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Imola pode receber final da F1 2026 se o GP de Abu Dhabi for cancelado

Imola pode receber final da F1 2026 se o GP de Abu Dhabi for cancelado

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Em meio a tentativas de trégua e novas escaladas, os conflitos no Oriente Médio iniciados ainda em fevereiro deste ano colocam em dúvida a realização das duas últimas corridas da F1 em 2026: Catar e Abu Dhabi. No entanto, a categoria já teria definido Imola como substituta oficial para ao menos uma das provas. A expectativa é que o martelo seja batido até o fim de setembro.
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Largada do GP da Emilia-Romagna de F1 2024
Clive Rose/Getty Image
– Dada a complicada situação internacional no Oriente Médio, estamos trabalhando, em conjunto com o governo e instituições esportivas, para estarmos prontos para organizar um segundo Grande Prêmio de Fórmula 1 em nosso país, já daqui a alguns meses, durante o campeonato atual. Imola, a poucos quilômetros de Rimini, é a solução ideal para sediar mais um GP do principal campeonato mundial – declarou o presidente do Automóvel Clube da Itália, Geronimo La Russa.
As duas corridas estão, a princípio, previstas para novembro e dezembro. Caso de fato não seja possível prosseguir com elas, a categoria pretende repetir o esquema adotado no GP do Bahrein Malásia, confirmado para os dias 2 a 4 de outubro: um acordo de divisão de despesas e lucros com promoção e organização local, beneficiando ambas as partes e evitando a redução do campeonato.
Fumaça sobe após ataque à refinaria de petróleo da Bapco em Sitra, no Bahrein
REUTERS/Stringer
– Existem algumas possibilidades em discussão, mas não acho correto fazer promessas ou antecipar certas coisas. Essa é a situação atual. Portanto, mesmo que eu realmente espere que não seja o caso, se a situação não nos permitir estar lá (no Oriente Médio), vamos encerrar o campeonato na Europa – declarou Stefano Domenicali, presidente da F1, em julho deste ano.
O Autódromo Enzo e Dino Ferrari estreou na F1 como sede do GP da Itália em 1980 e, no ano seguinte, passou a ser palco do GP de San Marino. A prova perdurou no campeonato até a temporada de 2006. Entre 2021 e 2025, o circuito em Imola retornou à categoria como sede do GP da Emilia-Romagna, mas ausentou-se em 2026 para dar lugar ao inaugural Circuito Madring, nova pista do GP da Espanha.
O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã atinge várias regiões do Golfo Pérsico desde o começo deste ano. Países que recebem a F1, como o Bahrein, Arábia Saudita e Catar foram alvos de diversos ataques armados.
Fumaça de ataques em Doha, no Catar
Mohammed Salem/Reuters
A situação fez com que a F1 decidisse não seguir com os GPs barenita e saudita em abril, conforme o calendário previa inicialmente. No entanto, apenas a corrida no Bahrein obteve uma segunda chance; a categoria já confirmou que não vai realocar ou substituir a prova em Jeddah.
Desde então, a F1 monitora os desdobramentos da guerra, com intuito de definir o que acontecerá comos GPs do Catar e Abu Dhabi (que fica nos Emirados Árabes Unidos, país que faz fronteira com o Irã apesar da separação pelo Golfo Pérsico).
Excetuando as três finais de campeonato realizadas no GP do Brasil de 2011 a 2013, Abu Dhabi se consolidou como etapa final do Mundial da F1 de 2009 até agora; a etapa possui um contrato com a categoria que a assegura nesta posição pelo menos até 2030.
Mika Hakkinen venceu pela primeira vez no GP da Europa de 1997
Mark Thompson/Allsport/Getty Images
A última vez que o Mundial foi encerrado na Europa foi quase 30 anos atrás, na temporada 1997: Jerez de la Frontera, palco do GP da Europa, sediou a rodada final do ano que coroou Jacques Villeneuve como campeão. Nos anos seguintes, o GPs do Japão, Malásia, Brasil e China receberam as rodadas finais da F1, até a estreia de Abu Dhabi em 2009.
