Há 40 anos, Senna criava famoso gesto após eliminação da Seleção
22 de junho de 1986. O país amanhecia triste pela eliminação da Seleção Brasileira de futebol nas quartas de final da Copa do Mundo, realizada naquele ano no México. No jogo, disputado no famoso Estádio Jalisco, em Guadalajara, o Brasil empatou por 1 a 1 com a França no tempo normal e na prorrogação. Nos pênaltis, o Doutor Sócrates perdeu o primeiro. Michel Platini deixou as esperanças brasileiras vivas ao perder a oitava cobrança, mas o zagueiro Júlio César acertou a trave na sequência e o volante Luis Fernández fechou o placar: 4 a 3 França. Mas o que isso tem a ver com Fórmula 1? Simples: essa eliminação, ocorrida há 40 anos, criou o gesto mais famoso de Ayrton Senna em suas vitórias. E para responder a uma provocação.
Há 40 anos, Ayrton Senna empunhava pela primeira vez a bandeira do Brasil após uma vitória
Tudo começou no dia anterior, com a eliminação do Brasil perante à França a 3.625 km de Detroit. Era o último ano de parceria da Lotus com os franceses da Renault. Antes do jogo, usando o famoso motor de classificação de mais de 1.000 cavalos, Ayrton Senna marcou a pole position no circuito de rua montado no centro da Capital do Automóvel, meio segundo à frente do inglês Nigel Mansell, da Williams. Depois, teve de aturar todas as provocações dos engenheiros da marca francesa, eufóricos por ver sua seleção nacional nas semifinais da Copa do México. Mas o troco viria em grande estilo, no domingo da corrida de rua.
Ayrton Senna cruza a linha de chegada para vencer a corrida em Detroit, 1986
LAT Images
No domingo, um cartaz da pequena torcida brasileira presente ao circuito de Detroit pedia a Ayrton Senna dar um “um olé no francês” Alain Prost e assim vingar “a pátria de chuteiras”. O piloto deu uma risada e fez sinal de positivo quando entrou em seu carro. Ele manteve a ponta na largada, mas perderia a liderança na sequência, quando errou uma troca de marchas (o câmbio ainda era em H, com a tradicional alavanca). Ele reassumiu a primeira posição na oitava volta e abriu uma boa vantagem. Contudo, um pneu furado fez com que Senna entrasse nos boxes e caísse para o oitavo lugar, 20 segundos atrás do líder naquele momento, o francês René Arnoux, da também francesa equipe Ligier.
Ayrton Senna ergue bandeira do Brasil após vencer GP de Detroit de 1986
Acervo Instituto Ayrton Senna
Senna, então, começou a dar o show habitual. Após voltar dos boxes, ultrapassou a dupla da Ferrari em um intervalo de duas voltas: o italiano Michele Alboreto na 15ª e o sueco Stefan Johansson na 17ª. Com os pit stops de Arnoux, Alain Prost (McLaren), Mansell, e Jacques Laffite (Ligier), o piloto da Lotus subiu para o segundo lugar, apenas 1s7 atrás do líder, o brasileiro Nelson Piquet, da Williams. Após a parada do compatriota, Senna controlou a vantagem de mais de 30 segundos e venceu. O pódio teve requintes de vingança, com os franceses Laffite em 2º e Prost em 3º.
Ayrton Senna fala sobre a vitória em Detroit, 1986
Eis que, na volta da vitória, Senna viu um torcedor brasileiro ao lado da pista com uma pequena bandeira do Brasil. Ele resolveu parar, pegar a bandeira e dar a volta com ela em punho, criando a marca registrada de várias de suas vitórias na Fórmula 1, e lavando a alma do torcedor brasileiro, que ainda sofria com a eliminação da seleção de futebol na Copa do Mundo do México. Ainda deu o troco das provocações aos mecânicos da Renault e a Gerard Ducarouge, projetista francês da Lotus.
– Depois da derrota de ontem, acho que, dentro do possível, deu uma compensada. Quando acabou a prova, vi muitos brasileiros aqui na arquibancada com bandeira e as cores do Brasil. Então eu parei, pedi, e um brasileiro me deu a bandeira. Valeu o esforço! – disse Senna na época.
Ayrton Senna comemora vitória no GP de Detroit de 1986 da F1
Acervo Instituto Ayrton Senna
A vitória nas ruas de Detroit foi a segunda e última de Ayrton Senna na temporada 1986, a qual terminou na quarta colocação – tendo Alain Prost como campeão. Em 1987, venceria mais duas vezes pela Lotus – já com o motor Honda – e se despediria da equipe rumo à McLaren.
Perfil Rafael Lopes
Editoria de Arte/ge.globo geRead More


