“Não estamos pensando em ganhar dinheiro com o Figueirense”, diz Edson Silva após vitória pela SAF
Conselho escolhe proposta para compra da SAF do Figueirense
O ex-presidente do Figueirense, Edson Silva, representante da Pansports, participou nesta quarta-feira de entrevista ao programa Debate Diário, da CBN Floripa, e falou sobre a vitória do grupo na disputa pela aquisição da SAF alvinegra. A proposta foi escolhida na noite de terça-feira, em votação do Conselho Deliberativo do clube.
Durante a entrevista, Edson detalhou os próximos passos do projeto, falou sobre antecipação de ações antes da assinatura definitiva, possibilidade de participação da Kactus, plano imobiliário, pagamento de dívidas e relação com a torcida. O ge separou abaixo os principais trechos da entrevista. Confira:
Edson Silva (ao centro) em entrevista para o Debate Diário, programa da CBN Floripa
Divulgação
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+ CONFIRA: “Dinheiro bom querendo entrar”, diz Edson Silva sobre proposta
Votação expressiva e identificação com a cidade
— O motivo de talvez termos ganhado com uma votação expressiva, eu acho que é porque nós procuramos, ao longo de muito tempo, criar um relacionamento com a torcida e com a imprensa. Essas sintonias, nascido aqui, Edson, Guillermo, que é argentino, mas está há mais de 20 anos aqui, Adilson, Serginho, Hélio… Esse grupo é daqui, vive as dores, é identificado, convive com a torcida, não está no camarote.
Passagem anterior pelo Figueirense
— Eu tive uma passagem relâmpago, curta, mas acho que fiz um trabalho legal naquela época. Mas ainda imaturo. Foi um mandato tampão, na saída do Zé Carlos, e tive chance de fazer um bom trabalho, mas aprendi muito de lá para cá. Eu não estava preparado.
Relação com a torcida e propósito do projeto
— A identidade da torcida e com o clube, sempre prezamos o clube. Não estamos pensando em ganhar dinheiro com o Figueirense. Somos empresários e estamos muito bem posicionados no nosso mercado, somos reconhecidos no que fazemos. A gente vem há tempo sofrendo com a torcida. Se nós temos algo a devolver para a sociedade, pode ser pelo clube pelo qual somos apaixonados e torcedores.
Antecipação de ações antes da assinatura definitiva
— O contrato com o grupo nos permite atuar de forma definitiva a partir de 30 a 40 dias, com o contrato assinado. Não vamos respeitar isso, já vou te adiantar. Estamos falando com o Antônio Miranda (Presidente do Conselho Deliberativo), queremos antecipar uma série de ações, porque queremos ajudar. Temos um grupo de jogadores que, independentemente de se julgar qualidade ou não, vieram para vencer, e queremos resgatar a motivação deles, salário em dia.
— Vamos interferir já nisso. Vamos chamar de uma pseudo doação, antecipação de números. Não há como chegarmos ao fim de julho, quando de fato vamos assumir, e aí falar sobre os salários. Aí já foi.
Conversas com a atual gestão da SAF
— Com o Tadeu, a gente tem falado pouco. Conversamos mais com o Franzoni e com a presidência do Conselho, que não têm resistência conosco. O Tadeu, acredito que tenha uma certa preferência, porque foi colocado ali pelo Paulo Prisco Paraíso. O Franzoni também foi, mas acho que tem sido mais flexível. O Tadeu tem sido mais fechado, mas acredito que naturalmente ele é assim.
— A gente procurou trabalhar para ter as informações e tivemos, não em profundidade, porque não tivemos tempo hábil, mas o suficiente para entender os números iniciais que seriam necessários e entender onde podemos trazer receita para o clube. Porque não adianta só pagar dívida. No dia seguinte, acabou o dinheiro. Temos de olhar para frente. Não temos vaidade de ocupar algum cargo. Vamos botar um CEO lá dentro. Precisamos de pessoas com competência para o futebol.
