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Nada impede Ancelotti de arriscar na escalação da Seleção

Nada impede Ancelotti de arriscar na escalação da Seleção

Brasil 2 x 1 Egito | Melhores momentos | Amistoso internacional 2026
Estes amistosos imediatamente anteriores ao começo da Copa do Mundo não oferecem verdades absolutas – vide o empate da Espanha com o Iraque (1 a 1) ou a derrota da França para a Costa do Marfim (2 a 1). E ainda mais no caso da seleção brasileira, que carrega mais dúvidas do que certezas.
A vitória por 2 a 1 sobre o Egito, neste sábado, nos Estados Unidos, foi pouco esclarecedora sobre o que esperar do Brasil no Mundial. Foi uma atuação regular, contra um adversário superior ao anterior (o Panamá), contaminada pela proximidade da Copa – risco de lesão, controle de desgaste, contenção de danos, essa coisa toda.
Na prática, o que mais interessava era ver se alguém poderia confundir um pouco mais a definição sobre o time titular, já que os reservas haviam sido substancialmente superiores aos titulares contra o Panamá. Mas creio que não aconteceu.
As duas principais novidades na escalação inicial de Carlo Ancelotti não jogaram o suficiente para garantir que são titulares. Igor Thiago fez movimentos interessantes, brigou pela bola, abriu espaços na marcação para receber assistências dos volantes, mas perdeu duas chances de gol. E Lucas Paquetá apareceu menos do que deveria. Esperava-se que ele desse mais dinâmica ao time, mais comunicação entre o meio e o ataque. Isso só ocorreu em momentos esporádicos, especialmente no começo da partida.
Ancelotti, técnico da Seleção, em ação durante o amistoso contra o Egito
Kirk Irwin/Getty Images
Houve pontos positivos. Ofensivamente, o lado esquerdo funcionou melhor do que o direito. Por ali, ora com Vini Jr, ora com Raphinha, a Seleção conseguiu articular jogadas promissoras no primeiro tempo. Foi uma boa notícia, assim como a presença ofensiva dos volantes. Bruno Guimarães fez o primeiro gol, aos cinco minutos, e depois deu ótimo passe para Igor Thiago, gesto repetido por Casemiro em seguida.
Também merece destaque a marcação ofensiva. Os dois gols saíram em roubadas de bola: a primeira de Bruno Guimarães, aproveitando cerco de Raphinha, e a segunda de Douglas Santos, culminando no cruzamento de Raphinha para finalização de Endrick.
Desta vez, a mudança quase total na escalação no intervalo não causou uma revolução na equipe. Depois de chegar ao segundo gol, aos seis minutos, o Brasil diminuiu a marcha, entrou em ritmo de treino – talvez em parte por causa da preocupante lesão muscular de Wesley no primeiro tempo. Isso impediu que jogadores que farejam um lugar entre os titulares, como Danilo Santos, aproveitassem melhor a oportunidade.
Endrick comemora gol da vitória do Brasil sobre o Egito
Kirk Irwin/Getty Images via AFP
No fim das contas, é provável que os amistosos tenham servido mais para dar alternativas futuras a Ancelotti do que para modificar a estratégia e os nomes do time titular já para a estreia – o treinador diz já ter a equipe definida para o primeiro jogo. Presumo que ele será conservador contra Marrocos, embora nada o impeça de arriscar na escalação. O que ele teria a perder colocando Danilo Santos ou Endrick no time? Um entrosamento deficiente? Uma estrutura titular capenga? Um esquema de jogo pouquíssimo consolidado?
O Brasil chega atrasado ao Mundial. Isso fica evidente quando Ancelotti usa os últimos amistosos, a poucos dias da estreia, para ainda fazer observações – em vez de dar mais tempo de jogo a um teórico time titular. Se restarem esperanças de consolidar uma equipe, paciência: terá que ser ao longo da Copa. geRead More