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Prazos, irritações e desilusão: Flamengo termina 1ª parte da janela sem reforços e com atritos

Prazos, irritações e desilusão: Flamengo termina 1ª parte da janela sem reforços e com atritos

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A torcida do Flamengo trocou reforços pela desilusão nesta primeira parte da janela de transferências. Se dividirmos este período para contratações no Brasil por três, são 18 dias, exatamente o prazo que os clubes tinham, até a última sexta-feira, para inscrever novos jogadores nas oitavas de final da Libertadores. Sem sucesso no mercado, os rubro-negros vão ter que enfrentar o Cruzeiro no mata-mata com o que já havia no elenco.
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Cobranças de Jardim
Para frustração do técnico Leonardo Jardim, que cobrou publicamente a diretoria por reforços pelo menos em três momentos diferentes:
Leonardo Jardim em entrevista coletiva no Flamengo
Liamara Polli/AGIF
em 30 de maio, na vitória sobre o Coritiba no último jogo antes da Copa do Mundo:
— Temos necessidades, mas vamos ver o que o dinheiro será suficiente para buscar. Com essa diretriz, vamos reforçar a equipe com mais qualidade. Não vamos trocar por trocar. Vamos trazer jogadores que consigam acrescentar. Nesse momento, a meia está um pouco no Arrascaeta e, às vezes, o Carrascal. Poderíamos ter um jogador ali diferente. O Boto está a trabalhar essa situação. De resto, temos que ver posição por posição e colocar mais qualidade.
em 7 de julho, antes do amistoso com o Lausanne, da Suíça, durante a intertemporada em Portugal:
— Temos duas ou três diretrizes importantes. A primeira é trazer jogadores melhores do que temos aqui. Não vale trocar por trocar. E ter sempre a preocupação de trazer jogadores jovens, não com 18 anos, mas que tenham uma capacidade física diferente para ter energia na equipe. Para o presente e para o futuro. Falei que nosso meio-campo ofensivo e mais um ponta seriam interessantes.
e em 17 de julho, após a vitória sobre o Olimpia, em amistoso no Mané Garrincha:
— Se não chegar ninguém, vamos ter que trabalhar com os que estão conosco desde o início do ano. O que tem nos preocupado principalmente são as lesões, temos muitos jogadores fora.
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Nos bastidores, Jardim pediu reforços em três posições: meia, ponta-direita e centroavante, sendo as duas primeiras como prioridades. Na intertemporada em Portugal, José Boto anunciou que negociava com três jogadores. A ideia era investir pesado em um nome de peso, e os outros dois serem perfis mais de scout. Porém, o diretor de futebol até agora não resolveu nenhuma carência indicada pelo técnico, nem com medalhão, nem com aposta.
Fla se atrapalha nos prazos
Definir os momentos de atacar o mercado ou esperar por respostas também foi um problema do Flamengo nesta primeira parte da janela. Em 14 de junho, três dias depois da abertura da Copa do Mundo, o presidente Bap manifestou a intenção de resolver alguns negócios antes do fim do Mundial:
— Os jogadores querem esperar até o final da Copa para ver se vão se valorizar. Eu vou esperar até 22 de julho, que é quando a janela abre, para trazer um jogador desses? Será que vão estar inteiros? Será que não vão querer 10 dias de férias depois da Copa se o Brasil for longe? Chega no Brasil para jogar em setembro — afirmou em entrevista ao Charla Podcast.
Bap, durante entrevista no Maracanã
Gilvan de Souza/Flamengo
Menos de um mês depois, no dia 9 de julho, o discurso do presidente mudou. Bap reclamou de uma inflação causada pela Fifa por causa da janela fechada durante a Copa e disse que iria esperar o fim do Mundial para estudar as “promoções”:
— O que vai acontecer é que todos os jogadores que estão na Copa querem pagar para ver. Querem esperar saírem da Copa para verificar se estão mais valorizados. Então isso faz com que os preços aumentem num primeiro momento. (…) Vamos esperar as liquidações, o saldão aí de fim da Copa (risos). Quem sabe pinta alguma coisa? — disse em entrevista ao canal “Venê Casagrande”.
Tempo também foi algo que o Flamengo perdeu na negociação com Thiago Almada. Desde que colocou o meia como seu foco no mercado e abriu negociações após a Copa, a diretoria avançou nas conversas com o Atlético de Madrid, da Espanha, e com os representantes do jogador. A ponto de Bap usar o nome do argentino para negar calotes a empresários em uma entrevista antes do jogo contra o São Paulo, no Maracanã, no dia 26 de julho:
— Alguém acha que se eu não pago comissão de agente eu vou trazer o Almada? Não faz sentido, né?
