‘Pode ceder a qualquer momento’: líder das buscas aponta desafios para localizar homens que seguem presos em caverna no Laos
Mergulhador que lidera buscas por homens presos em caverna no Laos conta qual é o maior desafio agora
A operação para resgatar dois garimpeiros que permanecem presos em uma caverna inundada no Laos chegou ao 12º dia cercada por apreensão. Cinco homens já foram retirados com vida do local, mas as equipes de busca ainda tentam alcançar os dois desaparecidos.
Em entrevista à correspondente Bianca Rothier, o mergulhador finlandês Miko Pase, que lidera uma força-tarefa internacional com mais de 100 voluntários, descreveu as dificuldades enfrentadas pelos socorristas.
Segundo ele, o ambiente dentro da caverna é extremamente perigoso, com água barrenta, passagens estreitas, risco constante de desabamento e mudanças repentinas nas condições climáticas.
“O problema é chegar até eles. Temos que drenar a câmara e rastejar para dentro dela, porque mergulhar eu não recomendo. É muito, muito arriscado até para a gente”, afirmou.
O drama começou em 20 de maio, quando dez garimpeiros entraram na caverna em busca de ouro. Uma tempestade inundou o local. Três conseguiram escapar, enquanto sete ficaram presos.
Com mais de três décadas de experiência em mergulho em cavernas, Miko participou do resgate dos jovens de um time de futebol presos em uma caverna na Tailândia, em 2018. Mesmo assim, afirma estar impressionado com as condições encontradas no Laos.
Segundo ele, em alguns trechos da exploração foi necessário expirar quase todo o ar dos pulmões para conseguir atravessar passagens extremamente estreitas.
Na quarta-feira, os socorristas localizaram cinco sobreviventes. Dois dias depois, um deles foi retirado com a ajuda de equipamentos de mergulho. Como a operação se mostrou arriscada demais para ser repetida, as equipes concentraram esforços na drenagem da água acumulada na caverna.
Após mais de uma semana de trabalho com bombas de sucção, o nível da água caiu rapidamente. Com isso, os outros quatro sobreviventes conseguiram deixar a caverna por conta própria.
“Foi o melhor resultado possível”, disse o mergulhador.
Os homens resgatados também forneceram informações consideradas essenciais para a continuidade das buscas. Eles relataram a existência de uma segunda câmara com bolsão de ar além do ponto onde permaneceram abrigados.
De acordo com os socorristas, há a possibilidade de que os dois desaparecidos estejam nesse local, cerca de 100 metros adiante. O acesso, porém, continua sendo um grande desafio.
Hoje, o trajeto até a área alcançada pelos resgatistas leva aproximadamente uma hora e meia por túneis íngremes e estreitos. A chuva, que pode inundar novamente a caverna em poucos minutos, segue como uma das principais ameaças à operação.
Apesar das dificuldades, os voluntários mantêm as buscas.
“Vale a pena”, resumiu Miko ao falar sobre a possibilidade de salvar vidas. Pouco depois, precisou interromper a entrevista para orientar os colegas a suspender temporariamente os trabalhos diante da rápida piora do tempo.
Mergulhador que lidera buscas por homens presos em caverna no Laos conta qual é o maior desafio agora
Reprodução/TV Globo
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