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França usa tendência tática apontada pela FIFA para ter o melhor ataque da Copa do Mundo

França usa tendência tática apontada pela FIFA para ter o melhor ataque da Copa do Mundo

Melhores momentos de França x Suécia
Quem consegue parar a França? Com dois gols de Kylian Mbappé, os franceses garantiram vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo ao vencer a Suécia por 3 a 0.
E não é apenas talento! É tática também.
Didier Deschamps usa uma tendência destacada pelo Grupo de Estudos Técnicos da FIFA para posicionar Mbappé, Michael Olise, Désiré Doué, Bradley Barcola e Ousmane Dembélé em uma região que potencializa o talento deles: o chamado corredor interno.
Técnico da França, Didier Deschamps, presta reverência a Mbbapé ao substitui-lo em vitória da França sobre a Suécia na segunda fase da Copa do Mundo
Vincent Carchietta/Imagn Images via Reuters
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O corredor interno é o espaço entre o zagueiro e o lateral. Também chamado de meio-espaço, como mostra a imagem abaixo, ele virou uma das regiões mais importantes do futebol.
Quando um adversário aparece por ali, dois defensores precisam decidir quem vai marcá-lo. Enquanto um sai para pressionar, o outro tenta proteger o restante da defesa. Essa dúvida dura poucos segundos, mas costuma ser suficiente para abrir espaços e deixar alguém de frente para o goleiro.
Divisão do campo usada nos cursos de treinador
Reprodução
A França posiciona os atacantes nos corredores internos.
No lance abaixo, Barcola e Olise ocupam os dois corredores internos, um de cada lado da área. Veja que eles não ficam abertos na ponta ou ficam colados nos zagueiros. O único que mantém o posicionamento é Dembelé pela direita. Mbappé tem bastante liberdade para circular e buscar a bola e troca de posição, mas sempre busca esse espaço entre o lateral e o zagueiro.
França posiciona os atacantes no corredor interno
Reprodução
O segredo está na dúvida que a defesa tem ao marcar os atacantes. Quando Barcola ou Olise recebem entre o lateral e o zagueiro, os dois defensores precisam decidir quem sai para pressionar.
Essa fração de segundo abre uma linha de passe ou uma chegada mortal. A França já tem o melhor ataque da Copa do Mundo até o momento: são 13 gols em 4 partidas. Seis deles de Mbappé, destaque do torneio.
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Os corredores internos são usados quando os franceses atacam e também aceleram o jogo em contra-ataques.
Na imagem abaixo, a Suécia é pega de surpresa e corre para trás. A maioria dos atacantes iria buscar a área para ficar perto do gol. Barcola surpreende e fica entre o zagueiro e o lateral. Enquanto ele conduz a bola, o lateral precisa decidir se acompanha a infiltração por dentro e o zagueiro avalia se abandona a linha para pressionar.
França posiciona os atacantes no chamado “meio-espaço”, ou corredor interno
Reprodução
Formado por ex-jogadores e treinadores como Jürgen Klinsmann, Gilberto Silva, Pablo Zabaleta, Jon Dahl Tomasson, Jayne Ludlow e Michael O’Neill, o Grupo de Estudos Técnicos da FIFA (TSG) é coordenado por Arsène Wenger e apresenta as principais tendências táticas da Copa do Mundo até o momento.
O corredor interno foi destacado por Jon Dahl Tomasson, ex-atacante da seleção dinamarquesa, como uma das principais tendências desta Copa do Mundo.
É o lugar mais próximo do gol. Dali, um passe pode virar uma assistência, um cruzamento ou uma finalização. Por isso, colocar a bola nesse espaço é tão importante
Segundo os relatórios produzidos pelo Grupo de Estudos Técnicos da FIFA, a França está entre as seleções que mais conseguem instalar o jogo perto da área adversária. A equipe encerrou a fase de grupos com 184 recepções de bola no último terço, uma das maiores marcas da Copa.
Depois de anos utilizando um centroavante de referência, como Giroud e Benzema, Deschamps passou a apostar em um quarteto móvel com constantes trocas de posição. O objetivo é simples: fazer com que todos circulem pelos corredores internos.
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O símbolo dessa mudança é Michael Olise. Com liberdade para atuar pelos dois lados do campo e recuar para participar da construção, ele se tornou a peça que conecta o meio-campo ao ataque. Contra a Suécia, participou diretamente dos dois últimos gols.
Primeiro encontrou Barcola infiltrando entre os defensores justamente entre a zaga e o lateral. Depois serviu Mbappé para fechar o placar e assumiu a liderança da Copa em assistências: cinco ao todo.
Olise e Mbappé em França x Suécia
John Sibley / Reuters
Enquanto muitas seleções ainda quebram a cabeça para furar defesas bem fechadas, como aconteceu com o Brasil diante do Japão, a França parece ter encontrado o caminho nos “meio-espaços.
E promete usar bastante essa tática destacada pela FIFA diante do Paraguai, neste sábado, às 18h (de Brasília), pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
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