RÁDIO BPA

TV BPA

“Tinha desistido”: ex-atacante do Palmeiras relembra período em que “caía na cachaça e balada”

“Tinha desistido”: ex-atacante do Palmeiras relembra período em que “caía na cachaça e balada”

BEC avança de fase na série D do Brasileirão
Aos 27 anos, Josué vive um dos melhores momentos da carreira. Ponta esquerda do Blumenau, o atacante se tornou um dos destaques do clube na temporada, com 17 jogos, sete gols e cinco assistências, e chega ao mata-mata da Série D do Campeonato Brasileiro como uma das referências ofensivas da equipe.
Josué, atacante do Blumenau
Richard Ferrari/ BEC
+CLIQUE AQUI para conferir a tabela completa da Série B do Catarinense
O bom momento tem um peso ainda maior pelo caminho percorrido até aqui. Antes de se firmar novamente no futebol profissional, Josué passou por um período longe dos clubes, atuou na várzea e chegou a abrir mão do sonho. A retomada veio após o reencontro com Patrick Fabiano, o Habib, atacante de 38 anos e líder do projeto Segunda Chance, iniciativa voltada a recolocar talentos da várzea no futebol profissional.
— Chegou um momento, em 2023, em que eu estava no Santa Catarina e falei: “Não vou jogar mais profissional. Vou para a várzea”. Eu já tinha abandonado esse sonho. Foi quando o Patrick Fabiano montou o projeto Segunda Chance e me convidou. Sou grato eternamente, porque Deus colocou esse projeto no coração dele e fez com que os nossos propósitos se juntassem — contou.
Josué, atacante do Blumenau, em sua época de base no Palmeiras
Arquivo pessoal
Josué não teve uma formação tradicional nas categorias de base. Em 2017, ele jogava na várzea quando recebeu a oportunidade de fazer um teste no Nacional-SP, foi aprovado, chegou diretamente ao elenco profissional e marcou um gol logo na estreia, pela Série A2 de 2018, na 3ª rodada, na goleada por 5 a 1 contra o Votuporanguense. Segundo o atacante, em apenas duas semanas sua realidade mudou completamente.
O início chamou a atenção de clubes grandes. Josué conta que chegou a ter a possibilidade de ir para o Corinthians, mas acabou escolhendo o Palmeiras, ainda na época da base. A decisão, segundo ele, passou pela forma como o interesse foi apresentado naquele momento.
— Era para eu ter ido para o Corinthians antes do Palmeiras. Só que as pessoas que me ajudaram na época falaram que, no Palmeiras, eu iria pelo meu talento, porque os diretores estavam interessados em mim. No Corinthians, eu iria pela força que eles tinham lá. Então eu falei: “Vou para o Palmeiras” — relembrou.
Josué, atacante do Blumenau, em sua época de base no Palmeiras com Gabriel Menino
Arquivo pessoal
A passagem pelo Palmeiras trouxe conquistas e visibilidade. Depois, no entanto, o atacante rodou por clubes como Luverdense, Portuguesa Santista, São Caetano e União Suzano, sem conseguir se firmar por muito tempo em nenhum elenco.
— A partir do momento em que passei pelo Palmeiras, em todos os clubes eu pensava: “Tenho o currículo, passei pelo Palmeiras, fui campeão na base, não vou ficar desempregado”. E, por muito tempo, eu não ficava. Só que, por conta dos bastidores e do extracampo, eu saía. Eu estava com a cabeça virada, sem foco. Isso fez com que chegasse um momento em que eu me desiludi.
— Eu comecei a fazer essas coisas depois que saí do Palmeiras. Comecei a cair na cachaça, na balada. Isso foi queimando meu nome por causa das minhas atitudes. Para voltar ao profissional, foi muito doloroso. Eu tive que pagar um preço grande por aquele Josué do passado e mostrar que tinha mudado — disse.
Josué, atacante do Blumenau, marcou três gols contra o Jaraguá na Série B do Catarinense
Richard Ferrari/ BEC
A chance no Blumenau veio por meio da ligação com Patrick Fabiano. Segundo Josué, o presidente do clube, Carbone, pediu ao atacante, que também vestiu a camisa do BEC, para levá-lo a Blumenau. O convite abriu a porta para a retomada da carreira.
— Sou muito grato ao Carbone, ao Patrick, ao elenco, ao clube e a todo o staff por terem dado essa oportunidade. É difícil você ficar desde 2023, quase dois anos fora do profissional, e alguém querer te dar essa chance — destacou.
Josué, atacante do Blumenau
Richard Ferrari/ BEC
A relação com Patrick vem de antes do projeto Segunda Chance. Josué conta que, ainda criança, jogava na escolinha do Nova Era, em Tiradentes, onde Patrick já era uma referência. Anos depois, os dois voltaram a se cruzar na várzea. Mesmo sem proximidade no início da trajetória, o atacante diz que a história do Habib sempre esteve presente no caminho dele.
O contato pofissional entre os dois quase aconteceu antes. Em 2018, quando estava no Palmeiras, Patrick chegou a se movimentar para tentar levá-lo ao futebol do exterior, mas a negociação não avançou. Apenas em 2025 dividiram vestiário no Blumenau, na disputa da Série B do Campeonato Catarinense.
Josué, atacante do Blumenau
Richard Ferrari/ BEC
— Hoje eu considero ele como um paizão. Ele foi o cara que acreditou. É difícil trazer aquele passado e reconstruir, porque muitos vão desacreditar. Hoje, com mais discernimento e sabedoria, eu entendo. Na época, eu ficava bravo, queria discutir. Hoje eu entendo melhor as coisas — disse.
Dentro de campo, a resposta veio com números. Além do desempenho geral na temporada, Josué é o quarto artilheiro da Série B do Campeonato Catarinense, com quatro gols. O Blumenau lidera a primeira fase da competição estadual, com 22 pontos, sete vitórias, um empate e duas derrotas, faltando oito jogos.
Josué, atacante do Blumenau
Richard Ferrari/ BEC
Na Série D, o BEC fez campanha de seis vitórias, dois empate e três derrotas na primeira fase. Enfrentou o São Luiz-RS no mata-mata, com o jogo de ida empatado em 1 a 1, neste sábado, no Estádio 19 de Outubro. A volta está marcada para o dia 27 de junho, no Sesi.
Mais notícias do esporte catarinense no ge.globo/sc geRead More