“Por que um estrangeiro?” Como Martínez chegou ao banco de Portugal para a Copa
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“Por que precisamos de um treinador estrangeiro quando os portugueses são dos mais requisitados?”. A dúvida, citada numa entrevista em dezembro, é genuína, segundo o próprio estrangeiro, o técnico espanhol Roberto Martínez, que desde 2023 comanda a promissora equipe portuguesa.
Até então, apenas compatriotas e os brasileiros Otto Glória (1966) e Luiz Felipe Scolari (2006) tinham dirigido a equipe lusitana em Mundiais. Mas Martínez era uma oportunidade que não poderia ser desperdiçada.
Quando a Copa do Catar terminou para Portugal, com a eliminação nas quartas de final para Marrocos, Fernando Santos não resistiu.
O veterano treinador, que tinha finalmente dado o título da Euro ao país em 2016, estava desgastado após um longo ciclo de oito anos. No fim, criou tensões com Cristiano Ronaldo ao colocá-lo no banco no Mundial disputar no Oriente Médio.
Cristiano Ronaldo e Roberto Martínez em treino de Portugal
Leonardo Fernandez/Getty Images
Martínez passou por processo semelhante, mas na Bélgica. O espanhol liderou a que talvez tenha sido a mais brilhante geração de atletas do país, alcançou uma semifinal de Copa – ao eliminar o Brasil, em 2018 –, levou a seleção à segunda colocação no ranking da Fifa em 2022, mas a eliminação na fase de grupos no Catar foi frustrante demais.
Ficou livre logo após o torneio, assim como livre estava o banco português.
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O espanhol não era a primeira opção – José Mourinho, Zidane e Luis Enrique foram especulados –, mas acabou escolhido.
– O percurso de Roberto Martínez fala por si próprio. Como treinador tem formado o seu trabalho em adquirir conhecimento de forma competente. Nunca foi relevante o local de nascimento do selecionador – afirmou o então presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, quando o técnico foi apresentado.
Roberto Martínez técnico Portugal
REUTERS/Amanda Perobelli
Como citou Martínez na entrevista ao jornal Marca, no ano passado, técnicos portugueses estão entre os mais desejados atualmente. No Brasil, destino contumaz para esses profissionais recentemente, três deles venceram a Libertadores: Jorge Jesus (2019, no Flamengo), Abel Ferreira (2020 e 2021, pelo Palmeiras) e Artur Jorge (2024, pelo Botafogo).
Hoje, cinco deles treinam clubes da Série A nacional: Abel, Artur Jorge (Cruzeiro), Luís Castro (Grêmio), Leonardo Jardim (Flamengo) e Franclim Carvalho (Botafogo).
Há portugueses espalhados por outras ligas. José Mourinho, por exemplo, acaba de voltar ao Real Madrid, da Espanha.
Com elenco recheado de estrelas, como Vitinha, Bernardo Silva, João Neves, Rúben Dias e com Cristiano Ronaldo em sua última Copa, Martínez mira alto neste torneio, com a intenção de ao menos igualar as melhores campanhas de Portugal e chegar às semifinais.
Semifinais que foram alcançadas, por sinal, apenas quando estrangeiros se sentaram no banco português – em 1966, com Otto Glória, e 2006, com Felipão.
Para isso, primeiro o time – cerca de desconfianças depois de uma fase de grupo aquém das expectativas – terá que que passar pela Croácia, rival na segunda fase. O jogo acontece na quinta, às 20h (de Brasília), em Toronto.
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