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Do interior do PR à Libertadores: a trajetória de Nathan Fogaça até o gol histórico pelo Mirassol

Do interior do PR à Libertadores: a trajetória de Nathan Fogaça até o gol histórico pelo Mirassol

Em Assunção, Mirassol vence Always Ready por 2 a 1 e garante vaga inédita na Libertadores
Apesar do pouco tempo no clube, o nome de Nathan Fogaça já está gravado na história do Mirassol.
Afinal, foi dos pés do atacante que saiu, aos 36 minutos do segundo tempo contra o Always Ready, o gol que garantiu ao time do interior paulista a classificação para as oitavas de final da Libertadores.
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Para aquele menino nascido em Palmeira, no interior do Paraná, que ganhou uma bola como primeiro presente da vida, o roteiro foi muito diferente do que poderia imaginar. Da base do Coritiba aos gramados da MLS, passando pelo retorno ao Brasil, pelo Novorizontino e, agora, pelo Mirassol, Nathan construiu uma trajetória marcada por desafios, adaptação e persistência.
– Sou natural de Palmeira, no Paraná, e cresci no interior. Meu primeiro contato com a bola foi ainda pequeno, como praticamente todo brasileiro. Ganhei minha primeira bola de presente e, por volta dos seis anos, já estava jogando no campo. Depois me mudei para a cidade, tive contato com o futsal na escola, mas a minha paixão sempre foi o futebol de campo.
– Fiz um teste no Coritiba, fui aprovado e fiquei sete anos no clube. Foram anos fundamentais na minha formação, porque naquele momento você ainda não sabe se vai se tornar profissional. Tenho uma gratidão enorme pelo clube. Foi onde aprendi, me desenvolvi e me preparei para chegar ao futebol profissional.
Nathan Fogaça, nos tempos de Coritiba
Reprodução/ Instagram
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Foi justamente no Coritiba que surgiu a oportunidade de viver a primeira grande mudança da carreira. Ainda jovem, Nathan recebeu o convite para atuar nos Estados Unidos, uma experiência que misturou crescimento profissional e desafios pessoais.
O destino foi o San Antonio FC. Sozinho, longe da família e sem dominar o idioma, precisou aprender rapidamente a se adaptar a uma nova cultura.
– Quando surgiu a oportunidade de sair do país, fui muito novo. Era um desafio enorme porque eu estava deixando minha família, meus amigos e tudo aquilo que eu conhecia. Mas enxerguei aquilo como uma oportunidade de crescimento e aprendizado.
– Eu fui sozinho e cheguei praticamente sem falar inglês. Meu treinador era americano e a maioria dos jogadores também. Foram cerca de seis meses de muito sofrimento porque eu não conseguia me comunicar direito. Contratei professora, comecei a estudar e me obriguei a falar, mesmo errado. Nunca tive vergonha e isso me ajudou bastante na adaptação.
Nathan Fogaça no Portland Timbers
Arquivo pessoal/Divulgação
A distância da família foi um dos obstáculos mais difíceis daquele período. Entre treinos, jogos e estudos, as ligações e vídeochamadas se tornaram rotina para diminuir a saudade de casa.
– No primeiro empréstimo fiquei cerca de oito meses sem conseguir levar ninguém da família. Então era ligação, mensagem e vídeochamada praticamente todos os dias. Foi um período difícil porque precisei aprender a me virar sozinho em outro país, longe de todo mundo.
Se fora de campo a adaptação exigiu maturidade, dentro dele Nathan encontrou um ambiente que o ajudou a evoluir como jogador. Foi nos Estados Unidos que ele passou a enxergar o futebol de uma forma diferente.
– Lá eu aprendi muito sobre entendimento de jogo, posicionamento e cumprimento de funções. Encontrei atletas de altíssimo nível e passei a estudar mais o jogo. Foram coisas que talvez eu não valorizasse tanto antes. Voltei para o Brasil mais maduro e muito mais preparado profissionalmente.
Além do San Antonio, Nathan também atuou pelo Portland Timbers. Somando as passagens pelos Estados Unidos, disputou 89 partidas, marcou 21 gols e distribuiu nove assistências.
Nathan Fogaça enquanto vivia nos EUA: trabalho e passeio
Reprodução/ Instagram
Mesmo satisfeito com a experiência internacional, chegou o momento de voltar ao Brasil. O desejo de estar mais próximo da família e a busca por mais protagonismo pesaram na decisão.
– Ficou um sentimento de quero mais da MLS, mas optei por voltar ao Brasil para buscar sequência e protagonismo. Também queria ficar mais perto da minha família depois de tanto tempo longe. O Operário-PR apareceu nesse momento e foi importante para a minha retomada.
Foi justamente no Operário-PR que Nathan iniciou uma relação profissional que mudaria sua trajetória. Em 2024, conheceu Rafael Guanaes, treinador que hoje o comanda novamente no Mirassol.
– Quando cheguei ao Operário, fui como uma aposta. Pouca gente me conhecia e eu precisava provar meu valor para ganhar espaço. O professor Guanaes teve papel importante nesse processo. Foi um início desafiador, mas com uma adaptação rápida. Desde aquela época ele já tinha essa mentalidade de buscar evolução o tempo todo.
Depois da passagem pelo Operário, onde disputou 13 partidas, Nathan chamou a atenção do Novorizontino. No Tigre do Vale encontrou exatamente o que buscava: sequência, confiança e espaço para desenvolver seu futebol.
Nathan Fogaça fala com ge no CT do Mirassol
Gabriel Castro
Com o acesso do Mirassol à elite nacional, surgiu uma nova oportunidade. E a possibilidade de reencontrar Guanaes pesou na decisão.
– Quando surgiu a oportunidade do Mirassol, deixei muito claro que tinha vontade de voltar a trabalhar com ele. Existia uma gratidão pelo que ele fez por mim e também uma confiança muito grande no projeto. Quando surgiu a possibilidade, as partes chegaram a um acordo e eu fiquei muito feliz de reencontrar uma comissão técnica que já conhecia e admirava.
Em seis meses de clube, Nathan já soma 20 partidas e três gols. Mais do que a quantidade, chama atenção o peso deles. Marcou o gol de empate aos 44 minutos do segundo tempo contra o Remo, balançou as redes diante do Cruzeiro e entrou para a história do clube ao garantir a classificação às oitavas de final da Libertadores.
Nathan Fogaça comemora gol pelo Mirassol
Reprodução/ Instagram
Fora dos gramados, aparece um Nathan diferente daquele atacante intenso e voluntarioso visto em campo. Ligado às origens do interior, ele aproveita os momentos de descanso ao lado da família, da natureza e dos cavalos.
E, mesmo com o sonho de voltar ao exterior, prefere tratar o futuro com calma.
– Eu gosto muito dessa vida ligada ao campo, aos cavalos, é um hobby que tenho quando consigo descansar da rotina do futebol. Isso faz parte das minhas raízes. E, como todo jogador, tenho grandes sonhos e grandes objetivos. Claro que jogar na Europa é algo que passa pela minha cabeça e que eu gostaria de realizar um dia. Não sei quando vai acontecer, mas sigo trabalhando para que as oportunidades apareçam no momento certo – finalizou o atleta.
Nathan Fogaça fora dos gramados, com a esposa Beatriz
Reprodução/ Instagram geRead More