Thiago Almada com a Argentina na Copa do Mundo
REUTERS/Agustin Marcarian
Três dias depois, antes da partida contra o Inter no Beira-Rio, Boto reforçou sua confiança de que o Flamengo conseguiria a contratação do meia:
— É um jogador que nos interessa e estamos trabalhando. Não é uma contratação fácil por vários motivos, mas estamos trabalhando e estou confiante que vamos conseguir — declarou ao Prime Video.
Mas o Flamengo esperou uma resposta por duas semanas. Só após viajar até a Argentina e se reunir pessoalmente com o empresário Agustin Jimenez é que Boto avisou que, embora manteria a proposta na mesa, iria atacar outros alvos no mercado. Como o dinheiro do clube nesta janela era curto, não daria para contratar dois nomes de peso.
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Boto voltou ao Rio de Janeiro na última segunda-feira e só então fez o primeiro movimento concreto por Luiz Henrique, após algumas sondagens recentes. O problema é que com isso teve menos de uma semana para tentar contratar o atacante do Zenit, da Rússia, para jogar as oitavas da Libertadores. E não passou nem perto de dar tempo.
Irritações com empresários
Nesse processo, a diretoria rubro-negra se irritou e também conseguiu irritar o outro lado da mesa nas negociações. Por exemplo, na concorrência por Almada com o River Plate, da Argentina, o Flamengo ficou insatisfeito com a postura do estafe por entender que virou um leilão de quem oferecia a melhor remuneração — ele viraria o maior salário do atual elenco. Mas também tinha na balança a preferência da família em retornar ao seu país.
Neste cenário, uma declaração não pegou bem com o estafe do atleta. Numa entrevista para a imprensa ao desembarcar no aeroporto do Galeão, Boto afirmou que “seria estúpido” da parte do Almada se o diretor “tivesse que ir lá convencê-lo” a jogar no Flamengo. Não pegou bem e criou mais um atrito no meio da relação. O River voltou à carga, subiu sua proposta e rapidamente concluiu o negócio.
Luiz Henrique em treino da seleção brasileira
Rodolfo Buhrer/AGIF
Ao virar o foco para Luiz Henrique, o Flamengo chegou a um entendimento rápido com o atacante, que gostou do projeto apresentado pelo clube. Porém, o Zenit, que comprou o jogador por 35 milhões de euros (R$ 220 milhões na cotação em janeiro de 2025) do Botafogo, exigia recuperar o investimento. Nas conversas entre Boto, estafe e os dirigentes russos, as partes chegaram a um entendimento de 30 milhões de euros (R$ 178 milhões), com mais 5 milhões de euros (R$ 29 milhões) em bônus.
Internamente, havia a confiança de que o negócio seria fechado. A ponto de formas de anúncio da contratação já estavam sendo debatidas. Só que o valor era bem acima do teto que o clube reservou para esta janela, de 25 milhões de euros (R$ 147 milhões), e Bap deixou claro que não iria quebrar o caixa. Nos bastidores, os empresários de Luiz Henrique ajudaram no convencimento do Zenit, inclusive a aceitar parcelar o valor. E se irritaram ao saber que se esforçaram à toa porque o Flamengo não tinha esse poder de fogo a oferecer.
Na nota oficial enviada à imprensa, o estafe deixou evidente o seu descontentamento ao dizer que as negociações foram encerradas “em razão de uma série de acontecimentos que dificultaram o andamento do negócio”. Por sua vez, o Flamengo também se incomodou com o número de intermediários na negociação, o que criaria um problema na hora de pagar a comissão. Eram quatro: Neto, Júnior Mendonza, Vinícius Mattos e William Bento, que inclusive estava no Rio na última sexta.
William Bento, um dos empresários de Luiz Henrique, postou foto viajando para o Rio de Janeiro
Divulgação
Desgaste interno com Boto
A relação de Boto no dia a dia do Ninho do Urubu já não é boa desde o ano passado. E a atuação do diretor nesta primeira parte da janela o expõe ainda mais. Há a visão de que ele deixa quem está dentro insatisfeito, no quesito gestão de pessoas, e não consegue convencer quem está fora.
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O vazamento da notícia de sexta-feira, com o viés de que Bap era quem estaria emperrando a contratação de Luiz Henrique, também não caiu bem internamente. Alguns pares do presidente viram como uma forma de Boto “pular do Titanic ao ver o iceberg”. Ano passado, também houve desgaste entre eles na época da contratação cancelada do irlandês Mikey Johnston, e nesta temporada o diretor chegou a balançar no cargo após a demissão de Filipe Luís.
Leonardo Jardim e José Boto conversam no Flamengo
Gilvan de Souza / Flamengo
Além da janela frustrada até aqui, o Flamengo também vive uma crise esportiva, o que deixa o ambiente no CT quase em ebulição. E Boto não tem conseguido sequer amenizar as questões internas com o treinador que ele mesmo contratou, como a crise com o departamento médico e a falta de convicção de jogadores na metodologia de trabalho do Jardim.
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