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O laboratório de Rogério Ceni

O laboratório de Rogério Ceni

Rogério Ceni já se provou um excelente treinador. Iniciou a mudança de patamar do Fortaleza no futebol brasileiro, foi campeão nacional com o Flamengo e conseguiu dar ao Bahia a hegemonia regional. Mas ele sabe que no futebol é preciso matar um leão por dia, e ele gosta disso, competitivo que é. Nem precisaria a pressão da torcida tricolor para Ceni saber que o sarrafo do time agora é disputar Libertadores. E não precisa ser Ceni para saber que, com um único modelo (posse de bola, controle do meio-campo, pressão alta), tudo fica mais difícil – ainda mais se o time desperdiça 90% das chances que cria e oscila defensivamente. Assim, a partir da pré-temporada durante a Copa, parece que o treinador passou a implementar outras possibilidades (time mais leve, amplitude ofensiva, rapidez na movimentação, menos toques com mais eficiência), mas sem abrir mão do controle. Contra a Chapecoense, jogo que comentei nesta sexta-feira para o Premiere, talvez fosse melhor até manter um meio-campo mais técnico, mas com a perspectiva de vitória protocolar, o laboratório começou mais cedo.
Bahia x Chapecoense – Melhores Momentos
Mais do que o 11 que iniciou o jogo, a mostra de que Ceni está buscando novas fórmulas de dar consistência à campanha – e, portanto, confiança ao torcedor – estava no banco: Kanu, Luciano Juba, Caio Alexandre, Jean Lucas, Everton Ribeiro, Everaldo… Ora, direis, alguns desses nomes não tinham condições de atuar 90 minutos. Verdade. Mas esse detalhe só serviu para ajudar a ideia de Ceni. Vimos, então, um Bahia fazendo a saída de três com Roman Gomez, e Zé Guilherme espetando pela esquerda (e Ademir dando amplitude pela direita). Acevedo iniciando a construção, Erick mais Rodrigo Nestor flutuando e Erick Pulga por dentro, mas sem ponto fixo, mexendo-se muito para confundir a marcação.
Mas havia três pontos a serem conquistados, e em paralelo aos testes o Bahia e se empenhou para resolver isso logo. Aos 11, Bruno Matias encostou seu pé no de Erick Pulga, que, esperto, caiu. O árbitro mandou seguir, mas o VAR intervencionista o chamou – e aí é impressionante como os de campo são influenciáveis, qualquer coisa vira pênalti. Ceni havia dito em entrevistas que queria mais protagonismo de Rodrigo Nestor (até para contar 100% com ele num possível novo modelo), então, mesmo sem ser o primeiro cobrador, ele bateu o pênalti e converteu. E aos 33, outro gol de jogada bem treinada: escanteio na segunda trave, David Duarte escora e Roman Gomez amplia de cabeça.
O segundo tempo só serviu para Ceni observar que seu sistema defensivo precisa de muita atenção nos treinos. Quando o estreante (na Série A) Rafael Lacerda mexeu na Chape, tirando os pontas que estavam isolados, e colocando gente para dialogar com Giovanni Augusto, o time catarinense se agrupou equilibrou o meio-campo e incomodou o Bahia.
Nesse processo de criação de alternativas, Ceni também já recebeu a sinalização da SAF de que o momento será mais de reequilibrar as finanças, com mais jogadores vendidos do que contratados – e estes não sendo mais tão midiáticos. Será a hora e a vez da molecada da base, que o Bahia também produz com qualidade. Recomendo que se aprontem para oportunidades nomes como Gerald Anjos, Fred Lipert, Dodô, Luiz Gustavo, Pedrinho, Roger Gabriel, Sidney Duarte, Wendel Passos, Victor Hugo, David Martins, Ryan Nascimento, Lyan Araújo, Ruan Pablo, João Andrade, Kaue Furquim, Dell, Caio Suassuna… e até reforços como o argentino Alejo Veliz (23 anos, currículo que inclui Sul-Americano e Mundial sub-20 em 2023) – que para mim brigará por titularidade com boas chances.
Um processo, sabe-o bem Rogério Ceni, que tem tudo para dar certo, mas que no futebol brasileiro tem de dar certo rápido.
P.S. Lamento pelos torcedores da Chapecoense , mas prevejo que, apesar da perspectiva de alguma melhora com o terceiro treinador na competição, será milagre livrar-se do rebaixamento… geRead More