira e olhar para trás e ver que colaboramos.
A melhora no CT pode pesar para o jogador escolher vir para o Inter?
Claro! Se você quiser contratar bons atletas, precisa dar condições. Como que ganharei três pontos? Como ganharei um campeonato? Como é que eu permaneço ganhando campeonatos no Brasil com tantas outras equipes preparadas?
Aqui no Brasil vemos clubes com pouca história e outros com grandes que estão reinventando seus processos e sendo ainda mais competitivos. Existe uma necessidade enorme de ficar atento a isso. Além da coragem, você precisa ter determinação e ser forte para aguentar as críticas, porque todo mundo só quer olhar para o resultado.
Mas me recuso a olhar apenas para isso. Preciso ter responsabilidade com o clube e com o que entregarei. Às vezes, o processo demora um pouco mais de tempo, mas tenho certeza de que é o caminho. Estou super disposto a percorrer esse caminho e conseguir aquilo que o torcedor espera.
Fabinho Soldado opina sobre a briga do Inter no Brasileirão
A partir do jogo contra o Santos, na sétima rodada do Brasileirão, Pezzolano mudou o jeito de jogar do time. Isso foi discutido com a direção?
O mérito é 100% do nosso treinador. O Abel e eu estamos aqui para dar estrutura por trás. Acho muito legal da parte dele a humildade de reconhecer que era o momento de jogar de um outro jeito. Isso é alinhado com conversas com o Abel e comigo. A estrutura que o Inter passa ao treinador é uma que eles merecem receber.
Estamos o tempo inteiro trocando. No início, era um estilo bacana, criando oportunidades, mas não saiu da forma que o Paulo queria. Ele teve a capacidade e humildade para analisar de outra forma, colocar os jogadores para jogar de outro jeito e recuperou alguns atletas. Acreditamos que os processos precisam ser melhorados e o profissional só consegue isso em um ambiente que ele se sinta seguro. O treinador precisa saber que, se errar, tem gente com quem pode trocar ideia e dar respaldo.
Pelo que o Inter lutará no Brasileirão?
Não queremos dar metas, gerar uma expectativa que precise de outros passos primeiro. O que se fala aqui dentro é melhorar a cada rodada. É um trabalho gradativo. Não tem muito segredo. O objetivo é a equipe melhorar para que consigamos olhar para cima e mirar outras possibilidades. Não queremos trazer mais expectativa. A ideia nossa é conseguir os pontos e estar em uma colocação marcante.
Fabinho Soldado busca dar respaldo ao trabalho de Pezzolano no Inter
Ricardo Duarte/ Internacional
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