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Marlon planeja retorno rápido ao Grêmio e lembra lesão que chocou o Brasil: “Só ouvi o estalo”

Marlon planeja retorno rápido ao Grêmio e lembra lesão que chocou o Brasil: “Só ouvi o estalo”

Marlon detalha o momento em que fraturou o tornozelo
Marlon recebeu o ge para a primeira entrevista após a lesão grave no tornozelo direito que impressionou torcedores na Arena e à frente da televisão Brasil afora. O lateral-esquerdo do Grêmio precisou “reaprender” a andar e, há cerca de duas semanas, deu as primeiras voltas em torno dos campos do CT Luiz Carvalho.
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Em partida contra o Vitória, em 19 de março, Marlon caiu sobre o pé, que girou 90 graus. Fraturou o tornozelo direito e quebrou a fíbula. Precisou reconstruir ligamentos. O estrago se fez grande, mas a cena em campo foi pior do que a lesão em si, garante o jogador.
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Tanto que o lateral planeja voltar a treinar com o grupo gremista até o final de junho – o elenco se reapresenta das férias no dia 17. Nos últimos dias de julho, no retorno dos jogos após a Copa do Mundo, espera estar à disposição do técnico Luís Castro para as partidas.
Marlon avalia o trabalho de Luís Castro no Grêmio
Para a entrevista, o lateral chegou à sala de imprensa do CT Luiz Carvalho caminhando com naturalidade. Não usa mais a bota imobilizadora e, como lembrança mais viva da lesão, carrega a cicatriz da cirurgia no tornozelo. São 18 pinos e uma placa de metal no local.
Com a personalidade forte que o fez um dos líderes do vestiário gremista, usa a experiência para manter o alto astral. Em 2020, fraturou o rosto ao se chocar com o goleiro do próprio time, então o Boavista, de Portugal, e também precisou enfrentar as consequências de uma lesão grave.
Além de detalhar a lesão e a recuperação, Marlon defende o trabalho do técnico Luís Castro, que enfrenta instabilidade desde a conquista do Campeonato Gaúcho, em março. Como um dos pilares do elenco, pede à torcida confiança no projeto.
Marlon mostra cicatriz da cirurgia no tornozelo direito
Rafael Favero / ge.globo
Confira trechos da entrevista:
ge – Como tem sido a recuperação desde a lesão?
Marlon: A primeira semana pós-cirúrgica foi muito ruim. Eu estava com gesso e tinha muitas dores. Não dormi nada em uma semana. Tive alguns probleminhas de pós-operatório. Tu não dorme, fica muito estressado, irritado. Deu mancha na pele de estresse, dor de cabeça, o pé latejando o tempo inteiro.
Mas depois da segunda semana em diante, eu já fiquei sem medicação, tirei o gesso, comecei os trabalhos. Eu queria vir o quanto antes para o clube começar a recuperação. Minha rotina nesses últimos dois meses se resume a isso. Cedinho eu venho para o clube, faço fisioterapia, volto para casa. Eu tenho uma equipe pessoal também, com a qual faço tratamento. Faço tratamento até a noite, umas 20h, todo dia nos últimos dois meses. Tem sido muito bom.
Por sorte, tive uma fratura simples para a imagem que foi. É uma lesão que, desde que eu estou no futebol, já vi muitas vezes acontecer. É normal, acontece. A recuperação tem sido muito boa. Estou sendo beneficiado também pela pausa para o Mundial. Acho que no final do próximo mês já vou estar em condições de treinar com o grupo e apto para voltar a jogar normalmente depois da Copa.
Marlon conta como está sua rotina de tratamento da lesão
Para quem estava assistindo, a cena da lesão foi bem impactante. Como foi aquele momento para ti? Você parecia calmo na hora.
Eu sou um cara muito tranquilo quanto a essas coisas. Eu tenho um histórico de fraturas no rosto. Já estou vacinado. Foi uma jogada simples, que eu já fiz várias vezes. Eu tinha visto o espaço nas costas da última linha do Vitória e sabia que se eu fizesse um tapa longo na bola ou se conseguisse uma tabela, eu ia sair na cara do gol.
