Mentor de Klopp transforma a Áustria em um perigo real
Áustria 5 x 1 Gana | Gols | Amistoso Internacional 2026
O treinador da seleção austríaca, Ralf Rangnick, é considerado um dos maiores pensadores do futebol moderno e mentor tático de nomes como Jürgen Klopp. Ele é o “pai” do gegenpressing (a pressão pós-perda) e, nos tempos de Leipzig, ficou famoso por banir jogadores individualistas e impor regras rígidas de comportamento e estilo de vida. Hoje, essa mentalidade transformou a Áustria em uma das seleções mais intensas e organizadas da Europa.
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Ralf Rangnick, técnico da seleção austríaca
REUTERS/Annegret Hilse/File Photo
Aqui vale uma explicação: o gegenpressing de Rangnick e Klopp é uma variação da pressão pós-perda, que tem Bielsa como um dos arquitetos e Guardiola como um discípulo e aperfeiçoador.
Em síntese, a do alemão é mais frenética, agressiva e busca o desarme.
A de Guardiola, mais controlada, tem foco no espaço a ser ocupado, forçando o erro do adversário e já pensando na estrutura da própria equipe para contra-atacar.
A preparação para a Copa de 2026 reforça justamente essa identidade de marcação. A Áustria joga em alta rotação, pressiona o adversário o tempo inteiro e tenta recuperar a bola poucos segundos depois da perda. Não é um time construído para depender de genialidades isoladas, mas de sincronização coletiva, intensidade física e ocupação agressiva dos espaços.
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A equipe se destaca pelo número alto de desarmes.
Normalmente, equipes com alta posse de bola costumam ter números baixos de roubadas de bola.
Nas Eliminatórias europeias, a seleção com a maior média de posse de bola por jogo foi a Inglaterra, apenas a 41ª em desarmes.
A Alemanha, segunda colocada em posse, terminou na 52ª posição em roubadas.
A Holanda, 10ª melhor média na posse, foi a 50ª em desarmes ao adversário.
Já a Áustria, que teve cerca de 65% de posse de bola e terminou como o 11º time nesse ranking, foi a 3ª que mais desarmou.
Equipes com baixa posse de bola costumam se destacar nesse quesito, por isso apenas Azerbaijão (!) e Irlanda do Norte roubaram mais bolas na média.
Respectivamente, essas seleções terminaram em 49º e 46º em posse de bola.
Esses números mostram que a seleção austríaca tem pleno domínio do jogo e sabe o que fazer com e sem a bola.
E, além das virtudes coletivas, também conta com alguns jogadores talentosos.
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Marcel Sabitzer, meia do Borussia Dortmund, continua sendo a referência: um meio-campista incansável, de chute forte, liderança e leitura tática acima da média.
Konrad Laimer talvez represente como ninguém a ideia de Rangnick em campo, com mobilidade absurda, pressão constante e capacidade de transformar defesa em ataque em poucos segundos. Jogador do Bayern de Munique, oferece versatilidade: atua como lateral-direito, volante e até como meia pelos lados.
Já Christoph Baumgartner, do Leipzig, oferece criatividade e chegada na área, funcionando como peça-chave para acelerar transições e quebrar linhas, além de ser muito forte na marcação.
Na defesa, David Alaba segue sendo o jogador mais técnico e experiente da geração. Com um currículo imponente – 12 temporadas no Bayern de Munique e cinco no Real Madrid -, ainda entrega saída de bola qualificada, versatilidade e liderança, mesmo convivendo com problemas físicos recentes e menor espaço no clube espanhol.
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E no ataque, Marko Arnautović continua importante pela personalidade e pela capacidade de decidir jogos, embora hoje o time pareça menos dependente dele do que em ciclos anteriores.
É um atacante histórico do país, com mais de 130 jogos pela seleção. Atuou por anos na Premier League e, até recentemente, estava na Inter de Milão ainda com boa utilidade.
Hoje, aos 37 anos, perdeu protagonismo, mas segue como peça de atenção.
Pode não ser uma geração de atletas de elite mundial – e não é mesmo.
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Mas o futebol não é exclusivamente a soma de talentos individuais em campo.
Futebol é encaixe, compensações, construção de superioridades em zonas específicas e capacidade de impedir o adversário de se sentir confortável em campo – a Áustria consegue apresentar, em certa medida, essas qualidades.
No futebol de seleções, onde o tempo de treino é curto e a organização pesa muito, isso pode valer mais do que nomes de impacto global.
Sua participação no torneio pode ser limitada por um possível cruzamento indigesto logo de cara, já que há boa chance de enfrentar a Espanha na segunda fase.
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