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Seleção dos EUA de vôlei critica teste genético obrigatório do COI: “Atletas merecem dignidade”

Seleção dos EUA de vôlei critica teste genético obrigatório do COI: “Atletas merecem dignidade”

Presidente do COI, Kirsty Coventry, anuncia teste que bane mulheres trans de competições
O Comitê Olímpico Internacional anunciou em março deste ano uma nova política de teste de gênero para determinar a elegibilidade de atletas olímpicas à categoria feminina. A Seleção Feminina de Vôlei dos Estados Unidos se manifestou sobre a medida e afirmou que as atletas cumpriram os requisitos de testes de SRY, administrados pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB), mas demonstraram preocupação com o processo e a forma como a política está sendo aplicada.
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Em comunicado oficial, as jogadoras questionaram a falta de transparência sobre o uso das informações genéticas coletadas durante os exames. As atletas afirmaram que não receberam detalhes suficientes sobre onde os dados seriam armazenados, quem teria acesso às informações, por quanto tempo seriam mantidos e quais seriam as regras para uma possível utilização futura desses registros.
Brasil x EUA Liga das Nações de Vôlei VNL Ana Cristina
André Durão
A seleção norte-americana também pediu um processo mais claro de recurso em casos de resultados contestados ou falsos positivos. As atletas reforçaram que o posicionamento não representa uma recusa em cumprir as regras, mas uma defesa por mais privacidade médica, transparência e participação das jogadoras na construção de políticas que envolvam dados sensíveis de saúde e genética.
Veja o comunicado da seleção feminina dos Estados Unidos
O COI (Comitê Olímpico Internacional) determinou testes genéticos para todas as atletas mulheres que possam participar de eventos olímpicos. As atletas da Seleção Feminina dos Estados Unidos cumpriram os requisitos de testes de SRY conforme administrados pela FIVB. No entanto, sentimos a necessidade de expressar formalmente nossas grandes preocupações em relação tanto ao processo quanto à implementação dessa política.
Como atletas mulheres, fomos solicitadas a passar por testes biológicos invasivos sem transparência suficiente sobre o tratamento de informações genéticas profundamente sensíveis. No momento do teste, as atletas não foram claramente informadas sobre onde esses dados seriam armazenados, quem teria acesso a eles, como seriam protegidos, por quanto tempo seriam mantidos ou quais limitações existiriam em relação ao seu uso futuro.
Também estamos igualmente preocupadas com a falta de um processo independente de recurso claramente definido em caso de resultados contestados ou falsos positivos. Qualquer política que traga consequências tão sérias precisa incluir garantias transparentes de direito de defesa, procedimentos de confirmação e proteções para as atletas. A natureza desse mandato colocou as atletas em uma posição impossível: submeter-se a exames genéticos invasivos ou correr o risco de perder a oportunidade de competir no esporte e na profissão aos quais dedicamos nossas vidas. Essa não é uma dinâmica que pareça colaborativa, informada ou centrada nas atletas.
Este comunicado não é sobre resistir à responsabilidade ou se recusar a cumprir regras. Trata-se de afirmar que as atletas merecem os mesmos padrões de privacidade médica, justiça processual, transparência e dignidade esperados em qualquer ambiente profissional que envolva informações genéticas e de saúde sensíveis.
Embora a FIVB tenha respondido algumas das questões levantadas, acreditamos que as preocupações em torno desse processo são legítimas e merecem um debate sério. As atletas deveriam fazer parte da conversa e da construção de novos sistemas desde o início, e não serem recebidas com silêncio, incerteza ou pressão para cumprir regras sem questionamento.
Continuaremos defendendo proteções mais claras, comunicação, transparência e um processo justo para todas as atletas daqui para frente.
Kirsty Coventry é eleita presidente do COI
Getty Images
Entenda mais sobre a nova medida do COI
A medida valerá para todas as modalidades olímpicas, individuais ou coletivas. A elegibilidade à categoria feminina será determinada por um teste que determina a presença ou a ausência do gene SRY (em inglês, Sex-determining Region Y), que atua como desencadeador do desenvolvimento masculino.
O COI afirma que a decisão foi tomada com base em evidências científicas, em estudos liderados por Jane Thornton, diretora de saúde e ciência do COI. Além disso, a entidade alega que o rastreamento deste gene é feito por métodos menos invasivos, como pela coleta de saliva ou de sangue.
Entre os estudos realizados para embasar a nova política, foi feita uma pesquisa com mais de 1100 pessoas, entre atletas e ex-atletas, mulheres e homens, olímpicos ou não, em atividade ou já aposentados. As respostas foram registradas nos idiomas originais e traduzidas para compor os resultados.
A testagem será feita uma vez apenas na vida do atleta. Resultados negativos para o gene SRY serão aceitos como prova de que a pessoa poderá competir na categoria feminina, sem precisar passar por novos exames. No entanto, em caso de resposta positiva, não haverá outra chance para testes.
EUA, palco dos próximos Jogos, também já haviam banido atletas trans
Na prática, a nova política anunciada pelo COI irá impedir que atletas trans possam competir na categoria feminina em eventos oficiais da entidade. No mesmo contexto, em fevereiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proibiu que atletas transgêneros competissem em eventos escolares, universitários e profissionais no país, que será sede dos próximos Jogos Olímpicos, em 2028.
Trump chegou a assinar uma lei chamada “Keeping Men Out of Women’s Sports”, (Mantendo os homens fora dos esportes femininos, em português) e afirmou que não permitiria que atletas trans participassem dos Jogos de Los Angeles. geRead More