Na hora que eu trombo com o jogador, quando eu estou caindo, sinto que o meu pé vai quebrar porque eu estou caindo em cima do meu pé. E eu só escutei o estalo. Não senti dor nem nada, até porque está no impacto do jogo. Quando eu virei, que eu tentei puxar a minha perna, eu vi que não estava vindo. Eu olhei e vi na hora que quebrou. E como a gente tem muito tempo de jogo, muita experiência, eu falei: “Olha, se não está sangrando, não foi tão ruim quanto parece”. Mas falei assim: “Que porcaria, quebrou”. Olhei para o pessoal com a perna pendurada e fiz o sinal para trocar.
Na hora que eu trombo com o jogador, quando eu estou caindo, sinto que o meu pé vai quebrar porque eu estou caindo em cima do meu pé. E eu só escutei o estalo. Não senti dor nem nada”
Imagens fortes: Jogadores e torcedores do Grêmio choram após Marlon quebrar a perna
Vi que todo mundo ficou desesperado, mas eu estava tranquilo porque eu presenciei, infelizmente, algumas lesões iguais a minha ou até piores. Como eu sou um cara que leva isso muito assim, falei: “Poxa, quebrou e tal. Tenho que deixar os caras tranquilos para conseguir manter o jogo”.
Na hora, eu achei engraçado que, quando eu estava deitado, o pessoal veio para me tranquilizar. O Weverton chegou muito rápido. Eu falei para ele: “Pode ficar tranquilo”. Eu briguei com o pessoal da nossa equipe médica. Começaram a jogar muita água na minha cara. Eu falei: “Eu estou bem, vocês vão me afogar. Fica tranquilo”.
O pessoal cortou minha chuteira para tirar ela. O médico do Vitória, que eu tenho contato com ele até hoje, fez um trabalho excelente também, reposicionou meu tornozelo no lugar. Eu senti tudo voltando, colocando no lugar. Eu vi que o pessoal do estádio ficou muito mexido. Era bom deixar essa mensagem também. O pessoal fica comovido. Eu sou um cara que não costumo fazer nada pensado. Eu faço tudo do coração, tudo ao natural, então aplaudi o pessoal, agradeci.
Como tem sido a rotina nesse tempo em casa?
Sempre gostei de assistir jogos, de analisar, de ver os adversários. Agora, em casa, mais ainda. Eu estava vendo a reta final do futebol europeu. E os nossos jogos. Secando todo mundo também. Torcendo para todo mundo empatar, mas estou sempre assistindo jogos.
A gente vem no dia a dia aqui (no CT), conversa bastante. Temos um ambiente muito bom aqui no Grêmio. A gurizada sempre entra ali no departamento médico para conversar e dialogar sobre os jogos. Antes dos jogos, a gente acaba conversando sobre como é que vai ser o time que a gente vai enfrentar. Sempre tem esse costume, de analisar os adversários.
Hoje todo mundo se conhece no Brasil, mas a gente tem um elenco também que é muito novo e tem alguns jogadores que chegaram há pouco tempo. Tento passar um feedback. Eu ainda mantenho o meu ritual antes dos jogos, de explicar para o Amuzu quem é quem, quem ele vai enfrentar, quem ele não vai. E ainda auxilio ele e o Pedrinho (Pedro Gabriel) na comunicação. Tem sido bom, eles estão fazendo um bom trabalho juntos. Mesmo não jogando, estou participando um pouquinho da rotina dos jogos.
Marlon recebeu o ge para entrevista no CT Luiz Carvalho
Rafael Favero / ge.globo
Essa conversa com o Amuzu ocorre nos treinos?
No dia a dia. Ele sempre vem ali de conversa. Até teve um dia, quando ele começou a jogar com o Pedrinho, por ter a barreira linguística, a gente combinou umas coisinhas que eu já tinha com ele. Aí eu traduzi para o Pedrinho. Fiquei no triângulo fazendo a tradução. Estão se entendendo muito bem.
Eu pude voltar agora ao vestiário, no jogo do Santos. Foi muito importante para mim estar ali, presente. Quando tu se machuca, tu fica um pouco isolado, pode-se dizer assim. No momento que tu tem uma lesão que vai te afastar por mais tempo, além de ter uma batalha mental contigo mesmo, ter o suporte dos teus colegas, das pessoas que trabalham no clube, é muito mais tu e tu. Então, para mim também me sentir vivo ali, poder dar uma energia, poder passar minha visão um pouco das coisas. Tenho esse costume de ser um cara um pouco mais ativo também, em pronunciamento (no vestiário).
