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Carol Gattaz fala sobre saúde mental e revela ter vivido burnout na carreira: “Tive altos e baixos”

Carol Gattaz fala sobre saúde mental e revela ter vivido burnout na carreira: “Tive altos e baixos”

Carol Gattaz fala sobre decisão de parar de jogar: “Preservar minha saúde”
Multicampeã por clubes e pela Seleção Brasileira, Carol Gattaz se consagrou como um dos grandes nomes da sua geração no vôlei brasileiro. Perto da despedida da carreira – o último jogo da central é nesta terça-feira, em Praia Clube x Tijuca -, a jogadora brilhou dentro de quadra, mas não nega ter enfrentado desafios também fora dela, por causa da saúde mental.
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Carol Gattaz em ação no Mundial
Divulgação/FIVB
Em entrevista ao ge, a jogadora revelou ter passado por burnout durante a carreira, mas destacou a importância da rede de apoio formada pela família e pelos profissionais de saúde para que os problemas fossem amenizados.
— A questão da saúde mental é muito importante para nós atletas, porque quem não consegue entender essa intensidade que as informações chegam para a gente, realmente não aguenta. É claro que eu tive momentos de altos e baixos. Já tive momentos de burnout dentro da minha carreira. Mas eu sempre tive um suporte muito grande, primeiro da minha família, e segundo dos profissionais que sempre estavam comigo, terapia, psiquiatra também. Quanto mais a gente aceita isso, e o quanto antes, mais a gente acaba melhorando a nossa cabeça.
“A gente é muito o que a gente pensa. Então, se você tem controle dentro da sua cabeça do que você pensa e como você lida com essas coisas, mais rápido você consegue lidar com os problemas”, destacou a medalhista olímpica.
Segundo Gattaz, o crescimento da popularidade do voleibol no Brasil e no mundo e a expansão das redes sociais fizeram com que a pressão sobre as jogadoras se tornasse ainda maior.
— Desde 1995 eu jogo vôlei, e mudou praticamente tudo. Virou um esporte mais profissional, muito mais técnico agora, com muita força. E fora de quadra também, a relação com os fãs, com a própria mídia. Depois das redes sociais, então, ficou muito mais expansiva na nossa carreira, como as pessoas nos conhecem, tem muito mais acesso a nós. Não só a nós como atletas, mas como pessoas também. Não que antigamente não era importante, mas não tinha essas cobranças tão imediatas que a gente tem — afirmou.
“Se a gente perde um jogo, a gente é a pior jogadora do mundo. Se a gente ganha um jogo no próximo, a gente já é a melhor do mundo, já tem que ser convocada”.
Carol Gattaz Praia Clube
TV Integração/Reprodução
— Obviamente que eu tive momentos, mas eu posso dizer que, durante toda a minha carreira, os fãs foram sempre muito queridos e suaves comigo, vamos dizer assim. Claro que tiveram muitas críticas, mas eu acho que nada tão pesado e tão constante. Eu sou muito grata por isso também, mas com certeza eu trabalhei muito minha saúde mental — acrescentou Gattaz.
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Carol se recupera desde março do ano passado de uma grave lesão no joelho esquerdo – foi o segundo problema físico grave em menos de três anos. Em entrevista à TV Integração e ao ge Triângulo, Gattaz admitiu a frustração de não conseguir retornar às quadras, mas disse estar tranquila com a decisão por priorizar a própria saúde.
— É sempre muito frustrante, porque na verdade a gente tentou de tudo. Todas as técnicas foram usadas, todas as pessoas tentaram me ajudar, uma rede de apoio muito grande, isso foi muito legal. O tratamento não vai parar, mas acaba que eu tentei até o último momento, porque eu gostaria mesmo de tentar ajudar a equipe, que a qualquer momento eu pudesse entrar em quadra, independentemente de quando. Mas a gente viu que infelizmente não estava adiantando, e chegou um momento que eu não vou fazer a diferença no momento mais importante, então talvez seja melhor eu parar, cuidar do meu joelho, cuidar da minha cabeça, porque também não é fácil tomar todas as decisões. A partir do momento que eu tomei essa decisão, a minha cabeça sempre focou que o meu joelho agora é o mais importante — afirmou.
