Roberta avalia ciclo do Brasil, cita “pressão saudável” por ouro olímpico e indica pós-carreira
Roberta destaca “pressão saudável” pelo ouro olímpico na seleção brasileira de vôlei
Às vésperas de mais um ciclo decisivo e embalada por uma campanha sólida na Liga das Nações (VNL), a seleção brasileira feminina de vôlei encontra em sua espinha dorsal a maturidade necessária para buscar o topo do mundo.
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Uma das atletas mais experientes do grupo comandado por José Roberto Guimarães, a levantadora Roberta tem sido peça fundamental não apenas na articulação tática dentro das quadras, mas também no papel de liderança fora delas.
Em meio à rotina intensa de treinamentos e competições, a jogadora projeta os próximos passos do Brasil, detalha o amadurecimento adquirido após duas temporadas no competitivo vôlei da Turquia e abre o jogo sobre o planejamento para o pós-carreira, que inclui o desejo de retornar ao país natal e até mesmo o sonho de empreender longe do esporte.
Roberta, levantadora da seleção brasileira de vôlei feminino
Jairton Conceição/RPC
Vitória sobre a Itália reforça confiança
A seleção brasileira feminina de vôlei inicia nesta quarta-feira uma nova etapa da caminhada na Liga das Nações (VNL) embalada por um começo perfeito de competição.
Líder da classificação geral, com quatro vitórias em quatro jogos, a equipe comandada por José Roberto Guimarães enfrenta a França, às 10h (de Brasília), em Ancara, na Turquia, na abertura da segunda semana do torneio.
Brasil 3 x 2 Itália | Melhores momentos | Semana 1 | Liga das Nações de Vôlei 2026
A campanha ganhou ainda mais peso no último compromisso diante da torcida brasileira. Em um duelo equilibrado no Ginásio Nilson Nelson, a seleção derrotou a Itália por 3 sets a 2 e encerrou a etapa de Brasília com 100% de aproveitamento.
— Todas as vitórias foram muito importantes. Jogar em casa e conquistar esses quatro resultados foi fundamental. Pensando lá na frente, chegar bem na VNL facilita os cruzamentos futuros. Contra a Itália conseguimos impor nosso ritmo em vários momentos — afirmou.
— Mesmo sem o elenco completo delas, sabemos que o time que entrou em quadra tem nível altíssimo. Ganhar de uma equipe que é campeã olímpica, mundial e da VNL é excelente para o nosso crescimento — concluiu Roberta.
Evolução do grupo para o ciclo olímpico
A levantadora destacou que o desempenho apresentado ao longo da primeira semana reforça a confiança em um ciclo olímpico que mantém boa parte da base de Paris 2024 e incorpora novas peças de forma gradual. Segundo ela, o amadurecimento coletivo e a integração entre atletas experientes e jovens talentos têm sido diferenciais no processo.
— As meninas que chegaram estão muito bem física e mentalmente. Temos boas opções, boas trocas e um grupo muito focado. Existe uma busca constante por entender o que falta para chegarmos ao ouro. A comissão técnica nos dá abertura para conversar e isso ajuda muito no crescimento da equipe — disse.
Roberta também ressaltou a força do ambiente construído internamente, apontando a colaboração entre atletas de diferentes gerações como uma das marcas da seleção.
— Nosso grupo é sensacional. Não existe espaço para ego. Quem está em quadra ou no banco participa o tempo todo, orientando e ajudando. As mais experientes tentam passar um pouco da vivência para as mais novas, e elas estão sempre dispostas a aprender — destacou a levantadora.
Roberta Ratzke, levantadora da seleção brasileira feminina de vôlei
Arquivo Pessoal
Ouro olímpico é o principal objetivo
Alcançar o topo do pódio olímpico e completar a coleção de medalhas, que tem a prata de Tóquio e o bronze de Paris, permanece como o grande objetivo da geração.
Embora o foco imediato esteja voltado para a conquista da atual edição da VNL e para a classificação olímpica via Sul-Americano, Roberta admite que o sonho dourado já faz parte da rotina da seleção.
— A medalha de ouro é um sonho, uma meta e uma pressão saudável. É o que queremos. Treinamos sabendo que é possível, mas exige dedicação integral. O trabalho não termina quando deixamos a seleção e voltamos para os clubes. É um compromisso diário — reconheceu Roberta.