Marlon admite acompanhar rivais nas horas vagas: “Secando todo mundo”
Você vinha em um bom momento e era importante para o time antes da lesão.
O futebol tem umas coisas engraçadas. Acho que até então era o melhor momento que eu vivia no Grêmio. Fazendo gols, tendo mais relevância no jogo. A gente está construindo um projeto novo com o Luís (Castro) aqui. Teve um ano político no clube meio intenso também. Está tendo trocas, a gente está reconstruindo o clube em todos os setores.
E claro, me considero um dos pilares desse elenco, até por estar há um pouco mais de tempo aqui. Por a gente ter jogadores muito jovens também. Nos jogos mais recentes, temos terminado com muitos meninos. Isso é uma coisa boa, mas também em alguns momentos não é tão bom porque falta experiência, falta cancha. Infelizmente, quando acontece uma coisa ruim com um colega, abre portas para outro. Temos o Pedrinho, que está aparecendo muito bem, um menino que já vem há um bom tempo indo e voltando aqui do profissional, agora se firmou e está jogando muito bem.
Mesmo se eu não tivesse machucado, no futebol é assim. Se um dia tu não está performando muito bem, tu é substituído. Mas, claro, eu fico triste por estar fora, mas não lamento muito porque desde o momento que eu machuquei no outro dia eu já estava empenhado em voltar.
Procurei vir ao CT o mais rápido possível, sabendo da minha relevância dentro da equipe. E agora que eu estou fora eu faço as coisas fora do campo que eu sei que podem agregar. Eu continuo falando com os mais novos, a gente continua debatendo. Vira e mexe ligo para os auxiliares para falar das jogadas. Falo muito com o Luís. Temos uma relação muito boa, eu converso muito com ele.
Às vezes, ele (Luís Castro) pede para a gente ajudar com outro jogador também. A gente faz muito esse papel aqui dentro, os jogadores mais experientes fazem isso. Então, da maneira que eu posso, estou contribuindo, também me preparando para voltar. Eu fiquei muito feliz no dia que eu voltei a caminhar ali no campo. O pessoal foi todo me receber, foi muito bacana.
Como foi o período no qual você ficou sem jogar pela fratura no rosto, em Portugal?
Eu destruí esse lado (esquerdo) do rosto. O meu arco zigomático (maçã do rosto) foi para o beleléu. Já destruí o nariz também. Então, eu tenho placa aqui, tenho pino aqui, tenho placa aqui. O nariz é placa. Tudo acidente de futebol. A gente está acostumado. São coisas que a gente não controla. Eu faço o meu melhor para poder deixar as coisas saírem da maneira que eu quero. Aquilo que eu não controlo, tu assimila a situação e depois trabalha para resolver o problema.
É uma lesão um pouquinho mais chata do que as do rosto que eu tive. Sei que quando eu voltar vai ser um momento de muita parcimônia. Vou ter que ser inteligente, mas estou muito tranquilo quanto a isso. Estou sendo muito bem assistido aqui no clube. Tem uma equipe médica muito boa fora também. Tenho uma pessoa que trabalha comigo há anos que me ajuda bastante. É mais ter paciência, que é a palavra que eu mais tenho usado nesse processo. E trabalhar bem para voltar rápido e jogar bem.
Já destruí o nariz também. Então, eu tenho placa aqui, tenho pino aqui, tenho placa aqui. O nariz é placa. Tudo acidente de futebol. Então, a gente está acostumado. São coisas que a gente não controla”
Momentos assim, de lesões mais sérias e de longa recuperação, fazem o jogador de futebol repensar algo sobre a carreira?
Acho que é mais difícil para o jogador quando ele está fora. Acho que isso é de todos os jogadores. O jogador em si, de uma maneira positiva – alguns, infelizmente, negativa –, tem muito da vaidade, do ego, de estar jogando, de estar sendo visto, de querer estar performando. Acho que isso sim é um pouco ruim quando tu está de fora. Tu se sente isolado, não se sente parte do que está acontecendo.