Relação com ex-presidentes e possível participação da Kactus
— Nós nunca mantivemos uma relação não amistosa com os ex-presidentes e diretores. Com o Nestor Lodetti, temos conversado. Conversamos três vezes com o Paulo Prisco Paraíso no começo deste ano. Todos nos procuram, dão conselhos, nos apresentam alternativas e temos que buscar ser colaborativos.
— O nosso grupo gestor é Edson, Edenir, Guillermo, Adilson, Serginho e Hélio. Não tem ninguém mais que compõe este grupo. A própria Kactus nos buscou para conversar. Se ela quiser, pode entrar. É um fundo de investimentos, onde vamos aportar recursos. Eles mostraram interesse em fazer isso depois da votação, um representante do Rodriguinho e do Rafael. Os nossos propósitos continuam sendo seguidos. Não temos a obrigação de juntar, porque há uma certa resistência com o nome deles.
Participação do torcedor no investimento
— O veículo é o caminho por onde se bota o dinheiro. Tem que ser um caminho legal, regido pelas regras da CVM, Comissão de Valores Mobiliários, onde o dinheiro entra com origem declarada. Esse veículo serve para eu entender que alguém está botando dinheiro e, quando eu for devolver com remuneração, isso seja comprovado. Porque eu não posso permitir dinheiro anônimo.
— Estamos criando esse veículo para que todos possam investir. Queremos que o torcedor compre uma participação no clube. E o pessoal pergunta: “Ah, então vão ter 300 pessoas em uma reunião do Conselho depois?”. Sim, vão. Não estamos botando a cara na TV e no rádio para depois nos esconder.
Projeto imobiliário e previsão de receita recorrente
— O projeto que a gente prevê é de um boulevard com lojas, salas e eventos. No ginásio, a gente prevê um shopping com torres residenciais e uma reforma no estádio para que possa ser utilizado com outros fins, com ligação entre o estádio, com passarela até o terreno do ginásio.
— Esses R$ 500 milhões vêm daí, de outros investidores que possuem interesse. Isso vai gerar uma receita recorrente de mais de R$ 3 milhões para o clube. Queremos começar em 2028, porque primeiro precisamos cuidar do futebol.
Investimento inicial, dívidas e negociação com a Clave
— Um dos nossos princípios é que o dinheiro não é doação, é investimento. Vem de um fundo de um grupo gestor, que vai trazer outros recursos de fora para compor os R$ 83 milhões que conseguimos apurar na diligência. Achamos que vai passar, porque o assunto do transferban não estava previsto, outros números também, como a negociação com a Clave.
— Conversamos com o Eduardo Medicis, gestor da Clave. Ele conversou conosco ontem à noite e hoje de manhã. Eu dizia para ele ontem. Ele estava preocupado se iríamos para uma demanda judicial, e eu falei que essa era a última instância. Preferimos um acordo e tem como chegar a um bom termo com eles. Semanalmente, esse valor está inflacionando em uma proporção de taxa de mais de 10% a 15%.
Manutenção de Eduardo Mafra e reorganização da SAF
— O Mafra continua, é uma pessoa competente. Vamos reorganizar essa estrutura, mas agora no futebol a gente não pode mexer. Somos obrigados a colocar nomes nossos no Conselho da SAF. Vamos sentar com eles. Alguns, como por exemplo o Mafra, são pessoas competentes, que, se puder, manteremos. Não podemos tratar o clube como ala política. Precisamos de resultados, todos pensando em prol do Figueirense.
Terreno do ginásio, SAF e importância do torcedor
— A questão imobiliária, principalmente a do terreno do ginásio, será transferida para a SAF, porque há um ativo real, valorizado e com oportunidade de ocupação. Gera receita importante no valor final de venda e na recorrência, na locação dos espaços quando ficar pronto.
— Está no documento começarmos a construção em 2028. Como chegamos lá? Há um projeto estruturado de resolver as pendências financeiras do clube, gerar outras receitas, seja através do torcedor. Até falei esses dias que o torcedor é o maior ativo. Satisfeito, rindo na arquibancada, atrai patrocinador.
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