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Análise: Norris faz corrida de campeão, e Mercedes impede duelo entre Antonelli e Russell

Análise: Norris faz corrida de campeão, e Mercedes impede duelo entre Antonelli e Russell

A despedida de Zandvoort do calendário da F1 foi em grande estilo. O GP da Holanda foi bastante movimentado, bem mais do que se imaginava por conta da característica deste circuito, que é muito estreito e dificulta as ultrapassagens.
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É verdade que Lando Norris venceu e manteve a escrita de que o pole position sempre vence nesta pista desde que retorno ao Mundial, em 2021. Mas a prova holandesa não foi uma corrida tranquila para o britânico, como se tivesse sido um simples “passeio de domingo” em Zandvoort. Ao contrário, Norris fez uma de suas melhores provas na F1 até hoje, como ele disse na entrevista após a corrida.
Lando Norris com o troféu de vencedor do GP da Holanda
Benoit Tessier/Reuters
A atuação do piloto da McLaren foi digna do número 1 que ele ostenta em seu carro e o bom desempenho do atual campeão mundial fica mais evidente se observarmos o rendimento de seu companheiro de equipe, Oscar Piastri. O australiano venceu esta prova em 2025 e fez frente para Norris em muitos GPs, mas agora tem ficado mais longe em termos de resultados.
Isso também acontece porque há um maior equilíbrio neste momento da temporada entre as três melhores equipes: Mercedes, Ferrari e McLaren. Um final de semana “fora da curva” de um piloto destas três equipes está fazendo ainda mais diferença com a proximidade de desempenho dos times.
A equipe alemã tem a vantagem de ter começado de forma muito superior nas primeiras corridas, o que permitiu Kimi Antonelli acumular boa vantagem no campeonato. Mas as duas vitórias seguidas de Norris mostram que ainda é cedo para cravar a Mercedes como única candidata ao título de 2026 – como tudo indicava depois do domínio absoluto nas primeiras provas do ano.
Veja como foi o GP da Holanda de Fórmula 1
Com esse resultado, Norris sobe no campeonato, não apenas na tabela, mas também passa a acreditar que o título é possível, embora diga que não pensa nisso e foca apenas o resultado de cada GP. Seu papel nesta temporada lembra muito o de Max Verstappen no ano passado. A Red Bull também trouxe um salto de performance na fase final do Mundial e o holandês lutou pelo título até as voltas finais, mesmo chegando a estar mais de cem pontos atrás dos pilotos da McLaren.
Talvez por já ter tirado a pressão de ganhar seu primeiro título mundial, Norris está em sua melhor fase, conseguindo extrair o máximo de sua McLaren e isso vai ser bem interessante para o campeonato. A ascensão da atual equipe campeã preocupa não apenas a Mercedes, mas também a Ferrari, que teve uma corrida difícil em Zandvoort, inclusive com Lewis Hamilton questionando bastante a estratégia do time italiano.
O domingo da escuderia de Maranello só não foi pior que o de Verstappen, após uma batida muito forte logo no início da prova, para tristeza da torcida local justamente no ano de despedida de Zandvoort.
Max Verstappen bate, e Gabriel Bortoleto roda no GP da Holanda
Jakub Porzycki/Reuters
Já para o líder do Mundial, o domingo foi bastante positivo: Kimi Antonelli chegou na segunda colocação, fez boas ultrapassagens na prova e ampliou a vantagem na tabela, tanto para Hamilton quanto para seu companheiro de equipe, George Russell, ambos 59 pontos atrás do italiano. Nas voltas finais, uma ordem de equipe da Mercedes impediu um duelo direto dos dois pilotos do time, o que Toto Wolff justificou após a corrida como uma decisão sensata e já prevista em protocolo interno da equipe.
De fato, Antonelli já tinha passado Russell na pista e estava atrás por uma circunstância de estratégia. Com pneus bem mais novos, poderia passar com certa facilidade – mas a Mercedes já pensa em evitar esta briga direta justamente porque imagina que qualquer ponto desperdiçado fará falta na prova final de 2026.
Toto inclusive citou a Ferrari como exemplo de que os pilotos perdem tempo quando se encontram na pista em estratégias diferentes (como Hamilton, com razão, reclamou no rádio na prova deste domingo em Zandvoort). Mas será que este acordo de cavalheiros entre Russell e Antonelli dura até a corrida final, se cada ponto fizer a diferença? Difícil avaliar, mas, na prova holandesa, o placar de gentileza está “1 a 0” para o britânico, e ele deixou claro isso em sua entrevista após a corrida.
Kimi Antonelli e George Russell no pódio do GP da Holanda
Jakub Porzycki/Reuters
Em Monza, este duelo de estratégias diferentes já poderá acontecer de novo, já que Antonelli irá trocar de unidade de potência e, com isso, perderá dez posições no grid. É a chance de a McLaren emendar sua terceira vitória em 2026, da Ferrari, que sempre traz upgrades para sua corrida em casa, reagir e até mesmo para Russell impor um final de semana de domínio sobre seu companheiro de equipe, somando uma grande diferença de pontos a mais – algo que ainda não ocorreu neste ano.
Para Gabriel Bortoleto, o domingo foi de frustração. Animado com os ótimos desempenhos nas classificações (nono na corrida sprint e no grid da prova de hoje), o brasileiro começou a corrida enfrentando problemas em seu carro. Nem ele nem a equipe confirmaram o motivo da queda de rendimento, mas pelas reclamações dele no rádio, a questão envolve o motor. O fato é que, mesmo com a rodada de 360 graus no começo da prova, ele teria chance de andar entre os dez caso seu carro tivesse o mesmo ritmo apresentado na corrida sprint, por exemplo.
A decepção foi ainda maior porque a zona de pontuação era facilmente alcançável com o ritmo que ele mostrou na sexta e no sábado – tanto que Nico Hulkenberg chegou em oitavo, mesmo largando na sétima fila, e até Fernando Alonso pontuou com a Aston Martin, em uma ótima corrida do espanhol, mostrando impressionante evolução do time em relação aos últimos GPs. Em Monza, a Audi tende a sofrer com as longas retas, mas em Spa e Silverstone essa também era a expectativa e Bortoleto saiu das duas provas com pontos – quem sabe a história não se repente na Itália.
Perfil Rodrigo França
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