Experiência na Turquia amplia repertório
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Vivendo a sexta temporada consecutiva fora do Brasil, a levantadora também carrega para a seleção a bagagem adquirida no vôlei europeu. Depois de atuar na Polônia, ela disputa atualmente a Liga Turca, considerada uma das mais fortes e valorizadas do mundo.
— O nível é muito alto. A leitura de jogo mudou bastante para mim porque os bloqueios são mais altos e as atacantes têm muita força. Jogadoras como a Vargas sacam acima dos 100 km/h. Isso exige outra preparação física e mental. É um ambiente que obriga você a evoluir o tempo todo — pontuou.
Apesar do crescimento das principais ligas europeias, Roberta acredita que o vôlei brasileiro mantém características que seguem fazendo diferença no cenário internacional.
— Hoje a Turquia e a Itália têm enorme investimento, mas ainda vejo no Brasil um cuidado técnico muito grande. Existe uma atenção aos detalhes que faz parte da nossa formação. São escolas diferentes, mas essa qualidade técnica continua sendo um ponto forte do voleibol brasileiro — falou Roberta.
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Renovação já aparece no horizonte
Aos 36 anos, a levantadora também observa de perto a próxima geração que começa a surgir na posição. Ela elogiou nomes que vêm ganhando espaço no cenário nacional e valorizou a criação da “seleção B” como ferramenta para acelerar o desenvolvimento das jovens atletas.
— Fiquei muito feliz com a chegada da Bruninha (do Maringá) à seleção brasileira. Ela é extremamente dedicada. Também acompanho a Vivian e a Kenya, que são levantadoras com muito potencial. Quanto mais experiência elas acumularem agora, melhor será para o futuro da seleção — disse.
Retorno ao Brasil está nos planos
Enquanto o ciclo olímpico segue como prioridade absoluta, Roberta também começa a desenhar os planos para quando encerrar a carreira. O retorno ao Brasil é um desejo cada vez mais presente.
— Tenho muita vontade de voltar. Sinto falta da família, dos amigos e da vida no Brasil. Ainda não sei exatamente quando isso vai acontecer, mas penso uma temporada de cada vez — admitiu Roberta.
Aos 36 anos, Roberta revela plano para o pós-carreira no vôlei feminino
Gestão esportiva e o sonho de ter um café
Fora das quadras, a levantadora retomou os estudos e cursa Administração, de olho em uma futura atuação na gestão esportiva.
— Eu voltei a estudar para me motivar e ocupar a mente com outras coisas. Estou fazendo Administração. Não me vejo trabalhando diretamente no vôlei, assim como técnica ali dentro de quadra. Mas se tiver alguma coisa por trás, eu acho que me agradaria muito assim, eu acho que gestão é uma coisa que pode ser que dê muito certo — projetou.
Paralelamente, Roberta cultiva um sonho bem diferente daquele que a consagrou nas quadras.
— Eu adoraria ter um café. Morando na Polônia e na Turquia, percebi como esses espaços fazem parte da cultura das pessoas. Gosto desse ambiente para conversar, ler ou simplesmente passar um tempo. É um projeto para o futuro, mas algo que realmente me atrai — revelou a levantadora.
Foco em projetos sociais
Roberta também mantém forte ligação com projetos sociais e acredita que o fortalecimento da base é fundamental para o crescimento do esporte no país. Formada em iniciativas de desenvolvimento esportivo em Curitiba, ela defende mais investimentos e oportunidades para jovens atletas.
— Eu vim de um projeto social aqui de Curitiba, onde era o Rexona, hoje se chama Projeto Compartilhar. É um projeto que eu tento ajudar o máximo da forma que eu posso, foi da onde eu vim. E o projeto está vivo até hoje. Eu vejo que falta projetos sociais que possam ajudar e que deem muito mais chance para crianças — completou Roberta.
Até lá, porém, o foco segue totalmente voltado para a seleção brasileira. Invicto, o Brasil inicia a segunda semana da VNL com a confiança em alta e a liderança nas mãos.
O desafio agora é manter o ritmo para confirmar o crescimento da equipe, consolidar a evolução observada nas primeiras partidas e fortalecer a candidatura ao título.
Depois de superar Holanda, República Dominicana, Bulgária e Itália em Brasília, o Brasil ainda terá pela frente Bélgica, China e Alemanha na sequência da fase classificatória. A fase final será no Japão.
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