Mas eu sou um cara muito positivo. Sou um cara zero energia ruim, eu gosto muito de vibe boa, de positividade. Uma coisa que a gente não deixa se instaurar aqui no Grêmio é isso. A gente sempre joga a peteca para cima. Tem que estar todo mundo com um ambiente muito bom. Acredito muito nisso, que energia boa traz coisa boa. Cara, eu acho que aconteceu o que tinha que acontecer.
Eu vou ser bem sincero. Eu comentei com os guris antes, no jogo contra o Atlético-MG, tive uma entrada muito pior do que foi a minha lesão. E não aconteceu nada na minha perna. Podia ter quebrado a perna ali, destruído a perna. E foi um lance que é de jogo, o Natanael não quis me pegar, claro. Mas foi muito pior. A gente costuma chamar de livramentos.
No jogo contra o Atlético-MG, tive uma entrada muito pior do que foi a minha lesão. E não aconteceu nada na minha perna. Podia ter quebrado a perna ali, destruído a perna”
No jogo contra o Bragantino também, eu quase mandei meu joelho para o beleléu. Quando tu está em campo, está propenso a essas coisas acontecerem. É do jogo. Assim como em outras modalidades também, tem “n” lesões, tem “n” situações que tu não controla.
Em 11 anos de carreira, eu tive duas, três lesões musculares. E agora tive essa lesão aqui, em um momento muito bom. Mas eu sempre tiro o aprendizado disso. A gente tenta refletir, às vezes as coisas acontecem por algum contexto também. Tenho que entender, assimilar e trabalhar. Eu gosto muito disso, de entender as coisas rápido e já procurar uma solução. E a solução é o trabalho. A solução é acreditar naquilo que tu tem que fazer e se preparar para voltar e entregar o melhor possível.
Imagens do Marlon de volta ao CT após grave lesão
Depois de um longo tempo parado, a maioria dos jogadores costuma demorar um pouco para recuperar a confiança. Acha que vai conseguir voltar a atuar como antes rapidamente?
O jogo de futebol se resume à confiança. Acho que o jogo é mais psicológico do que físico. Eu sei que as minhas qualidades estão aqui comigo ainda, é claro. Mas eu fiquei um período fora, estou um período fora, significativo. Eu vou ter o tempo todo para treinar, para jogar, para me aprimorar antes de voltar oficialmente.
Eu não sou mais menino, fiz 29 anos recentemente, o pessoal mais novo brinca comigo. O Mec e o Tiaguinho falaram que eu estou velho já. É complicado. Mas eu já tenho uma certa experiência também, já voltei de outras lesões. Sei como tem que fazer, como é que tem que evitar alguns caminhos que possam ser prejudiciais, buscar alguns atalhos. Acho que isso só se adquire jogando. Algumas barreiras vão ser quebradas jogando, nos treinamentos, o próprio medo.
Eu sou um cara que joga sempre com o pé embaixo. O meu estilo de jogo é esse. Acho que isso não vai ser um problema. Sei que não vou voltar, de início, performando da maneira que eu estava. Mas estando apto fisicamente, ganhando minutagem, acho que as coisas acontecem ao natural e não me pressiono quanto a isso.
A ideia é estar à disposição na retomada dos jogos logo depois da Copa?
Sim, sim, eu vou voltar já a treinar. Eu vou poder correr daqui algumas semanas, acho que duas, três semanas, eu vou poder começar a correr normalmente. Estando tudo certinho, vou poder, depois da folga da Copa do Mundo, começar a treinar com a equipe depois de um certo tempo. Acho que eu vou ter aí 40 dias, quase 45 dias para me preparar para jogar. Isso treinando com a equipe. É um bom tempo, é praticamente uma pré-temporada, do zero. E diferente dos atletas que estão jogando direto, mesmo com a lesão, eu tive umas férias bem grandes. Vou ter tempo para me condicionar muito bem. Vou poder esticar a corda bastante para voltar em um ótimo nível físico.
Marlon em primeira caminhada sem uso de muletas
Lucas Uebel/Grêmio FBPA
O que você pode comentar sobre o trabalho do Luís Castro? Depois do título gaúcho, há uma fase de instabilidade. O que o torcedor precisa saber sobre esse trabalho?
Eu acho que o nosso trabalho é bom, dadas as circunstâncias. Claro que, pelo investimento, por toda a expectativa que sempre é gerada em um clube do tamanho do Grêmio, a gente poderia estar performando melhor. Mas tem alguns aspectos que precisamos analisar. E é sempre difícil quando a gente vai passar essa lista para o torcedor.
