Iranianos exibem bandeiras de protesto durante estreia do Irã na Copa do Mundo
Iranianos protestam contra o regime de Teerã nos arredores do estádio de Los Angeles, onde Irã empatou com a Nova Zelândia
A estreia do Irã na Copa do Mundo, nesta segunda-feira, em Los Angeles, foi marcada não apenas pelo empate em 2 a 2 com a Nova Zelândia, mas também por manifestações políticas dentro e fora do estádio. Torcedores iraniano-americanos exibiram símbolos de oposição ao governo de Teerã e transformaram a partida em um reflexo das divisões vividas pela diáspora iraniana nos Estados Unidos.
O jogo aconteceu apenas um dia após o anúncio de um acordo de paz para encerrar o conflito iniciado em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã. A seleção iraniana desembarcou em Los Angeles no domingo, vinda de sua base de treinamento em Tijuana, no México, no momento em que o acordo foi anunciado.
Manifestantes com bandeiras do Irã e cartazes do ativista político iraniano Reza Pahlavi do lado de fora do estádio
REUTERS/Mike Blake
Entre a emoção e revolta
Los Angeles abriga a maior comunidade iraniana fora do Irã. Entre os moradores locais, o momento foi marcado por sentimentos contraditórios: a alegria de ver a seleção disputar o principal torneio do futebol mundial, a indignação com a repressão promovida pelo governo iraniano e a preocupação com os desdobramentos da guerra.
Cerca de 300 a 500 manifestantes se reuniram nos arredores do estádio para protestar contra o regime iraniano. Muitos carregavam cartazes e bandeiras e afirmaram que optaram por não assistir à partida para evitar qualquer associação com o governo de Teerã.
Outros decidiram entrar no estádio, mas levaram símbolos da oposição, entre eles a bandeira pré-Revolução Islâmica de 1979. O modelo mantém as cores verde, branca e vermelha, mas substitui o atual emblema da República Islâmica pelo tradicional símbolo do leão e do sol.
A presença dessas bandeiras levantou questionamentos sobre possíveis restrições impostas pela Fifa. A entidade afirma proibir manifestações de caráter político em suas competições, mas não havia esclarecido previamente se a bandeira pré-revolucionária seria enquadrada nessa regra.
Apesar das ameaças feitas por autoridades iranianas de suspender a participação da equipe caso bandeiras não oficiais fossem exibidas ou slogans fossem entoados, a partida ocorreu normalmente. Diversos torcedores passaram pela segurança portando camisetas e bandeiras com o símbolo do leão e do sol sem serem impedidos.
Manifestantes com bandeiras do Irã e cartazes do ativista político iraniano Reza Pahlavi do lado de fora do estádio
Reuters
Nas arquibancadas, a divisão ficou evidente. Alguns torcedores vaiaram o hino iraniano e comemoraram o primeiro gol da Nova Zelândia. Outros, porém, vestiram as cores oficiais da seleção e defenderam que o futebol fosse separado da política.
“Estou aqui para apoiar o Irã. Temos muito orgulho do nosso país”, disse Mehdi Jafari, de 57 anos, ao entrar no estádio.
Já Farhad Jafargad, que usava uma camiseta com o símbolo pré-revolucionário, afirmou que torceria pela Nova Zelândia. “Esta equipe não é a equipe do povo do Irã”, declarou.
Mesmo diante das manifestações, a maior parte do público apoiou o Team Melli, como a seleção iraniana é conhecida. O empate da equipe asiática foi comemorado por grande parte dos presentes.
A participação do Irã nesta Copa tem sido cercada por controvérsias desde o início do torneio. Nas últimas semanas, a federação transferiu sua base dos Estados Unidos para o México e reclamou de dificuldades para obtenção de vistos por integrantes da delegação, além de problemas relacionados à distribuição de ingressos para torcedores iranianos.
Manifestantes com bandeiras do Irã e cartazes do ativista político iraniano Reza Pahlavi do lado de fora do estádio
Reuters
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