Grande 1º tempo rende vaga antecipada ao bom time dos Estados Unidos
Organização tática, técnica para abrir defesas, força física para impor um ritmo forte. Se uma equipe de futebol precisa desses predicados para fazer sucesso, os Estados Unidos mostraram que estão nesse caminho mais uma vez. Bateram a Austrália na tarde desta sexta, em Seattle, e merecem ser olhados com atenção. Até quando o nível do time caiu, a boa proteção de área mereceu destaque.
É claro que Paraguai e Austrália, apesar de se mostrarem competitivos contra grandes seleções recentemente, não são exatamete o melhor nível que os estadunidenses terão pela frente. O tamanho da imposição em três dos quatro tempos disputados, porém, chama a atenção. As modificações feitas pelos Socceroos ao longo do jogo mostraram que a proposta inicial foi equivocada.
Escalações
Mauricio Pochettino teve o importante desfalque de Pulisic. Ricardo Pepi foi titular. A única mexida na equipe. Ele trabalhou bem perto de Balogun, pelo centro do ataque, quando os Estados Unidos tinham a bola. Tony Popovic mexeu em duas peças que foram bem na estreia. Metcalfe e Irankunda. Velupillay e Leckie foram as escolhas dos homens mais próximos de Touré.
Como Estados Unidos e Austrália iniciaram o duelo válido pela 2ª rodada do Grupo D
Rodrigo Coutinho
O jogo
As boas atuações de estadunidenses e australianos na rodada inicial da competição gerou expectativa positiva dentro do que eles poderiam apresentar na ensolarada Seattle, e o jogo não demorou a esquentar. A Austrália tinha naturalmente uma postura mais reativa, mas não deixava de tentar subir o bloco de marcação também. Isso foi positivo num primeiro momento, mas negativo pouco depois.
Antes do minuto inicial, Touré já havia finalizado dentro da área adversária. Fruto de uma boa pressão feita por ele mesmo e que gerou um erro de Freeman e de Richards. O problema é que isso geraria espaços nas costas da defesa. Não que a ”marcação alta” estivesse presente o tempo todo, mas sempre que os Estados Unidos davam um passe para trás, a defesa subia.
Aproveitando esse movimento, Robinson recebeu na linha média e enfiou em profundidade para Balogun deixar Circati para trás e cruzar rasteiro na pequena área. Burgess veio na corrida e marcou contra.
Folarin Balogun e Antonee Robinson comemoram o gol contra de Burgess, da Austrália, a favor dos Estados Unidos
IMAGN IMAGES via Reuters/Troy Wayrynen
O domínio dos anfitriões era ampliado pelas conexões entre Sergiño Dest e McKennie pela direita. Eles se alternavam entre ficar aberto no setor e atacar o espaço entre Jordan Bos e Burgess. Eram ágeis, inteligentes e agressivos. Os australianos não conseguiam detê-los. Freeman às vezes encostava por trás da linha da bola. Tilmann também se aproximava. Os Socceroos estavam em pânico.
Se ainda conseguiam vencer alguns duelos e deixar a bola no ataque por alguns instantes nos minutos iniciais, fato que chegou a gerar uma boa finalização a Leckie, os comandados de Popovic foram cada vez mais sendo empurrados para trás. Sufocados pela pressão estadunidense sem a bola também. O segundo gol era questão de tempo.
E ele veio em jogada ensaiada. Mais uma entre as produtivas bolas paradas dos Estados Unidos. Robinson acertou mais um passe preciso na falta ao lado da grande área pela direita. Livre na entrada da área, Sergiño Dest bateu firme, a bola desviou em Souttar e subiu antes de encontrar a cabeça de Freeman. O gol chegou a ser anulado por impedimento, mas confirmado após consulta ao VAR.
Alex Freeman ganha de Patrick Beach para ampliar para os Estados Unidos contra a Austrália
Reuters
A Austrália fez três mexidas no intervalo. Touré, Velupillay e Burgess saíram para as entradas de Irankunda, Metcalfe e Jason Geria, que foi o zagueiro mais a direita. Souttar foi mantido no centro da linha de defesa e Circati passou a ser o zagueiro mais a esquerda.
Os Estados Unidos continuaram dominantes, sem correr riscos e com menos intensidade, mas superiores. A Austrália aumentou um pouco o seu tempo com a bola e consequentemente cederam espaços para contragolpes. Em um deles, Balogun saiu cara a cara com Beach ao receber de Adams em profundidade, mas demorou a bater e foi bloqueado por Circati.
O experiente Leckie cedeu lugar a Volpato ainda aos 15 minutos. Teve muita dificuldade de se adaptar ao ritmo do jogo. Com três peças de fôlego novo e de perfil mais agressivo no ataque, os australianos começaram a incomodar os anfiriões. Irankunda fez ”fumaça” nas costas da defesa adversária. Produziu duas jogadas finalizadas da entrada da área por Metcalfe e Volpato, mas sem precisão.
Apesar da mudança de cenário e do insistente sol – a partida começou ao meio-dia no horário de Seattle -, Pochettino só foi fazer a primeira mexida perto dos 30 minutos. Ricardo Pepi saiu e Berhalter entrou. Tillman ganhou mais liberdade no momento defensivo. McKennie passou a a fazer função dele de compor a linha de quatro do meio pela esquerda.
Antonee Robinson e Aiden O’Neill se desentendem em EUA x Austrália
Reuters/Troy Wayrynen
Irvine foi a última cartada de Popovic. Okon saiu. O time da Oceânia reclamou de pênalti em dois lances. Em um deles, Irankunda sofreu uma carga de McKennie. E no outro, a bola bateu no braço de Berhalter. Pochettino seguiu seu cuidados defensivos a partir dos 35 minutos. Sacou Sergiño Dest e Robinson para as entradas de Scally e Trusty.
A Austrália rondou a área e fez muitos cruzamentos. Richards foi muito bem ao cortar vários deles. Tim Ream também não comprometeu. Irvine melhorou o nível da circulação de bola da equipe. Faltou poder de fogo para ao menos diminuir o placar, algo que seria mais justo com a história do 2º tempo.
Nos acréscimos ficou bem claro o grau de exigência que a partida teve. O árbitro alemão Félix Zwayner teve cãibras, o que atrasou um pouco mais o apito final e possibilitou as entradas de Wright e Reyna quando já não havia mais tempo para nada. geRead More


