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Transições abrem caminho e reforçam o que há de melhor neste Brasil

Transições abrem caminho e reforçam o que há de melhor neste Brasil

Não era esperado que fosse desta forma, mas a maneira como a seleção brasileira marcou seus dois primeiros gols na vitória por 3×0 sobre o Haiti comprovaram o tipo de jogada que a equipe consegue ser mais eficiente hoje: os contragolpes. Vini Jr foi o principal alvo dessas transições rápidas. Participou dos três gols e voltou a marcar em um jogo de Copa do Mundo.
A vitória deixou o Brasil na liderança da chave e certamente dará tranquilidade e confiança nos próximos dias. Ao mesmo tempo é necessário dizer que para o crescimento da Seleção não foi uma partida de exigência e conclusiva. Há uma grande demanda de evolução em diversos aspectos. O 2º tempo acabou escancarando isso. Haiti finalizou quatro vezes mais que a Seleção depois do intervalo.
Escalações
Carlo Ancelotti fez duas mexidas no time em relação a estreia. Igor Thiago e Ibañez saíram. Matheus Cunha e Danilo entraram. Raphinha iniciou a partida pela direita desta vez. Lucas Paquetá recompôs aberto pela esquerda e trabalhou como um meia por dentro quando o time teve a bola.
Sébastien Migné escalou um zagueiro a mais na comparação com o empate contra a Escócia. O ponta Deedson foi sacado e o defensor Duverne entrou. Pierrot foi o atacante mais adiantado.
Como Brasil e Haiti iniciaram o duelo válido pela 2ª rodada do Grupo C da Copa do Mundo 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
Desta vez a seleção brasileira fez um início de partida muito mais concentrado. Obviamente o nível do adversário é diferente, inferior, mas a equipe de Ancelotti se mostrou mais coerente com a proposta para a partida. Com a posse, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães eram os meias por dentro, mais próximos de Matheus Cunha. Vini e Raphinha trabalharam bem abertos.
Sem a bola, Lucas Paquetá auxiliava Douglas Santos pela esquerda e Matheus Cunha recuava como um meia por dentro, deixando Vini liberado do trabalho defensivo. O Haiti não foi um time tão retraído quanto poderia se imaginar. A prioridade era se fechar sim, mas ao ter a bola a equipe da América Central se soltava, evitava se livrar da posse, e essa foi a melhor notícia que a Seleção poderia ter.
É verdade que nem sempre a marcação brasileira esteve ajustada. Em alguns momentos faltou ter mais compactação pelo centro e agressividade para abordar o homem da bola, mas a limitação dos haitianos fez com que bolas fossem perdidas e o Brasil encontrasse facilidade para contra-atacar.
Antes de sair lesionado na reta final do 1º tempo, Raphinha recebeu três bolas nas costas da defesa. Chegou a marcar em uma delas, mas estava impedido. Também perdeu uma grande chance exatamente assim, evidenciando a ansiedade para dar uma reposta. Rayan o substituiu, mas a esta altura o Brasil já era um time muito mais tranquilo em campo com a vantagem no placar.
Matheus Cunha abre o placar para Seleção
Reuters
Matheus Cunha, Vini Jr e Lucas Paquetá foram os destaques dentro do contexto que o jogo apresentou. O camisa 9 balançou a rede duas vezes. A primeira, inclusive, provando o quanto trabalha pelo time. Interceptou um passe no círculo central, acionou a aceleração de Vinícius e correu para aproveitar o rebote da finalização do atacante do Real Madrid.
Na sequência, foi a vez de Paquetá desarmar Casimir no mesmo setor em que o primeiro gol nasceu e visar Vini. Ele carregou e deixou Matheus Cunha na cara do gol para ampliar. A intensidade do combate haitiano em fase defensiva naturalmente caiu. Houve uma desmobilização, e o Brasil, mais confiante, aproveitou a última linha totalmente adiantada e exposta.
Paquetá teve liberdade para girar em cima da marcação no meio-campo e serviu Vini Jr em profundidade. Ele bateu na saída de Placide e correu para o abraço. O Haiti voltou para o 2º tempo com duas trocas. O centroavante Pierrot e o ala-direito Arcus saíram. Isidor e Simon entraram pelo centro do ataque. O time abriu mão da linha de cinco atrás. Duverne passou a jogar na lateral-direita.
Rayan entra no lugar de Raphinha Brasil x Haiti Seleção
Dylan Martinez/Reuters
O Brasil diminuiu o ritmo na 2ª etapa. Permitiu posses mais longas ao Haiti no campo de ataque. Os adversários chegaram a obrigar Alisson a fazer grande defesa em cabeçada de Adé após cobrança de escanteio de Bellegarde, um dos melhores do time. O lance despertou novamente a equipe, que voltou a explorar Vini Jr em ataques rápidos.
Martinelli e Endrick entraram pouco antes dos 20 minutos. Matheus Cunha e Lucas Paquetá saíram. A Seleção poderia ter controlado mais o jogo com a posse e a partir daí testar seu repertório de jogadas. Rayan se soltou bastante a medida que o 2º tempo foi passando. Participou dos principais lances na segunda metade da etapa final, incluindo a assistência do gol anulado de Endrick.
Gabriel Martinelli também foi participativo em diagonais da esquerda pra dentro, buscando os espaços nas costas da defesa. Éderson Silva e Danilo Santos entraram nos lugares de Vini Jr e Bruno Guimarães na reta final do duelo. Ambos chegaram na área para tentar concluir os contragolpes que seguiram surgindo.
Os haitianos não reduziram a energia e voltaram a incomodar a defesa brasileira depois dos 40 minutos. Terminaram a partida com quase o mesmo número de finalizações dos brasileiros e até poderiam ter diminuído não fosse mais duas defesas de Alisson. geRead More