Os rumores de que as provas poderiam ser substituídas, por exemplo, por uma etapa em Fuji no Japão, surgiram ainda no começo do ano. Apesar disso, outras categorias já se anteciparam: o Mundial de Endurance da Federação Internacional do Automobilismo (FIA), a WEC, cancelou nesta terça-feira as corridas na região.
– Estamos em contato com todos os outros campeonatos. Sei que a WEC anunciou que não irá ao Oriente Médio no final do ano e permanecerá na Europa. A forma como estamos estruturados nos permite aguardar o tempo necessário para ver como a situação vai se desenvolver. E tomaremos a decisão no momento certo: esse momento não será antes de meados de setembro – completou Domenicali.
Stefano Domenicali, presidente da F1, no GP da Hungria da F1 2026
Marcel van Dorst/EYE4IMAGES/NurPhoto via Getty Images
Nas últimas semanas, discutiu-se a possibilidade de uma rodada dupla em Las Vegas (cuja corrida é em 21 de novembro), mas o tradicional feriado do Dia de Ação de Graças, que será celebrado nos Estados Unidos em 26 de novembro, torna a opção remota e reforça a Europa como plano B da F1.
Mesmo diante da incerteza provocada pelo conflito, a F1 demonstra confiança com a possibilidade de conseguir promover as duas corridas no fim do ano. O GP do Catar está previsto para 29 de novembro, enquanto o GP de Abu Dhabi segue agendado para 6 de dezembro:
– Para nós, hoje, as corridas no Catar e em Abu Dhabi estão confirmadas. A propósito, os ingressos já estão esgotados. Isso é um sinal incrível de como o esporte é muito maior do que o problema que o nosso mundo está enfrentando. Mas, é claro, se a situação não estiver esclarecida da maneira que acreditamos que deve estar até meados de setembro, tomaremos a decisão. E, a esse respeito, só quero confirmar a vocês que, se essa opção não for mais viável, o final da temporada será na Europa, pois não poderemos ir a outros lugares.
Entenda desdobramentos da guerra no Oriente Médio
Bahrein, Arábia Saudita e Catar têm sido alvos de retaliação do Irã pelos ataques de EUA e Israel no começo do ano. Em fevereiro, um míssil iraniano caiu na base da Marinha dos EUA no Bahrein, a apenas 30 km do Circuito de Sakhir quando a Pirelli se preparava para realizar testes de pneus com funcionários da McLaren e Mercedes.
A sessão foi cancelada, e funcionários das equipes ficaram presos no país até dias antes do GP da Austrália. Arábia Saudita, que nesta semana anunciou ataques em conjunto a grupos apoiados pelo Irã no Iraque, teve petroleiros atingidos há alguns dias.
Em março, o país registrou duas mortes e 12 feridos depois que um projétil militar caiu em uma área residencial na cidade de Al-Kharj. Outra ofensiva do Irã na Base Aérea Príncipe Sultan deixou 12 soldados americanos feridos.
Drone iraniano atingiu edifício em Manama, a cerca de 30 km do Circuito de Sakhir, no Bahrein
Stringer/Anadolu via Getty Images
Mais ofensivas à região foram registradas em junho: o Irã realizou mais ataques com drones no Bahrein e na Arábia Saudita, deixando quatro mortos e 12 feridos.No início de julho, o país também direcionou mais drones ao Bahrein, mirando bases americanas.
No Catar, um das maiores ofensivas se deu em março, quando mísseis foram lançados na capital Doha e moradores receberam alerta para se abrigarem em casa. O país também foi alvo de uma grande investida do Irã em junho: o bombardeio do complexo de energia Ras Laffan, que deixou 13 mortos e 66 feridos.
Em julho, a interceptação de mísseis hostis na região forçou a evacuação do aeroporto de Doha; ainda neste m,s a Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) realizou um ataque à base aérea dos EUA de Al-Udeid, no Catar. Durante os conflitos, uma criança acabou ferida por estilhaços. O clima na região segue instável, sobretudo devido aos sucessivos cessar-fogo instaurados e revogados no conflito. geRead More