Análise tática dos EUA na Copa de 2026: time camaleão que pode redefinir a história do país nas copas
“Os Estados Unidos serão campeões de uma Copa do Mundo até 2050”. Quem nunca ouviu essa profecia ao falar sobre o potencial imenso do futebol quando ainda era pouco explorado na terra do Tio Sam?
Mas depois de Beckham, Kaká, recordes de público e Lionel Messi jogarem lá, as ambições estão um pouco menores. Não há mais dúvidas do tamanho do esporte no país, que atrai multidões, e na talentosa geração que tem protagonistas no mais alto nível europeu. A questão agora é até onde os Estados Unidos podem chegar numa Copa do Mundo.
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Mauricio Pochettino estreia como técnico dos EUA
U.S. Soccer Men’s/ X
A resposta começou com a surpreendente contratação de Mauricio Pochettino no início de 2024. Vindo de baixa após trabalhos ruins no Chelsea e PSG, o treinador argentino montou um estilo de jogo sólido, agressivo e vertical, que aproveita o melhor dos atacantes americanos.
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Se sofre críticas por não repetir escalações e mudar o esquema tático, o time é consistente e promtete fazer uma Copa do Mundo competitiva, à altura do que se espera de um país-sede.
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Jogos dos Estados Unidos na Copa
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Esquema tático e time base
Pochettino vem variando entre um 3-4-2-1 e um 4-4-2, esquema usado na final da Copa Ouro, perdida para o México, e nos amisostosos mais recentes em 2026. Na defesa, Chris Richards é o único nome indiscutível, e Mark McKenzie sai na frente pela luta na dupla de zaga.
No meio, Tyler Adams como pivô e Weston McKennie como segundo volante formam a dupla mais testada. Na frente, Pulisic e Aaronson como meias adiantados, e Folarin Balogun como referência central.
Esquema tático varia entre o 3-5-2 e o 4-4-2, usado nos jogos recentes
Reprodução
Como inicia as jogadas?
A saída de bola é feita a partir de uma saída de três, seja com três zagueiros ou um dos volantes, normalmente Adams, buscando a bola entre a zaga. O time costuma jogar bastante pela esquerda com Ream, que avança e arma o jogo por lá.
Os alas ou laterais se espalham pelo campo. A ideia de Pochettino é ter um time com bastante profundidade, ou seja, que ocupa o ataque a toda hora e oferece opções de passe mais à frente. O ataque espera a bola chegar e não costuma descer muito para buscar no pé dos volantes ou dos zagueiros.
Saída acontece com um dos volantes entre os zagueiros e o ataque bem espalhado pelo campo
Reprodução
Como ataca?
Da saída de bola até o ataque, o modelo de Pochettino é de pressing e transição rápida. O time não fica circulando muito: gosta de acelerar e resolver em poucos toques. McKennie vem sendo um dos jogadores mais consistentes ao chegar bastante na área e formar um trio bem agressivo com Balogun e Pulisic, que junto dos pontas, buscam o tempo todo as diagonais nas costas dos defensores.
A jogada da imagem abaixo é algo que se repete muito nos times de Pochettino: um time que ataca com bolas no espaço, “brincando” com o impedimento do adversário. Por isso o treinador prefere atacantes mais rápidos e centroavantes de mobilidade. Apesar de estar longe da melhor forma, Pulisic ainda é o jogador mais criativo da convocação e serve como a pausa que o sistema precisa para ser menos frenético e mais pensador.
Ataque busca atacar a linha de defesa e receber a bola sempre no espaço. Correria.
Reprodução
Como defende?
Seha no 4-2-3-1 ou no 5-3-2, a organização defensiva começa no ataque. O pressing é o primeiro mecanismo de defesa, com Pulisic e Balogun pressionando alto e buscando orientar a saída do rival para os lados. Tudo com muita rapidez para fazer o adversário rifar a bola ou ficar sem espaço.
Quando o pressing funciona, os zagueiros raramente são expostos. O problema está nos momentos em que não funciona, onde a fragilidadedos zagueiros, especialmente pelo lado esquerdo com Ream, pode ser um problema.
Marcação dos Estados Unidos é rápida e busca sufocar a todo momento
Reprodução
O grande destaque
Pulisic é o melhor jogador desta seleção e o eixo sobre o qual o projeto de Pochettino foi construído. Aos 27 anos, capitão, carrega desde muito cedo o peso de ser o nome que vai levar essa geração mais longe em uma Copa do Mundo. Dessa vez, em casa.
A temporada no Milan ficou abaixo do que o jogador havia mostrado no ciclo anterior, e os questionamentos sobre a titularidade automática já apareceram na imprensa americana antes mesmo do início do torneio. Ainda assim, o treinador reluta em tirá-lo do time. E os americanos sabem que não existe uma seleção sem seu maior craque.
Pulisic comemora gol olímpico do Milan contra o Club Brugge
REUTERS
Os Estados Unidos têm condição de se classificar com relativa tranquilidade no Grupo D. Para isso, irão gastar a bola contra o defensivo Paraguai e a Turquia, que também é mais defensiva.
Mas o grupo não é bem o ponto. O que vai definir essa seleção é se ela consegue fechar as questões que ficaram abertas ao longo do ciclo. Uma seleção que goleou o Uruguai e levou goleada da Bélgica semanas depois ainda gera desconfianças a serem quebradas na volta do país como sede após 32 anos.
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