Terremoto na Venezuela: onde está a ‘zona de desastre’ e qual a situação atual do país
Venezuela sofre terremoto mais forte em mais de 100 anos
Autoridades da Venezuela estimam que dezenas de pessoas continuam presas sob escombros mais de 24 horas após o duplo terremoto que atingiu o país na noite de quarta-feira (24). A situação mais crítica se concentra na cidade de La Guaira, classificada pelo governo como “zona de desastre”.
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▶️ Contexto: Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela em um intervalo de menos de um minuto na quarta-feira.
Segundo o último balanço, divulgado na quinta-feira (25), 235 pessoas morreram. Mais de 1.500 ficaram feridas e cerca de 200 continuam sob escombros.
Um site criado para reunir informações sobre desaparecidos contabiliza quase 40 mil registros. O número não foi verificado de forma independente nem confirmado pelo governo.
Durante toda a quinta-feira, moradores de cidades atingidas relataram que o socorro ainda não havia chegado a diversos locais onde prédios desabaram. Diante da demora, muitos começaram a procurar vítimas por conta própria.
“Estamos tentando ajudar com o que podemos, mas faltam equipamentos”, disse Carlos Borges, que participava das buscas em La Guaira, à Reuters.
La Guaira fica na costa norte da Venezuela e está a cerca de 30 km de Caracas. A região foi uma das mais atingidas pelos terremotos e concentra parte das mortes e dos desabamentos.
Hospitais ficaram lotados, milhares de pessoas passaram a noite na rua e diversos bairros seguem sem energia elétrica ou serviços de comunicação.
Segundo projeções do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o número de mortos pode aumentar à medida que as equipes consigam acessar as áreas mais destruídas e avancem nas buscas por desaparecidos.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou que o governo trabalha com empresas privadas para mobilizar máquinas pesadas e acelerar os resgates.
Cidades do litoral da Venezuela estão entre as mais atingidas
Juan Silva/Arte g1
Buscas por conta própria
Enquanto equipes de emergência atuavam em alguns bairros, famílias e voluntários cavavam os escombros com as próprias mãos em busca de sobreviventes.
“Não é possível chamar os militares? Que todos venham ajudar. Coloquem-nos em veículos e tragam tratores de onde for possível”, pediu Argenis Martínez, que procurava um parente sob os escombros.
Ao longo da rodovia que liga Caracas a La Guaira, moradores transportavam água, alimentos e medicamentos para complementar o trabalho das equipes de resgate.
Apesar da mobilização, muitos ainda aguardavam notícias de familiares.
“Meu filho está debaixo das placas de concreto e não há máquinas para tirá-lo de lá”, disse Yamileth Jiménez. Ela acredita que o filho de 19 anos continua preso sob os escombros do prédio onde a família morava.
Durante a madrugada de quinta-feira, focos de incêndio atingiram áreas de escombros, apesar da interrupção do fornecimento de gás. Sem ter para onde ir, dezenas de pessoas passaram a noite nas ruas.
“Perdemos tudo. Não temos comida nem remédios. Esperamos que a ajuda chegue logo”, disse Pedro Pérez, de 64 anos, que dormiu na rua com a mulher e os filhos após perder a casa e o local onde trabalhava.
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Voluntários procuram por vítimas em prédio que desabou em La Guaira, em 25 de junho de 2026
Federico Parra/AFP
Hospitais lotados e falta de estrutura
Os terremotos também sobrecarregaram o sistema de saúde. O Hospital José María Vargas, em La Guaira, ficou lotado de feridos. Alguns pacientes precisaram ser atendidos do lado de fora da unidade enquanto policiais controlavam o acesso ao prédio.
“Precisamos de aparelhos para medir pressão, gazes, termômetros, luvas, gesso, analgésicos… de tudo”, afirmou o médico Augusto Ramírez à Reuters.
Segundo ele, apenas três médicos atenderam 112 pacientes desde os tremores. Nove pessoas morreram em consequência dos ferimentos, entre elas três crianças.
As Forças Armadas começaram a instalar hospitais de campanha na região, que poderão realizar cirurgias de emergência.
Situação em Caracas
Equipes de socorro trabalham na região de Caracas, na Venezuela, após terremoto de 24 de junho de 2026
Juan Barreto/AFP
Os terremotos também provocaram danos em Caracas. Moradores relataram que correram para as ruas durante os tremores e passaram a noite em parques, estacionamentos e outros locais abertos por medo de novos desabamentos.
Partes da capital ficaram sem energia elétrica e sem sinal de celular.
O metrô teve as operações suspensas, o fornecimento de gás foi interrompido e as escolas permanecerão fechadas nos próximos dias.
Algumas unidades de ensino serão usadas como abrigos e centros de recebimento de doações.
O governo informou ainda que pelo menos oito hospitais, a sede da Cruz Vermelha Venezuelana e a embaixada da França sofreram danos.
Ajuda internacional
Equipes de resgate que serão enviadas para auxiliar as vítimas dos terremotos na Venezuela se preparam para embarcar em uma aeronave na Segunda Brigada Aérea da Força Aérea de El Salvador em 25 de junho de 2026
REUTERS/José Cabezas
O governo da Venezuela informou que socorristas da República Dominicana começaram a chegar ao país e agradeceu o apoio oferecido por diversos governos, entre eles Estados Unidos, Brasil, Portugal, Espanha, Canadá, México e Catar.
Os Estados Unidos aliviaram temporariamente parte das sanções econômicas para permitir transações relacionadas à ajuda humanitária.
O presidente Donald Trump afirmou que o país está “pronto, disposto e apto para ajudar”.
Socorristas de El Salvador desembarcaram na Venezuela na noite de quinta. A expectativa é que equipes de outros países reforcem as operações de resgate nos próximos dias.
A ONU informou que coordena uma força-tarefa internacional para apoiar as operações e afirmou que será necessário um grande esforço humanitário em um país que já enfrentava uma crise antes dos terremotos.
Já a empresa Starlink anunciou que fornecerá internet gratuita até 25 de julho para clientes novos e antigos nas áreas afetadas. A companhia disse ainda que trabalha para instalar novos terminais nas regiões mais atingidas.
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