“Eu penso: “você já fez o que você podia, e cabeça tranquila. Estou em paz”
A despedida de Carol das quadras será nesta terça-feira, no duelo do Praia Clube contra o Tijuca pela última rodada da fase classificatória da Superliga Feminina. A partida é às 21h no ginásio do UTC, em Uberlândia.
Carol Gattaz Praia Clube
TV Integração/Reprodução
Lesão
A última vez que Carol Gattaz entrou em quadra foi no dia 15 de março de 2025, no jogo entre Praia Clube e Brusque pela Superliga Feminina. Na partida, ela caiu de mau jeito após executar um movimento de bloqueio e foi substituída imediatamente. Exames confirmaram o rompimento do LCA do joelho esquerdo, e ela passou por cirurgia para corrigir a lesão.
A previsão inicial de retorno de Carol às quadras era de nove meses. Esse foi o mesmo período que a central ficou afastada quando sofreu uma lesão semelhante, no joelho direito, quando defendia o Minas em 2023.
Carol chegou a treinar com as companheiras no começo deste ano e compartilhou imagens nas redes sociais de trabalhos com bola, mas não foi relacionada novamente desde então. A descoberta de uma edema ósseo no joelho operado dificultou a recuperação e impediu a volta da atleta à melhor forma física.
Perto do retorno às quadras, Carol Gattaz compartilha volta aos treinos com bola no Praia
Carol Gattaz
Natural de São José do Rio Preto, Carol começou a jogar vôlei aos 15 anos na cidade-natal. Com 1,96 m de altura, a jogadora rapidamente se destacou e passou a rodar por times importantes do vôlei brasileiro, como São Caetano, Paraná (antigo nome do projeto do Sesc-Flamengo), Osasco, Campinas e Vôlei Futuro, além de clubes da Itália e do Azerbaijão.
A primeira convocação da central para a Seleção Brasileira ocorreu em 2003. Desde então, ela foi presença frequente nas listas de José Roberto Guimarães e conquistou cinco ouros no Grand Prix, mas acabou ficando fora das Olimpíadas de Pequim, em 2008, e Londres, em 2012, quando o país faturou o bicampeonato.
José Roberto Guimarães e Carol Gattaz Vôlei Seleção Brasileira Treino
Alexandre Arruda/CBV
Em 2014, Gattaz se afastou da Seleção, mas iniciou uma passagem vencedora pelo Minas. Ao longo de dez temporadas, a central se consagrou como ídolo do clube e foi tetracampeã da Superliga pelo time de Belo Horizonte. Nesse período, ela firmou uma parceria história com a levantadora Macris, e a dupla se consagrou com um ataque china quase imparável.
As grandes atuações na Rua da Bahia recolocaram Gattaz no radar da Seleção Brasileira, e a jogadora foi convocada para a primeira edição de Jogos Olímpicos aos 39 anos, em Tóquio, em 2021. No Japão, Carol foi um dos destaques da equipe na campanha da medalha de prata e terminou eleita a melhor central da competição.
Carol Gattaz durante a final Brasil x EUA
REUTERS/Pilar Olivares
Gattaz ainda disputou o Campeonato Mundial com a seleção em 2022 e conquistou mais uma medalha de prata. Ela estava no radar para disputar as Olimpíadas de Paris, mas a lesão de 2023 a tirou dos planos de José Roberto.
Desde 2024, Gattaz defende as cores do Praia Clube, onde reeditou a dobradinha com Macris e conquistou o Sul-Americano de Clubes em 2025. Porém, a lesão grave no joelho esquerdo a tirou das quadras e impediu que ela tivesse sequência na equipe aurinegra. geRead More