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Mauro Vieira chama fala de Milei de agressiva ao justificar rebaixamento das relações: ‘Questão ideológica é secundária’

Mauro Vieira chama fala de Milei de agressiva ao justificar rebaixamento das relações: ‘Questão ideológica é secundária’

 Brasil rebaixa relação com a Argentina
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chamou nesta quarta-feira (5) as falas Javier Milei que incitaram a decisão de rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina agressivas, descabidas e grosseiras.
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Em entrevista a um programa de TV argentino, o chanceler brasileiro afirmou ainda que “a questão ideológica” não influenciou o rebaixamento.
➡️ Na noite de terça-feira (3), Vieira anunciou que o governo brasileiro havia tomado a decisão de rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina, que agora só poderá manter um encarregado de negócios em sua Embaixada em Brasília. O embaixador brasileiro em Buenos Aires também ficará no Brasil por enquanto.
Em entrevista ao programa “Modo Fontevecchia”, da rede argentina Net TV e emitido também na rádio Perfil, o brasileiro confirmou que o rebaixamento ocorreu em retaliação a “reitrados insultos e agressões a instituições brasileiras”.
“Foram quatro manifestações no espaço de uma semana em que o presidente da Argentina, de uma forma muito grosseira, muito direta e muito agressiva, criticou, de uma forma muito inaudita, o Brasil e as instituições na pessoa do presidente Lula”, declarou Vieira.
“Edução e respeito são fundamentais, sem isso não pode haver diálogo. A questão ideológica é totalmente secundária”.
Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores
Jornal Nacional/ Reprodução
Argentina critica
A Argentina criticou nesta terça-feira (4) a decisão do governo brasileiro de reduzir o nível da representação diplomática entre os dois países. Em nota, a chancelaria argentina afirmou que o Brasil age por “questões puramente ideológicas”.
Mais cedo, o Itamaraty informou que manterá o embaixador brasileiro em Buenos Aires em solo brasileiro enquanto o presidente argentino, Javier Milei, mantiver ataques ao Brasil. Na prática, a medida representa um rebaixamento das relações diplomáticas entre os países.
No comunicado, o governo de Milei informou que o Itamaraty pediu o retorno do embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, à Argentina.
Mais cedo, diplomatas brasileiros disseram que, com o rebaixamento das relações, Raimondi não deve permanecer no Brasil, mas destacaram que a decisão não configura uma expulsão formal do diplomata.
A chancelaria também afirmou que recebeu a decisão “adotada unilateralmente” pelo governo brasileiro e disse que o país está “se isolando do restante da região por questões puramente ideológicas”.
Ainda segundo a nota, nos últimos anos houve “numerosos episódios” de manifestações políticas e apoios cruzados entre dirigentes dos dois países, mas a Argentina nunca transformou essas divergências em um incidente diplomático.
A chancelaria também declarou que as relações entre os Estados devem responder aos “interesses permanentes” dos povos e não ficar subordinadas às “necessidades políticas e/ou pessoais dos governantes de turno”.
Crise
Os presidentes Javier Milei e Lula
REUTERS
A crise entre Brasil e Argentina começou após a presença de Javier Milei na convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, em 25 de julho. Durante o evento, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário”.
No dia seguinte, em entrevista a uma rádio argentina, Milei acusou o Brasil de liderar uma “campanha anti-Argentina” durante a Copa do Mundo.
O presidente argentino também afirmou que Lula enviou marqueteiros ao país para interferir nas eleições presidenciais de 2023 e apoiar o então candidato Sergio Massa, derrotado por Milei.
No domingo (2), em entrevista à emissora argentina LN+, Milei voltou a subir o tom. O presidente argentino afirmou que Lula é “ladrão”, “corrupto” e “não é inocente”. Também voltou a questionar as decisões do STF que anularam as condenações do petista na Operação Lava Jato.
Ao comentar a reação do governo brasileiro, Milei afirmou que não considera as declarações agressivas e disse que as ofensas foram “palavras espontâneas”.
“Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, disse.
Reação do Brasil
Lula e Milei durante encontro do Mercosul
Luis ROBAYO / AFP
Após os primeiros ataques, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para manifestar o descontentamento do governo brasileiro. Ao mesmo tempo, chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires.
Em nota, o governo classificou o episódio como “sem precedentes”. O chanceler Mauro Vieira disse considerar o caso grave, mas descartou, naquele momento, medidas mais duras, como a retirada definitiva de representantes diplomáticos.
Além disso, inicialmente, o presidente Lula evitou alimentar a polêmica. Ao ser questionado por jornalistas sobre Milei, respondeu: “Quem é esse cara?”.
Dias depois, no entanto, ele endureceu o discurso e classificou como uma “patacoada” a participação do argentino no evento do PL. Durante um ato do PSB, Lula afirmou que não aceitaria interferências externas na política brasileira.
“Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. (…) Eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa.”
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