Ex-técnico do Guarani responsabiliza presidente por fracasso na Série C: “Maior culpado”
Executivo de futebol cita erros que marcaram a temporada do Guarani
O técnico Elio Sizenando se pronunciou sobre a passagem pelo Guarani e fez críticas à gestão do clube pela eliminação na Série C do Brasileiro.
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O treinador responsabilizou o presidente Rômulo Amaro pelo planejamento financeiro, afirmou que o Bugre montou um elenco com salários incompatíveis com a realidade da competição e relatou a falta de respaldo da diretoria durante os atrasos nos pagamentos. Para ele, a equipe tinha condições de conquistar o acesso à Série B.
Elio Sizenando (esquerda) ao lado do executivo Carlos Frontini (centro) e do presidente Rômulo Amaro (direita)
Raphael Silvestre/Guarani FC
Em entrevista à Rádio Bandeirantes de Campinas, Elio apontou o mandatário bugrino como o principal responsável por permitir a formação de um elenco que, na avaliação dele, o clube não tinha condições de sustentar.
– Primeiro, por ele deixar fazer o que fez. Estando numa Série C, queria formar um time, trazer atletas com salários muito altos. Eu acho que o cara tem que fazer conta, se ele paga a conta. Se você tem uma casa, você sabe que vai estourar. Ele deixou fazer, no meu modo de ver. Quando isso acontece e depois estoura, porque a Série C era deficitária e não conseguiu pagar, honrar ali, para mim é o maior culpado. Quem é o gestor? Quem deixou fazer?
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O treinador também criticou os valores pagos a jogadores na terceira divisão nacional. Na avaliação dele, a montagem do elenco deveria considerar a capacidade financeira do clube e as receitas da competição.
– Trazer jogadores, com todo respeito, jogadores na Série C, não pode ganhar mais de R$ 100 mil. Não pode ganhar nem R$ 70 mil, com todo respeito. A Série C é deficitária. Se o cara jogar a Série C, tem que entender que precisa jogar para caramba para ir para a Série B e para a Série A, e não chegar ali vindo de equipes grandes para jogar a Série C. Esse é o meu modo de pensar. Série C, R$ 70 mil, você está pagando muito, no meu modo de ver.
A reportagem do ge entrou em contato com a assessoria de imprensa do Guarani para ter uma posição do presidente Rômulo Amaro sobre as declarações de Elio, mas a resposta foi que o dirigente não vai se pronunciar no momento.
Atrasos salariais e falta de respaldo
Elio afirmou que os problemas financeiros começaram a afetar o ambiente do elenco depois da vitória sobre o Caxias, quando o Guarani chegou à reta decisiva da primeira fase com chances de classificação. Segundo ele, os jogadores passaram a cobrar respostas sobre os pagamentos, mas as conversas não resultavam em uma solução.
Guarani não tem previsão de pagar ao elenco os salários atrasados
– Quando está tudo organizado, tudo certinho, tudo correndo bem, o futebol às vezes não é só o jogador e o treinador. Passa muito por como está o clube no momento. Depois que nós ganhamos do Caxias em casa, fizemos um bom jogo, chegamos a ter 23 pontos ali, ou 21, uma pontuação boa. Depois daquela semana começou a questão dos pagamentos atrasados. Começou a dúvida dentro do grupo de atletas: vai pagar, não vai pagar, promete, não promete. E nunca a situação era resolvida. Nunca tinha alguém batendo ali: o que eu vou fazer, o que o Frontini vai fazer? Não tínhamos como.
O ex-técnico contou que tentou intervir, ao lado do executivo de futebol Carlos Frontini, quando os jogadores ameaçaram interromper as atividades. Na avaliação dele, faltou a presença de um representante da direção para responder às cobranças.
Elio Sizenando, ex-técnico do Guarani, ao lado do executivo Carlos Frontini
Raphael Silvestre/Guarani FC
– Quando eles quiseram parar, na semana em que quiseram parar, nós tentamos intervir, eu e o Frontini, e não conseguimos. Não teve ninguém ali para chegar também, ninguém chegar e peitar, falar. Não tinha ninguém no clube naquele dia. O Frontini não tinha essa coisa para fazer isso porque não mexe na questão financeira. O máximo que ele pode fazer ali é conversar. A mesma coisa eu como treinador. Nós não conseguimos intervir ali, não tivemos o que fazer. Eles voltaram no outro dia, demoraram mais tarde para ver se a direção realmente acordasse para a situação. Ficou meio preocupante. Ninguém vem falar nada, ninguém vem conversar.
Na mesma resposta, Elio citou o Santa Cruz como exemplo de uma equipe que conseguiu o acesso mesmo com salários atrasados. O treinador afirmou que soube que o clube pernambucano quitou os débitos na semana do jogo decisivo contra o Maringá.
Rômulo Amaro (esquerda), presidente do Guarani
Raphael Silvestre/Guarani FC
– Enquanto o Santa Cruz subiu com quatro meses de salário atrasado, só foi pagar os meninos na semana do jogo contra o Maringá, nós não conseguimos isso aí. Empurrar, conversar, empurrar, levar. A nossa equipe era boa e tinha condições de subir.
Demissão antes da última rodada
Elio também afirmou que deveria ter comandado o Guarani na última rodada da primeira fase, contra o Brusque. Ele foi demitido antes da partida, e o time acabou eliminado sem conseguir a classificação.
– Eu acho que deveria ter feito a última partida. Quando você manda o treinador embora, você mostra que os jogadores estão certos. Os jogadores estão certos.
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– Cada vez que você troca o treinador, isso mostra que a direção quer tirar o dela da reta. E para o jogador também é cômodo: ficou mal, ele que vai sair. Então eu acho que deveria ter feito o jogo – completou.
O ex-comandante também negou ter tido problemas de relacionamento com os jogadores. Ele afirmou que o elenco continuou treinando e cumprindo as orientações, apesar da insatisfação com os atrasos salariais.
Elio Sizenando, ex-técnico do Guarani
Raphael Silvestre/Guarani FC
– Para mim, a decepção foi a direção. A direção deixou muito a desejar. Os jogadores trabalharam. Eles ficaram nervosos com a questão do pagamento porque não estavam vendo solução, mas nunca deixaram de trabalhar, nunca deixaram de obedecer, de treinar. Nunca tive desentendimento com ninguém ali.
E fez novas críticas para Rômulo Amaro:
– Quando fui demitido, no domingo, no período da tarde, agradeci e falei para o Rômulo que um dos maiores culpados era ele. Segui minha vida. Se não me quer, não posso fazer nada. Fui ali, trabalhei, ele me demitiu e não falou quando ia me pagar, não falou como seria. É uma falta de respeito que achei muito grande.
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O treinador disse que ainda tinha dois meses a receber do Guarani. Questionado sobre a possibilidade de entrar na Justiça, afirmou que preferia resolver a pendência diretamente com o clube, desde que houvesse uma proposta de pagamento.
– Eu não quero entrar na Justiça. Se alguém me ligar e falar: vamos pagar, mesmo que seja em cinco ou seis vezes, eu não quero entrar na Justiça. Mas ninguém dá satisfação, ninguém fala nada.
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De olho em 2027, o Guarani espera a votação da SAF no dia 19 de novembro, quando os sócios vão decidir se o empresário Roberto Graziano assume 90% do controle do futebol do clube. Até o momento, o Bugre anunciou as renovações do goleiro Mateus Claus e do lateral Dudu Marques.
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