A gente perdeu, infelizmente, muitos jogadores por lesão. Temos um elenco muito, muito jovem. O Grêmio trabalha muito bem suas categorias de base. Tem um salto de jogadores muito bom, mas ao mesmo tempo temos que ter cuidado para não queimar esses atletas. Alguns jogadores conseguiram entrar e já se consolidar na equipe. E alguns ainda estão nesse processo de bate e volta. Ganha minutos, sai e volta. O Luís é um treinador que sabe trabalhar muito bem com esses jogadores. Tem experiência em trabalhar com jogadores jovens.
No nosso futebol, no nosso campeonato, o nível de competição que exige, tu precisa ter equipes mais encorpadas, ter jogadores mais prontos, atletas que vão vestir a camisa e já resolver o problema, ainda mais com o calendário que a gente tem, que é muito apertado. Sabemos também que alguns jogadores vão sair, mais gente vai chegar. Não é só no Grêmio, é em todas as equipes.
Foi um primeiro semestre no qual a gente utilizou muito a base, muitos meninos, e também em alguns momentos, por inabilidade nossa e por azar nosso também, a gente não conseguiu ter alguns resultados que esperava ter. Acho que o trabalho vem sendo bem feito. Trouxemos um treinador com um projeto a longo prazo. Aqui dentro do clube, a gente sabe disso. As pessoas que trabalham aqui sabem disso, acreditam nisso.
Foi um primeiro semestre no qual a gente utilizou muito a base, muitos meninos, e também em alguns momentos, por inabilidade nossa e por azar nosso também, a gente não conseguiu ter alguns resultados que esperava ter”
A mensagem que eu queria deixar para o nosso torcedor é que acreditasse nesse projeto, o que está sendo feito. O Grêmio hoje é um clube que estruturalmente é muito bom, dá as melhores condições. Aqui não tem problema nenhum com vencimentos, os atletas recebem completamente em dia, a estrutura é excelente. Tem um grande treinador, mas a gente está construindo uma equipe. O Grêmio não vai fazer uma equipe em seis meses para ser campeão brasileiro, para ser campeão da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana.
Estamos fazendo um projeto para consolidar um time, a gente está revelando jogadores que, posteriormente, vai ser difícil segurá-los aqui, para fazer receita, para valorizar mais o que vem sendo feito lá em Eldorado do Sul (onde fica o CT da base) também. E assim a gente vai conseguindo encorpar a equipe e aí consequentemente vem o resultado esportivo.
Só que se, no meio do caminho, a gente, entre aspas, segue o que todo mundo faz, que é fazer trocas ou interromper alguns trabalhos, acaba não tendo esse sucesso. Eu digo isso porque temos exemplos de coisas boas e negativas no mercado. Estamos muito contentes com o trabalho do Luís. Sabemos que grande parte da responsabilidade é dos jogadores. Eu sempre costumo dizer que os atletas são quem chuta a bola, quem faz os cruzamentos, quem erra os gols. Não é o treinador.
Marlon projeta importância da parada da Copa do Mundo para o trabalho de Luís Castro
Rafael Favero / ge.globo
Qual vai ser a importância dessa pausa para vocês?
A gente conquistou o título no gaúcho treinando apenas 12 dias, de manhã e de tarde. Foi uma loucura. Saímos de férias, não teve nem um mês de férias e não treinamos muito tempo. Depois, já começou o Campeonato Brasileiro. Começou essa maratona de jogos. Ainda mais aqui no começo do ano, no Brasil, onde tu tem as viagens, tem a questão climática que influencia muito.
Tivemos uma sequência de lesões de jogadores. Trouxemos muitos jogadores novos, estrangeiros também. Muitos meninos estão começando a jogar no nível de competição extremo, no qual a exigência é muito grande. E agora nessa pausa, não só o Grêmio, todas as equipes conseguem energizar seus jogadores, se movimentar no mercado. A tendência é que tenham saídas e chegadas.
Vai ter um tempo para neutralizar algumas debilidades e se fortalecer mais, criar novas ideias e potencializar o nosso jogo, para voltar e fazer um segundo semestre melhor. Tenho certeza que a equipe vai evoluir porque vai ter tempo para ser treinada.
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