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Fábrica de craques: a escola que formou Haaland e Odegaard e ajudou Noruega a voltar à Copa

Fábrica de craques: a escola que formou Haaland e Odegaard e ajudou Noruega a voltar à Copa

Iraque 1 x 4 Noruega | Melhores momentos | 1ª rodada | Grupo I | Copa do Mundo 2026
A Noruega entra em campo nesta segunda-feira contra Senegal, às 21h (de Brasília), em Nova Jersey, carregando o rótulo de uma das sensações da Copa do Mundo.
Liderados por Martin Odegaard e Erling Haaland, os escandinavos buscam carimbar a classificação antecipada para o mata-mata após golearem o Iraque por 4 a 1 na estreia. O sucesso atual, porém, não é apenas em razão do capitão do Arsenal e do artilheiro do Manchester City.
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Erling Haaland comemora gol da Noruega com David Moller Wolfe, Martin Odegaard e Fredrik Aursnes na Copa
Reuters/Winslow Townson
Odegaard e Haaland não nasceram para o futebol no mesmo lugar. O camisa 10 cresceu em Drammen, no sul do país; já o 9 fez seus primeiros gols no Bryne FK, um clube modesto da costa sudoeste. No entanto, as trajetórias de ambos foram influenciadas por uma escola de futebol criada pelo país.
Em 2013, a Federação Norueguesa de Futebol estabeleceu a Landslagsskolen (Escola da Seleção Nacional) para lapidar os melhores jovens jogadores do país. O projeto é responsável por construir mais do que a forte seleção norueguesa: ele forjou a cultura e o desenvolvimento coletivo desse time. O papel da escola é identificar os melhores jovens (meninos e meninas) entre 12 e 16 anos em toda a Noruega e, em seguida, criar um caminho para esses atletas entrarem nas seleções nacionais de base.
– Quando criamos a Landslagsskolen, muito foi inspirado em nossas experiências com Martin (Odegaard). Todos olhavam para ele e diziam: “Ele tem que ser jogador da seleção”. Se ele não chegasse a esse nível, a culpa seria nossa. A mente dele era algo especial. Encontrava soluções que ninguém mais via. Pequeno fisicamente, mas muito inteligente – disse Hakon Grottland, atual chefe de desenvolvimento de jogadores da escola, ao site americano The Athletic.
Viking Haaland! Jogadores da Noruega se vestem como vikings em ensaio de fotos
Grottland conheceu Odegaard quando o garoto tinha 11 anos. Mas o capitão norueguês desta Copa não é o único a se beneficiar do projeto. Haaland surgiu no programa muito antes de explodir para o estrelato mundial, junto com Antonio Nusa (hoje no RB Leipzig), Jorgen Strand Larsen (Crystal Palace) e Andreas Schjelderup (Benfica).
– Temos muito orgulho da cultura que construímos. Não há espaço para egos inflados, apenas caras legais. Haaland e os outros adoram estar na seleção porque se sentem parte de um grupo – afirmou Grottland.
O país investiu na construção massiva de campos de gramado sintético abertos ao público e pequenas arenas cobertas. Isso garantiu que crianças de todas as regiões pudessem acumular milhares de horas de jogo por conta própria, driblando os invernos rigorosos que antes paralisavam o futebol no país.
Martin Odegaard posa em foto oficial na seleção da Noruega para a Copa do Mundo
Jared C. Tilton/FIFA via Getty Images
– A Landslagsskolen foi absolutamente crucial. Ela criou uma ponte através do sistema e definiu uma direção comum para o conhecimento do futebol, metodologia de treino e princípios de jogo – explicou Grottland, em entrevista à UEFA.
A Noruega passou duas décadas amargando eliminações depois de disputar as Copas do Mundo de 1994 e 1998, quando derrotou o Brasil na fase de grupos. Depois de 28 anos sem disputar o Mundial, chegou a geração de Haaland, hoje com 25 anos, e Odegaard, com 27. Ambos nasceram sem ver a seleção em Copas.
– Havia muita frustração no futebol norueguês. Ninguém falava sobre desenvolvimento de jogadores, mas entre 2010 e 2020 houve uma revolução de conhecimento. Houve uma mudança. O mais importante foi olhar para a nossa metodologia de treino. Hoje vemos o futebol como um esporte de inteligência, um esporte cognitivo, de resolução de situações. É aí que está a habilidade. Tivemos sucesso nos anos 90 baseado na defesa e na disciplina, mas depois mudamos o foco para o desenvolvimento de muitos jogadores ofensivos – explicou Grottland.
Iraque x Noruega – Copa do Mundo
REUTERS/Peter Cziborra
Hoje a Escola da Seleção conta com 700 funcionários. Cada distrito da Noruega tem um dedicado às operações, com treinadores de base de clubes da primeira divisão local também trabalhando no sistema. Salvo raras exceções como Odegaard, os jovens permanecem em seus clubes de bairro locais até completarem 12 anos.
– Talento no modelo norueguês tem a ver com o amor pelo jogo. Jogadores que dormem com a bola na cama, que se cobram e aprendem com os erros. Não se trata apenas de habilidade técnica, trata-se do seu próprio desenvolvimento e do desenvolvimento da sua equipe. Estamos sempre interessados em saber como os jovens jogadores são como seres humanos e como companheiros de equipe – completou Grottland.
Esse senso de pertencimento é ancorado desde cedo e conecta os jogadores. O rei Harald V, monarca norueguês de 89 anos, foi chamado para anunciar a convocação final dos 26 convocados, com os nomes dos atletas inseridos em cenários típicos.
A conexão com os torcedores também cresceu. A torcida norueguesa já chama atenção nesta Copa com a coreografia simulando o ato de remar, uma alusão aos seus ancestrais vikings. Os jogadores também entraram no clima em uma foto oficial do Mundial que os retratou como guerreiros vikings às margens de um fiorde.
– Embora tenhamos grandes estrelas, elas não têm grandes egos. Nossa cultura de equipe é a nossa vantagem competitiva. Isso remete à Escola da Seleção Nacional, onde não se ensina apenas futebol. Tenta-se ensinar o valor de contribuir para um grupo. O time é maior do que qualquer indivíduo. E você vê isso na forma como os jogadores agem no maior palco do mundo hoje. Eles estão voando no topo do futebol de clubes, mas têm plena consciência dos valores de onde vieram – concluiu Brede Hangeland, ex-zagueiro da seleção e hoje assistente técnico da Noruega.
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